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Cebola ou alho pode causar anemia em cães?

A anemia por consumo de cebola e alho em cães é uma condição tóxica que pode surgir após a ingestão de pequenas ou grandes quantidades desses alimentos, frescos ou processados. Saiba mais!

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A anemia por consumo de cebola e alho em cães é uma condição tóxica que pode surgir após a ingestão de pequenas ou grandes quantidades desses alimentos, frescos ou processados. Mesmo itens comuns do dia a dia, como temperos prontos, restos de comida e petiscos caseiros, podem conter doses suficientes para causar problemas. Por isso, compreender como essa intoxicação acontece e quais sinais podem aparecer é fundamental para quem convive com animais de companhia.

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Embora muitas pessoas utilizem alho e cebola rotineiramente na própria alimentação, esses ingredientes não são seguros para cães. O organismo canino reage de forma diferente ao dos humanos, principalmente em relação às células do sangue. Dependendo da quantidade ingerida, do porte do animal e de condições de saúde pré-existentes, a ingestão pode evoluir para um quadro de anemia hemolítica, que exige acompanhamento veterinário imediato.

Os sinais de anemia por consumo de cebola e alho em cães não surgem imediatamente após a ingestão – depositphotos.com / SergPoznanskiy

O que causa a toxicidade da cebola e do alho em cães?

A palavra-chave central aqui é anemia por consumo de cebola e alho em cães, uma condição ligada a compostos específicos presentes nesses vegetais. Os principais responsáveis são derivados sulfurados, como tiossulfatos, disulfetos e outros compostos organossulfurados. Eles estão presentes em diferentes formas em cebola, alho, cebolinha, alho-poró e outros representantes do gênero Allium.

Nos cães, esses tiossulfatos não são metabolizados de maneira eficiente. Em vez de serem neutralizados, acabam interagindo com elementos presentes nos glóbulos vermelhos, especialmente com a hemoglobina. Esse processo leva à formação de estruturas anormais dentro das células sanguíneas e compromete a capacidade de transporte de oxigênio, abrindo caminho para a anemia hemolítica oxidativa.

Como a anemia por consumo de cebola e alho em cães afeta os glóbulos vermelhos?

O mecanismo central da anemia por consumo de cebola e alho em cães é o dano oxidativo aos glóbulos vermelhos. Os compostos sulfurados provocam alterações químicas na hemoglobina, que passa a formar aglomerados chamados corpos de Heinz. Esses corpos de Heinz deformam a célula, deixam a membrana mais frágil e tornam o glóbulo vermelho alvo do sistema de defesa do próprio organismo.

Com o avanço do dano, os glóbulos vermelhos podem se romper diretamente na circulação (hemólise intravascular) ou serem removidos pelo baço e outros órgãos (hemólise extravascular). Como consequência, a quantidade de células sanguíneas funcionais diminui, reduzindo o transporte de oxigênio para os tecidos. Em casos mais intensos, pode aparecer urina escurecida, devido à presença de pigmentos decorrentes da destruição dos glóbulos vermelhos.

Quais são os sintomas clínicos e em quanto tempo aparecem?

Os sinais de anemia por consumo de cebola e alho em cães não surgem imediatamente após a ingestão. Em muitos casos, o animal parece normal por algum tempo, o que pode atrasar a percepção do problema. Em geral, os sintomas começam entre 24 horas e 3 a 5 dias depois do consumo, dependendo da dose e da sensibilidade individual.

Alguns sinais clínicos observados com frequência incluem:

  • Letargia, cansaço fácil e menor disposição para brincar ou caminhar;
  • Gengivas e mucosas pálidas ou amareladas;
  • Respiração ofegante ou mais rápida, mesmo em repouso;
  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Fraqueza, dificuldade para subir escadas ou para se levantar;
  • Vômitos, diarreia ou dor abdominal logo após a ingestão, em alguns casos;
  • Urina escura ou avermelhada, quando há forte destruição de glóbulos vermelhos;
  • Possível desorientação ou colapso em situações graves.

É comum que os sinais gastrointestinais, como vômito e diarreia, apareçam mais cedo, nas primeiras horas, enquanto a anemia propriamente dita se torna evidente após alguns dias. Isso reforça a necessidade de informar o veterinário sobre qualquer suspeita de ingestão de alho, cebola ou alimentos temperados com esses ingredientes.

A sensibilidade a esses alimentos varia bastante entre espécies de animais – depositphotos.com / VadimVasenin

Cães, gatos e humanos reagem da mesma forma à cebola e ao alho?

A sensibilidade a esses alimentos varia bastante entre espécies. Cães e gatos compartilham a susceptibilidade à toxina, mas em intensidades diferentes, enquanto humanos costumam tolerar bem quantidades comuns usadas na alimentação.

  • Cães: São claramente sensíveis aos tiossulfatos. A toxicidade depende do peso, da quantidade ingerida e da forma de apresentação (crua, cozida, desidratada, em pó).
  • Gatos: Costumam ser ainda mais sensíveis do que os cães. Pequenas doses, proporcionais ao peso, podem levar a quadros graves, em parte por características próprias dos glóbulos vermelhos felinos.
  • Humanos: Metabolizam melhor esses compostos e, nas quantidades usuais da dieta, não desenvolvem anemia hemolítica por cebola ou alho em condições normais. Por isso, algo seguro para uma pessoa não é automaticamente seguro para um animal.

Além disso, a forma de oferta influencia o risco: alho em cápsulas, pasta de alho, cebola em pó presente em temperos prontos e sobras de refeições muito temperadas podem conter concentrações elevadas da toxina em pouco volume.

Quais fatores aumentam o risco de anemia por consumo de cebola e alho em cães?

Nem todos os cães desenvolverão o mesmo grau de anemia com a mesma quantidade ingerida. Alguns fatores podem ampliar o risco ou agravar o quadro:

  • Porte e peso corporal: Animais pequenos recebem, proporcionalmente, uma dose maior quando ingerem a mesma quantidade absoluta de alimento tóxico.
  • Raça: Raças com tendência a alterações hereditárias dos glóbulos vermelhos ou da hemoglobina podem ser mais vulneráveis.
  • Idade: Filhotes e cães idosos podem ter menor capacidade de compensar a perda de células sanguíneas.
  • Doenças pré-existentes: Problemas renais, hepáticos ou anemias anteriores deixam o organismo menos preparado para enfrentar nova agressão.
  • Exposição repetida: Pequenas porções de cebola ou alho consumidas com frequência, mesmo abaixo de doses clássicas de toxicidade, podem se somar e levar ao dano acumulado.
  • Forma de preparo: O cozimento não elimina completamente os tiossulfatos, e formas concentradas (como desidratados e temperos industrializados) podem ser mais perigosas.

Quanta cebola ou alho pode causar anemia em cães de diferentes pesos?

As doses tóxicas variam em função do peso e da sensibilidade individual, mas existem valores aproximados que ajudam a ter uma noção prática. Estudos indicam que a ingestão em torno de 15 a 30 g de cebola por kg de peso já pode causar alterações nos glóbulos vermelhos, e quantidades acima de 30 g/kg aumentam significativamente o risco de anemia. No caso do alho, a toxicidade é geralmente considerada maior por peso.

Para facilitar o entendimento, pode-se considerar exemplos aproximados de cebola fresca:

  • Cão de 5 kg: cerca de 75 a 150 g de cebola (um pouco menos de meia cebola grande a uma cebola média inteira) já é potencialmente perigoso;
  • Cão de 10 kg: em torno de 150 a 300 g de cebola (pouco mais de uma cebola grande até duas grandes);
  • Cão de 20 kg: aproximadamente 300 a 600 g de cebola (duas a três cebolas grandes);
  • Cão de 30 kg: algo em torno de 450 a 900 g de cebola.

No caso do alho, por ser mais concentrado, valores de cerca de 5 g de alho por kg de peso já têm potencial de provocar alterações hematológicas em alguns cães. De forma geral, recomenda-se considerar qualquer quantidade relevante de alho ou cebola, especialmente em apresentações concentradas (pó, extratos, temperos prontos), como um risco em potencial, evitando o oferecimento intencional.

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Independentemente da dose, a orientação de segurança é clara: alimentos destinados a cães não devem conter cebola, alho ou produtos derivados. Em situações de ingestão acidental, é recomendável contato rápido com um profissional veterinário para avaliação do risco, definição de conduta e, se necessário, realização de exames de sangue para monitorar a integridade dos glóbulos vermelhos.

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