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Entenda o protocolo antirracismo da FIFA, acionado após injúria contra Vinícius Jr.

O debate sobre o combate ao racismo no futebol ganhou novo destaque após o episódio envolvendo Vinícius Jr. no jogo entre Benfica e Real Madrid, em 17 de fevereiro de 2026.

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O debate sobre o combate ao racismo no futebol ganhou novo destaque após o episódio envolvendo Vinícius Jr. no jogo entre Benfica e Real Madrid, em 17 de fevereiro de 2026. Esse caso reacendeu a discussão sobre o funcionamento do protocolo de racismo da FIFA. Além disso, trouxe à tona as etapas previstas e o papel de clubes, árbitros e torcedores nesse procedimento. O tema envolve regras formais. Porém, também abrange práticas de prevenção e responsabilização dentro e fora de campo.

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A FIFA criou o protocolo antirracismo para oferecer uma resposta padronizada a episódios de discriminação durante partidas. Assim, dirigentes e árbitros não dependem apenas de interpretações individuais. Em vez disso, seguem um roteiro claro, com passos gradativos e possibilidade real de interrupção dos jogos. Ao mesmo tempo, o caso de Vinícius Jr. em Lisboa expôs, mais uma vez, a forma como torcedores, entidades e autoridades observam a aplicação dessas medidas. Desse modo, cada partida relevante vira um teste para o sistema.

O que é o protocolo antirracismo da FIFA e qual sua palavra-chave?

A palavra-chave central é protocolo antirracismo da FIFA. Essa expressão resume o conjunto de orientações oficiais para reagir a atos de racismo, xenofobia ou outras formas de discriminação em partidas organizadas sob a égide da entidade. Esse protocolo vale para competições que a FIFA organiza diretamente. No entanto, também serve como referência para ligas e federações nacionais, que costumam adotar normas semelhantes, ajustadas às suas realidades locais.

Na prática, o protocolo antirracismo da FIFA garante resposta imediata a qualquer ofensa racial dentro do estádio. Isso inclui manifestações da torcida, gestos discriminatórios de jogadores ou membros de comissão técnica e incidentes entre funcionários de clubes. A diretriz orienta que alguém informe o árbitro rapidamente. Em seguida, o árbitro recebe respaldo para seguir os três níveis de ação previstos. Ele atua sempre em conjunto com o delegado da partida e com os responsáveis pelos sistemas de som e segurança do estádio.

Como funciona o protocolo antirracismo da FIFA em três etapas?

protocolo de racismo da FIFA se estrutura em três passos principais e progressivos. As autoridades pensaram esse modelo para escalar a resposta de forma gradual. A intenção consiste em interromper a conduta discriminatória o mais rápido possível. Porém, o protocolo também prevê medidas mais duras se o problema continuar. As etapas, de forma simplificada, seguem a lógica abaixo:

  1. Primeira etapa: alguém informa o árbitro sobre o ato de racismo, e o árbitro decide interromper temporariamente o jogo. Em seguida, o sistema de som do estádio faz um anúncio oficial, alerta o público e pede o fim imediato das ofensas. Esse procedimento marca, de forma clara, a ativação do protocolo.
  2. Segunda etapa: se as manifestações continuarem, o árbitro pode suspender a partida novamente e retirar as equipes de campo por um período. Nesse momento, dirigentes, segurança e autoridades locais atuam de forma conjunta. Eles tentam identificar os responsáveis e avaliam se o jogo pode prosseguir com segurança mínima.
  3. Terceira etapa: se, mesmo após os avisos, o comportamento racista persistir, o árbitro recebe respaldo para encerrar o jogo em definitivo. A partir desse ponto, as instâncias disciplinares da competição analisam as punições cabíveis. Essas sanções podem incluir derrota por W.O., multas, perda de mando de campo e jogos com portões fechados.

Esse modelo inclui relatórios pós-jogo, registros em súmulas e análise posterior por comissões de disciplina. Em muitos casos, imagens de TV, depoimentos de atletas e testemunhas reforçam as evidências. Além disso, a FIFA incentiva campanhas educativas, faixas em campo e ações de conscientização. Assim, as entidades tentam prevenir episódios antes de recorrer ao protocolo. Algumas federações também treinam árbitros e delegados para reconhecer sinais de abuso de forma mais rápida.

O que aconteceu no jogo Benfica x Real Madrid com Vinícius Jr.?

No dia 17 de fevereiro de 2026, na partida entre Benfica e Real Madrid, válida por competição internacional de clubes, Vinícius Jr. relatou injúria racial vinda das arquibancadas. O episódio ocorreu ainda no primeiro tempo, em um momento em que o atacante participava ativamente do jogo. Ele se aproximava do setor onde torcedores do time mandante se concentravam. Relatos indicaram sons e palavras de cunho racista direcionados ao jogador brasileiro.

Após perceber as ofensas, Vinícius Jr. comunicou companheiros e o árbitro, que ativou o protocolo antirracismo da FIFA em campo. O jogo ficou paralisado por alguns minutos. Logo depois, o sistema de som do estádio em Lisboa fez um anúncio, pediu o fim das manifestações discriminatórias e informou que o prosseguimento da partida dependia do respeito às regras. Durante a interrupção, jogadores de ambas as equipes se reuniram com a arbitragem. Ao mesmo tempo, representantes de segurança atuaram para tentar identificar os autores.

Com o reinício do duelo, as autoridades locais e o delegado da partida intensificaram os monitoramentos. Imagens de transmissão e gravações internas do estádio passaram por análise para auxiliar na identificação dos responsáveis. Tanto Benfica quanto Real Madrid divulgaram notas oficiais e repudiaram atos racistas. Além disso, ambos prometeram colaborar com possíveis investigações, em linha com as exigências de entidades reguladoras. Em muitos casos semelhantes, clubes também oferecem apoio psicológico aos atletas afetados.

Quais são as possíveis consequências após o acionamento do protocolo?

Quando o protocolo antirracismo da FIFA é acionado, o episódio registrado ultrapassa a esfera esportiva. A partir dos relatórios do árbitro e do delegado, o caso pode seguir para as comissões disciplinares das federações envolvidas e, em algumas situações, para a própria FIFA, dependendo da competição. Em paralelo, autoridades policiais podem abrir investigações sobre crime de injúria racial ou racismo, conforme a legislação de cada país. Dessa maneira, o processo combina punições esportivas e responsabilidade criminal.

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  • Punições esportivas: incluem advertências e multas financeiras. Em casos mais graves, as entidades podem aplicar perda de mando de campo, encerramento de partida e jogos com portões fechados. Em competições internacionais, as organizações também avaliam sanções adicionais, como exclusão de torneios futuros.
  • Responsabilização individual: as autoridades tentam identificar torcedores por imagens, venda de ingressos, câmeras de segurança e relatos de testemunhas. Esse processo pode resultar em proibição de acesso a estádios e processos criminais. Em alguns países, o torcedor ainda responde por danos morais e outras reparações civis.
  • Medidas educativas: as entidades podem exigir campanhas públicas, treinamentos internos em clubes e federações e participação em ações de conscientização. Além disso, muitos campeonatos adotam partidas temáticas, mensagens de capitães e materiais nas redes sociais para reforçar a pauta antirracista.

No caso específico de Benfica x Real Madrid, o acionamento do protocolo antirracismo da FIFA registrou oficialmente o ocorrido com Vinícius Jr. e abriu caminho para eventuais sanções. A partir desse tipo de registro formal, entidades esportivas e autoridades civis passam a dispor de mais elementos para agir. Assim, o sistema reforça a mensagem de que manifestações racistas em estádios configuram violações graves, com repercussões esportivas, jurídicas e institucionais. Ao mesmo tempo, o episódio pressiona clubes e federações a aprimorar políticas de inclusão e mecanismos de denúncia.

Vinícius Jr. – depositphotos.com / Musiu0

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