Desfile celeste: seis planetas vão se alinhar dia 28/2 e poderão ser vistos a olho nu
Na noite de 28 de fevereiro de 2026, parte do céu do Brasil será palco de um fenômeno astronômico raro. Trata-se do alinhamento de seis planetas visíveis em uma mesma faixa do firmamento. Saiba mais sobre ele.
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Na noite de 28 de fevereiro de 2026, parte do céu do Brasil será palco de um fenômeno astronômico raro. Trata-se do alinhamento de seis planetas visíveis em uma mesma faixa do firmamento. Pouco depois do pôr do sol, será possível observar Mercúrio, Vênus, Júpiter e Saturno brilhando no horizonte oeste, enquanto Urano e Netuno aparecerão de forma mais discreta, exigindo mais atenção e, em muitos casos, equipamento óptico. Ademais, a cena deverá ser acompanhada por um céu escuro, salpicado de estrelas, favorecendo a experiência de quem estiver em locais com pouca poluição luminosa.
Esse tipo de alinhamento não significa que os planetas estarão enfileirados em linha reta no espaço, mas sim que, vistos da Terra, parecerão um agrupamento em uma mesma região do céu. O evento ganha destaque por reunir, na mesma noite, planetas muito brilhantes a olho nu e outros que normalmente passam despercebidos. Assim, oferece uma oportunidade didática para compreender melhor a dinâmica do Sistema Solar e a maneira como os astros se deslocam em torno do Sol.
Alinhamento de seis planetas: o que realmente vai acontecer?
O termo alinhamento de seis planetas pode sugerir uma configuração rígida e perfeitamente reta, o que não ocorre na prática. Na astronomia, o alinhamento se refere ao fato de que os corpos celestes aparecem próximos ao longo da mesma faixa do céu, associada ao plano da eclíptica, por onde a Terra orbita o Sol. Em 28 de fevereiro de 2026, será essa disposição aparente que chamará a atenção de observadores em várias regiões do Brasil.
Mercúrio e Vênus, por estarem mais próximos do Sol, surgirão baixos no horizonte oeste, pouco tempo após o pôr do sol. Júpiter e Saturno aparecerão um pouco mais altos, com brilho intenso e estável, facilitando a identificação. Já Urano e Netuno, mais distantes e pouco luminosos, estarão na mesma faixa, porém com magnitude fraca. Assim, serão um desafio para quem observar apenas a olho nu. Mesmo assim, todos farão parte do mesmo cenário celeste alinhado.
Esse tipo de configuração não implica alterações em marés, clima ou comportamento da Terra. Os efeitos gravitacionais dos planetas, mesmo quando vistos em alinhamento, permanecem praticamente imperceptíveis no cotidiano. O interesse concentra-se na experiência de observação e no valor educativo para quem deseja entender melhor o posicionamento relativo dos planetas no espaço.
Como observar o alinhamento de planetas em 28 de fevereiro de 2026?
Para acompanhar o alinhamento de planetas de forma eficiente, o ideal é estar atento ao horário e às condições de visibilidade. O fenômeno começará a ficar evidente cerca de 30 a 45 minutos após o pôr do sol, quando o céu estiver escurecendo, mas o horizonte oeste ainda apresentar um pouco de claridade. Esse período é conhecido como crepúsculo civil e favorece a localização de Vênus e Mercúrio, que costumam se perder rapidamente no brilho residual do dia.
Algumas orientações podem facilitar a observação:
- Escolher um local com horizonte livre: áreas altas, praias ou campos abertos tendem a oferecer melhor visão do oeste, sem prédios ou árvores bloqueando os planetas mais baixos.
- Reduzir a poluição luminosa: afastar-se de grandes centros urbanos aumenta a quantidade de estrelas visíveis e melhora o contraste dos planetas contra o fundo do céu.
- Chegar antes do pôr do sol: estar no local com antecedência permite identificar o ponto onde o Sol se põe e acompanhar gradualmente o surgimento dos astros.
Vênus será, provavelmente, o primeiro a ser notado, por ser um dos objetos mais brilhantes do céu noturno, seguido por Júpiter, que também se destaca com facilidade. Mercúrio, mais próximo do horizonte, exigirá atenção, pois tende a permanecer visível por pouco tempo. Saturno surgirá mais discreto, porém ainda visível a olho nu. Para Urano e Netuno, o uso de binóculos ou telescópios simples poderá ser determinante para localizá-los.
Mercúrio, Vênus, Júpiter e Saturno: como diferenciar cada planeta?
No alinhamento de seis planetas, a identificação correta de cada astro é um dos pontos mais interessantes para quem observa o céu. Embora todos pareçam “estrelas” brilhantes, alguns detalhes tornam possível distinguir um planeta de uma estrela comum. Um deles é o brilho mais estável: enquanto muitas estrelas piscam levemente por causa da atmosfera terrestre, os planetas tendem a apresentar luz mais contínua.
Entre os planetas mais visíveis, algumas características ajudam na distinção:
- Vênus: normalmente é o mais brilhante de todos, com coloração esbranquiçada intensa. Costuma ser chamado de “estrela d’alva” ou “estrela vespertina”, dependendo do horário em que aparece.
- Júpiter: aparece como um ponto muito luminoso, porém menos intenso que Vênus. Em telescópios simples, é possível ver até quatro de suas maiores luas alinhadas ao redor.
- Saturno: um pouco menos brilhante que Júpiter, com tom levemente amarelado. Pequenos telescópios já permitem notar o famoso sistema de anéis, embora de forma delicada.
- Mercúrio: fica bem próximo do horizonte, com brilho moderado, podendo ser confundido com uma estrela comum se não for observado no período logo após o pôr do sol.
Urano e Netuno, por sua vez, aparecem bem mais apagados e, em céus urbanos, podem até passar despercebidos. Em céus escuros, Urano surge como um ponto de tom levemente esverdeado-azulado, enquanto Netuno tende a ser ainda mais fraco e azulado, praticamente restrito a quem utiliza instrumentos ópticos.
O que o alinhamento planetário ensina sobre o Sistema Solar?
Eventos como o alinhamento de seis planetas ajudam a visualizar, de forma concreta, a ideia de que todos os planetas orbitam o Sol em planos semelhantes. Quando vários deles se alinham na mesma faixa do céu, fica mais claro que a Terra está inserida nesse conjunto, observando os outros mundos a partir de um ponto específico de sua órbita.
Essa configuração também oferece uma oportunidade para escolas, grupos de astronomia e observatórios públicos organizarem atividades educativas. Em uma única noite, é possível comentar sobre a distância de cada planeta ao Sol, seus períodos orbitais e diferenças de composição, como os planetas rochosos (Mercúrio e Vênus) em comparação com os gigantes gasosos (Júpiter e Saturno) e os gelados (Urano e Netuno).
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Ao reunir seis planetas em um mesmo cenário, o céu de 28 de fevereiro de 2026 permite que qualquer observador interessado tenha uma visão mais ampla da arquitetura do Sistema Solar. Com planejamento, atenção ao horário e um céu relativamente limpo, o fenômeno tende a se transformar em uma experiência marcante de observação, registrando um momento em que vários mundos, separados por enormes distâncias, parecem se aproximar na mesma direção do horizonte oeste.