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Por que o peixe pulmonado consegue sobreviver fora da água?

Entre as espécies de água doce, o peixe pulmonado chama atenção pela capacidade de suportar longos períodos fora da água. Esse animal mantém funções vitais mesmo quando o ambiente seca quase por completo. Assim, tornou-se um dos exemplos mais citados quando o assunto envolve adaptação extrema. O peixe pulmonado respira ar atmosférico e suporta meses […]

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Entre as espécies de água doce, o peixe pulmonado chama atenção pela capacidade de suportar longos períodos fora da água. Esse animal mantém funções vitais mesmo quando o ambiente seca quase por completo. Assim, tornou-se um dos exemplos mais citados quando o assunto envolve adaptação extrema.

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O peixe pulmonado respira ar atmosférico e suporta meses enterrado na lama úmida. Por isso, muitas pessoas se perguntam como esse organismo sobrevive nessas condições. Além disso, surgem dúvidas sobre onde ele vive e se entra na alimentação humana.

Peixe pulmonado – depositphotos.com / Morphart

O que é o peixe pulmonado e onde ele vive?

O peixe pulmonado pertence a um grupo antigo de peixes ósseos. Cientistas o consideram um “fóssil vivo”, porque muitas características lembram formas primitivas. Ele apresenta corpo alongado, nadadeiras finas e uma mistura de traços de peixe e de animal terrestre.

Existem espécies de peixe pulmonado em três regiões principais. Uma vive na América do Sul, nas bacias amazônica e do Prata. Outras ocorrem na África, em rios sazonais que secam com frequência. Há ainda espécies na Austrália, ligadas a sistemas de rios interiores. Em comum, esses ambientes sofrem com períodos de cheia e de seca marcados.

Durante a estação chuvosa, o peixe pulmonado nada em lagos, brejos e canais. Quando a água baixa, ele enfrenta poças rasas e temperaturas altas. Nesse cenário, muitas espécies de peixes morrem. No entanto, o peixe pulmonado adota estratégias para atravessar a fase crítica.

Por que o peixe pulmonado consegue sobreviver fora da água?

O segredo do peixe pulmonado está na forma de respirar. Ele possui brânquias, mas também apresenta um órgão semelhante a pulmão. Assim, ele retira oxigênio diretamente do ar. Em superfícies com pouca água, o animal sobe, engole ar e o direciona ao pulmão.

Quando a seca se intensifica, o peixe pulmonado entra na lama ainda úmida. Em seguida, cava um tipo de cova e se posiciona dentro dela. O corpo produz um muco espesso que endurece e forma uma cápsula protetora. Apenas uma pequena abertura permanece exposta, garantindo a entrada de ar.

Nesse período, o metabolismo diminui de forma acentuada. O peixe reduz movimentos, gasta pouca energia e utiliza reservas internas. Esse estado lembra uma hibernação. Assim, o animal sobrevive semanas ou até meses com mínima atividade. Quando as chuvas voltam, a água invade a toca. A cápsula se rompe e o peixe retoma a rotina aquática.

Além disso, o peixe pulmonado suporta variações de oxigênio dissolvido. Em poças quentes, o gás se torna escasso. Outros peixes sofrem asfixia, porém o pulmonado sobe à superfície e respira ar. Essa flexibilidade respiratória garante vantagem em habitats instáveis.

Peixe pulmonado – depositphotos.com / white_night

Onde o peixe pulmonado é encontrado com mais frequência?

Na América do Sul, o peixe pulmonado aparece em áreas alagáveis da Amazônia e do Pantanal. Ele ocupa lagoas marginais, várzeas e igarapés com fundo lodoso. Durante a cheia, dispersa-se pelos campos inundados e aproveita abundância de alimento.

Na África, espécies de peixe pulmonado habitam regiões com clima marcado por secas severas. Elas vivem em rios temporários, que enchem rapidamente e, depois, desaparecem. Nesses locais, o animal passa boa parte do ano enterrado. Assim, aguarda o retorno das chuvas.

Na Austrália, o peixe pulmonado prefere rios mais permanentes, com água durante todo o ano. Ainda assim, enfrenta períodos de menor volume hídrico. Nesses ambientes, o pulmão funciona como uma garantia extra. Ele ajuda a suportar quedas no nível de oxigênio.

Ele é comestível? Como ocorre o consumo?

Comunidades ribeirinhas consomem o peixe pulmonado em algumas regiões. Em partes da Amazônia, moradores capturam o animal em açudes e áreas alagadas. O peixe entra na alimentação local, assado ou cozido, conforme costumes regionais. Em alguns pontos da África, também há registro de consumo tradicional.

Por outro lado, o peixe pulmonado não integra mercados de grande escala. Ele não aparece com frequência em feiras centrais ou redes de supermercados. Pesquisadores avaliam a espécie sobretudo pelo valor científico e ecológico. Eles estudam a anatomia, a fisiologia respiratória e a história evolutiva.

Em muitas áreas, leis ambientais restringem a captura. Esses animais ocupam nichos específicos e apresentam distribuição limitada. Assim, órgãos ambientais recomendam manejo cuidadoso. Em vários países, o foco recai na conservação, e não na exploração comercial.

Quais curiosidades ajudam a entender esse peixe?

Ele oferece pistas sobre a passagem dos vertebrados para o ambiente terrestre. Estruturas de seus pulmões lembram adaptações vistas em ancestrais de anfíbios. Portanto, pesquisadores utilizam o grupo como modelo em estudos evolutivos.

Algumas espécies podem viver muitos anos em condições controladas. Em cativeiro, registros mostram indivíduos com décadas de vida. Esse dado reforça o interesse de aquários públicos. Eles exibem o peixe em tanques educativos e destacam o ciclo de seca e cheia.

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  • Respiração dupla, com brânquias e pulmão funcional.
  • Capacidade de formar cápsula de muco na lama.
  • Metabolismo reduzido durante longos períodos secos.
  • Ocorrência em América do Sul, África e Austrália.
  • Consumo restrito a comunidades locais em algumas regiões.

Dessa forma, o peixe pulmonado ilustra como a vida aquática responde a ambientes extremos. A combinação de respiração aérea, resistência à seca e hábitos escavadores garante a sobrevivência. Ao mesmo tempo, a espécie reforça a importância da preservação de áreas úmidas e de ciclos naturais de cheias.

Peixe pulmonado – depositphotos.com / Morphart

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