Entre sonhos e tragédias: o centenário do letreiro de Hollywood
O letreiro de Hollywood completa 100 anos em 2026 e segue como um dos símbolos mais reconhecidos do cinema mundial.
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O letreiro de Hollywood completa 100 anos em 2026 e segue como um dos símbolos mais reconhecidos do cinema mundial. Localizado nas colinas de Los Angeles, o painel branco sobre o Monte Lee ultrapassa a função original de simples anúncio imobiliário e se transforma em ícone cultural. Ao longo de um século, o famoso letreiro acumula histórias de glória, decadência, reformas e episódios trágicos. Esses elementos ajudam a construir sua aura de mistério e fascínio.
Hoje, o centenário desperta interesse não apenas entre fãs de cinema, mas também entre historiadores, urbanistas e turistas. O letreiro concentra em poucas letras a imagem que boa parte do planeta associa à indústria do entretenimento. Ao mesmo tempo, sua trajetória expõe contradições profundas da própria cidade. Assim, riqueza e precariedade, ilusão e desilusão, fama e anonimato convivem na sombra das grandes letras brancas.
Como surgiu o lendário letreiro de Hollywood?
A origem do letreiro de Hollywood se liga diretamente ao mercado imobiliário, e não ao cinema. Em 1923, a palavra exibida nas colinas dizia “Hollywoodland” e promovia um loteamento de luxo na região. As letras, com cerca de 15 metros de altura, usavam estrutura de madeira e chapas metálicas. Além disso, centenas de lâmpadas iluminavam o anúncio em uma época em que a cidade ainda consolidava sua expansão.
O anúncio deveria existir apenas por um período temporário, com previsão inicial de alguns anos. No entanto, o crescimento acelerado da indústria cinematográfica na região fez com que a palavra se tornasse sinônimo de cinema, celebridades e tapetes vermelhos. Com o tempo, o sufixo “land” desapareceu, as letras passaram por reformas sucessivas e a cidade passou a tratar o conjunto como patrimônio simbólico de Los Angeles.
Nas décadas seguintes, o letreiro de Hollywood enfrentou desgaste climático, vandalismo e abandono parcial. Em alguns períodos, certas letras ficaram tortas ou quebradas e refletiram fases de crise da própria cidade. Somente no final dos anos 1970, uma restauração definitiva substituiu a estrutura antiga por aço mais robusto. Nessa ocasião, figuras da indústria do entretenimento lideraram campanhas públicas e arrecadaram fundos para preservar o símbolo.
Letreiro de Hollywood: curiosidades marcantes em 100 anos
A história do letreiro de Hollywood reúne curiosidades que ajudam a explicar sua força simbólica. Muitas delas mostram como o painel se reinventa para acompanhar as transformações da cidade e da indústria cinematográfica. Outras revelam episódios pouco celebrados, que envolvem acidentes, proibições e conflitos locais.
- O letreiro original “Hollywoodland” utilizava um sistema de luzes que acendia as sílabas em sequência. Esse recurso criava efeito de destaque para o empreendimento imobiliário.
- A remoção do “land” ocorreu em 1949, quando a Câmara de Comércio de Hollywood assumiu a administração da estrutura e decidiu preservar apenas o nome do bairro.
- Ao longo do tempo, o letreiro recebeu breves alterações de letras para campanhas e protestos. Por isso, as autoridades passaram a restringir intervenções e, assim, preservam a marca.
- Hoje, as letras têm cerca de 14 metros de altura e se estendem por aproximadamente 137 metros de largura. Por essa razão, equipes técnicas realizam manutenção periódica e repinturas completas.
- Apesar da fama mundial, o acesso direto ao pé das letras permanece restrito. Câmeras, sensores e patrulhamento constante reduzem o risco de vandalismo e de acidentes.
Quais são as histórias sombrias por trás do símbolo de Hollywood?
O centenário do letreiro de Hollywood também lembra episódios considerados sombrios. Um dos casos mais citados envolve a atriz Peg Entwistle, que em 1932 tirou a própria vida ao pular de uma das letras do antigo “Hollywoodland”. O episódio se tornou referência frequente em reportagens sobre o lado trágico da busca pela fama. Desde então, relatos de aparições e lendas urbanas circulam pela região e reforçam a imagem de um lugar cercado por mitos.
Além de tragédias individuais, o letreiro acompanha períodos de forte especulação imobiliária, despejos e transformações urbanas que afetam moradores de bairros próximos. Nesse contexto, o contraste entre o símbolo global da indústria milionária e a realidade de trabalhadores comuns permanece constante. Muitos documentários e investigações sobre desigualdades em Los Angeles exploram esse conflito e destacam as tensões sociais da cidade.
Também surgem controvérsias quando empresas tentam explorar comercialmente o letreiro de Hollywood. Diferentes propostas de instalação de anúncios e modificações para ações de marketing geram debates intensos. Moradores, preservacionistas e órgãos públicos frequentemente se unem e resistem a essas iniciativas. Assim, muitos questionam até que ponto um símbolo cultural pode servir como plataforma direta de publicidade.
Como o letreiro de Hollywood é protegido e o que ele representa hoje?
Atualmente, o letreiro de Hollywood se consolida como patrimônio cultural e recebe proteção de diferentes níveis de governo e de organizações privadas. Sistemas de monitoramento, cercas e trilhas demarcadas controlam o fluxo de turistas e reduzem danos à área. Paralelamente, campanhas de arrecadação de fundos financiam reformas e ampliam áreas de preservação ambiental ao redor do Monte Lee.
Do ponto de vista simbólico, o painel funciona como um termômetro das transformações da indústria audiovisual. Nas últimas décadas, o streaming, a produção internacional e novas tecnologias modificam o cenário global. Desse modo, o nome Hollywood já não se refere apenas a estúdios físicos na Califórnia, mas sim a um conceito mundial de entretenimento. Mesmo assim, a imagem das letras brancas ainda se associa ao início de muitas carreiras e ao imaginário de quem acompanha filmes e séries.
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Para além do glamour, o centenário do letreiro de Hollywood destaca um século de contrastes intensos. A cidade atravessa progresso urbano, crises econômicas, disputas por memória e por espaço, além de histórias anônimas que raramente aparecem nas telas. Entre sonhos e tragédias, o painel que começou como anúncio de um loteamento se consolida como uma espécie de marca registrada do cinema. Dessa forma, o letreiro reflete tanto o brilho quanto as sombras de uma das indústrias mais influentes do mundo.