Carnaval

Príncipe Custódio: a ancestralidade africana que brilha na Sapucaí em 2026

O enredo da Portela para o Carnaval de 2026 apresenta uma viagem pelos Pampas gaúchos e pela memória afro-brasileira do Sul do país. Saiba mais!

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O enredo da Portela para o Carnaval de 2026 apresenta uma viagem pelos Pampas gaúchos e pela memória afro-brasileira do Sul do país. Afinal, a história gira em torno do Negrinho do Pastoreio, figura do imaginário popular, e de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe africano ligado à formação do Batuque no estado do Rio Grande do Sul. Dessa forma, a narrativa propõe ressaltar um Rio Grande africano, em que religiosidade, resistência e cultura negra ocuparão o sambódromo da Marquês de Sapucaí.

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O desfile da escola azul e branca está previsto para acontecer entre 0h55 e 1h15 do primeiro dia de competição, integrando a programação oficial do Grupo Especial. Com o enredo “O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, a Portela busca destacar trajetórias apagadas da história oficial. Assim, quer aproximar lenda, culto aos orixás e movimentos de organização comunitária. Nesse cenário, o Negrinho surge como mensageiro de memória, e Bará, como guardião dos caminhos.

O desfile da Portela está previsto para acontecer entre 0h55 e 1h15 do primeiro dia de competição, integrando a programação oficial do Grupo Especial – depositphotos.com / brunomartins246

Qual é o enredo “O mistério do príncipe do Bará” da Portela 2026?

A narrativa do enredo começa na escuridão, com uma vela acesa simbolizando a lembrança em meio ao esquecimento. Assim, o Negrinho do Pastoreio cavalga pelos campos dos Pampas, conduzindo luz para quem perdeu algo e indicando trilhas onde antes havia apenas silêncio. Sua função é reconstituir histórias e devolver visibilidade ao que foi silenciado, inclusive as heranças africanas enterradas na paisagem do Sul.

Durante uma de suas andanças, o Negrinho encontra uma coroa marcada por dor, realeza e luta negra. Assim, ele a conduz até Bará, orixá das encruzilhadas, responsável por começos, caminhos e recomeços. A partir desse encontro, surge a revelação sobre um príncipe vindo do antigo reino do Benin. Trata-se de Custódio Joaquim de Almeida, também chamado Osuanlele Okizi Erupê. Dessa forma, a travessia forçada da África ao Brasil, passando pela Bahia e pelo Rio de Janeiro até chegar ao Rio Grande do Sul, marca a base da história contada pela agremiação.

Portela 2026: como o príncipe do Bará se conecta ao Rio Grande africano?

No enredo da Portela 2026, apresenta-se a figura de Custódio como líder de resistência e referência espiritual. Já em território gaúcho, ele se torna um ponto de apoio para a população negra recém-liberta. Afinal, oferece cura, aconselhamento e organização comunitária. Sua casa, segundo a narrativa, funcionava como espaço de encontro, onde a fé ajudava a recompor laços rompidos pela violência da escravidão. Nesse ambiente, os tambores e rituais promoviam pertencimento e continuidade cultural.

O samba-enredo destaca esse papel ao citar “macumba de Custódio no romper da madrugada”, remetendo a práticas religiosas que atravessam a noite. Nos terreiros, nos cruzeiros de Bará, no Mercado e na Igreja do Rosário, o legado do príncipe do Bará permanece associado a procissões, festas e ao tambor de sopapo, instrumento característico da cultura negra do Sul. A Portela utiliza essas referências para mostrar um Rio Grande do Sul que se reconhece como terra negra em sua essência.

Como o enredo da Portela apresenta o Batuque e o “Rio Grande africano”?

O enredo “O mistério do príncipe do Bará” enfatiza também a formação do Batuque, religião de matriz africana com forte expressão no Rio Grande do Sul. A história contada pela escola descreve a articulação de diferentes nações africanas: Oyó, Jeje, Nagô, Cambinda, Ijexá, entre outras. Todas se encontram sob um mesmo tambor, compartilhando memórias, ritmos e cosmologias trazidas da diáspora. A partir dessa união, surge o Batuque como religião do Sul, ligada à resistência, ao axé e à negritude.

Bará, orixá dos caminhos, surge como figura central nesse processo. Ele é apresentado como guardião de encruzilhadas, responsável por abrir passagens e reorganizar destinos. Na narrativa portelense, Bará revela ao Negrinho que a coroa encontrada não é apenas um símbolo do passado, mas uma semente. A ideia do “príncipe do Bará” se expande para crianças e jovens negros que mantêm acesa a chama da memória, acendendo velas e preservando tradições religiosas e culturais em meio ao cotidiano urbano.

  • Negrinho do Pastoreio: mensageiro que resgata memórias e devolve o que foi perdido.
  • Bará: orixá das encruzilhadas, associado a decisões, caminhos e recomposições.
  • Custódio Joaquim de Almeida: príncipe africano ligado à organização do Batuque no Sul.
  • Batuque: religião afro-gaúcha formada pela união de diversas nações africanas.
No enredo da Portela 2026, apresenta-se a figura de Custódio como líder de resistência e referência espiritual – depositphotos.com / brunomartins246

Quais elementos a Portela destaca no samba e no desfile?

O samba-enredo da Portela 2026 traz expressões em iorubá, referências a Bará e menções diretas ao Rio Grande africano. Termos como “Ae Oni Bará” e “Babá Lodé” reforçam a conexão com os orixás, enquanto o verso “o Pampa é terra negra em sua essência” sublinha o foco na negritude gaúcha. A letra cita ainda o toque de tambor, o xirê, a crença no Mercado e os ritos do Rosário, compondo um mosaico de religiosidade afro-brasileira entrelaçada ao catolicismo popular.

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A sinopse divulgada também apresenta a Portela como “próprio trono de Zumbi”, associando a escola a uma coroa simbólica erguida pelo samba. A ficha técnica indica a equipe responsável pelo desfile: o carnavalesco André Rodrigues, a direção de carnaval de Júnior Schall, Higor Machado e Claudinho Portela, além do intérprete Zé Paulo Sierra, da bateria comandada por Vitinho e da rainha de bateria Bianca Monteiro. Fundada em 11 de abril de 1923, com as tradicionais cores azul e branco, a Portela leva para 2026 um enredo que pretende reforçar a presença negra no Sul e estabelecer um diálogo entre passado, presente e futuro sob o céu aberto do Rio Grande.

  1. Resgate da figura do Negrinho do Pastoreio como guardião de memórias.
  2. Apresentação do príncipe do Bará e da trajetória de Custódio, do Benin ao Rio Grande do Sul.
  3. Valorização do Batuque e das nações africanas que formam o “Rio Grande africano”.
  4. Integração entre samba, religiosidade e resistência negra na narrativa da Portela 2026.

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