40 dias de reflexão: entenda a Quaresma e suas práticas religiosas
A Quaresma representa um período de preparação espiritual que antecede a Páscoa e se caracteriza por práticas de penitência, oração e caridade.
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A Quaresma representa um período de preparação espiritual que antecede a Páscoa e se caracteriza por práticas de penitência, oração e caridade. Nesse tempo, a Igreja convida os fiéis a rever a própria vida, ajustar atitudes e retomar compromissos de fé. Ao longo desses dias, muitas comunidades intensificam a rotina religiosa, com celebrações específicas, leituras bíblicas próprias e gestos simbólicos que lembram a necessidade de mudança interior.
Esse tempo especial não se limita a um único país ou cultura. Diversas tradições cristãs vivem a Quaresma de maneiras diferentes, embora mantenham a mesma finalidade de preparação para a celebração da ressurreição de Jesus. Além disso, a expressão “40 dias” transformou-se em símbolo de processo, travessia e amadurecimento espiritual, mesmo que, no calendário civil, esse período pareça ir além desse número.
O que significa a Quaresma dentro da tradição cristã?
A palavra Quaresma vem do latim quadragesima, que remete a “quadragésimo” e indica o período de quarenta dias antes da Páscoa. Na tradição cristã, esses dias recordam principalmente o relato bíblico dos 40 dias em que Jesus permaneceu no deserto em jejum e oração. Além disso, lembram outros períodos simbólicos de 40 presentes na Bíblia, como os 40 anos do povo de Israel no deserto ou os 40 dias do dilúvio no livro do Gênesis.
Durante a Quaresma, os cristãos costumam destacar um tripé espiritual: oração, jejum e esmola (ou gestos de solidariedade). A proposta incentiva que esse tempo não se reduza a renúncias externas, como deixar de consumir certos alimentos ou entretenimentos. Ao vez disso, convida a uma revisão sincera de escolhas, à reconciliação e à busca de maior coerência entre fé e prática diária. Já em muitas comunidades, os pastores e agentes de pastoral recomendam também leitura mais frequente da Bíblia e participação em celebrações específicas, como as vias-sacras.
Em quais religiões e igrejas a Quaresma é praticada?
A Quaresma cristã aparece principalmente em diferentes ramos do cristianismo. Cada tradição segue um calendário litúrgico próprio. No entanto, todas preservam a ideia de tempo de preparação para a Páscoa. Entre as principais comunidades que praticam a Quaresma, destacam-se:
- Igreja Católica Apostólica Romana: segue um calendário litúrgico bem estruturado, com início da Quaresma na Quarta-feira de Cinzas e término na Quinta-feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor.
- Igrejas Ortodoxas: também vivem um período quaresmal, embora utilizem datas e regras de jejum que podem variar conforme cada tradição nacional ou regional.
- Igrejas Anglicanas e Episcopais: mantêm o tempo quaresmal com ênfase em liturgias específicas, leitura bíblica intensificada e propostas de abstinência.
- Algumas denominações luteranas e protestantes históricas: adotam a Quaresma de modo mais flexível e focam sobretudo na reflexão bíblica e em práticas de oração.
Outras tradições religiosas, como o judaísmo ou o islamismo, também reservam períodos de jejum e penitência. Contudo, não utilizam a expressão Quaresma. Nesses casos, tratam de práticas distintas, com significados e calendários próprios, que não se confundem com o tempo quaresmal cristão.
Por que a Quaresma tem 40 dias se, no calendário, parece durar mais?
A contagem dos 40 dias da Quaresma costuma gerar dúvidas porque, ao acompanhar o calendário, o período parece ultrapassar esse número. A explicação se apoia na forma como a tradição cristã organiza esse tempo litúrgico. Em termos práticos, a Quaresma vai da Quarta-feira de Cinzas até o início da Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa. No entanto, os cristãos não incluem os domingos na soma dos dias de penitência.
Na liturgia cristã, especialmente na católica, todo domingo recebe o título de “pequeno dia de Páscoa”, ou seja, um dia em que a Igreja celebra a ressurreição de Cristo com alegria. Por esse motivo, ninguém considera o domingo como dia de jejum ou penitência, ainda que ele faça parte do período quaresmal como um todo. Assim, a contagem dos 40 dias leva em conta apenas as ferias, isto é, os dias de semana e sábados, e exclui os domingos.
Quando se observa o calendário, percebe-se que:
- A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas.
- Segue até a tarde da Quinta-feira Santa, antes da liturgia que abre o Tríduo Pascal.
- Se alguém somar todos esses dias, incluindo os domingos, o número ultrapassa 40.
- Ao retirar os domingos da contagem, a comunidade chega aos 40 dias simbólicos de preparação.
Dessa forma, o tempo quaresmal fica mais longo no calendário civil. Ainda assim, a tradição fala em 40 dias porque se refere ao período efetivo de penitência, e não à duração total em dias corridos.
Quais são as principais práticas e símbolos da Quaresma?
Ao longo da Quaresma, muitas igrejas adotam sinais visuais, orações específicas e propostas concretas de mudança de vida. Entre as práticas mais comuns, aparece o jejum ou a abstinência de carne em determinados dias, além da participação em celebrações penitenciais e da intensificação de ações de solidariedade. Em alguns lugares, as comunidades organizam também a via-sacra semanalmente, para recordar os passos da paixão de Cristo.
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Nesse período de 40 dias de reflexão, muitos templos e capelas adotam cores litúrgicas mais sóbrias, como o roxo, que simboliza penitência e recolhimento. Em diversas comunidades, os líderes religiosos estimulam que os fiéis assumam algum compromisso concreto, como reduzir consumos supérfluos e destinar recursos a iniciativas sociais. Assim, a Quaresma deixa de representar apenas um marco no calendário religioso e se transforma em um verdadeiro itinerário de renovação espiritual e ética, com impacto na vida pessoal e comunitária.