De fintech a banco: o que muda com a nova licença do Nubank
Descubra o que transformou o Nubank de fintech em banco e saiba onde o Nubank terá agência física no Brasil e no exterior
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O Nubank começou como fintech e, em pouco mais de uma década, passou a atuar de fato como banco. Essa mudança não ocorreu de forma repentina. Ela resultou de uma combinação de crescimento acelerado, exigências regulatórias e da estratégia de ampliar o portfólio de produtos financeiros. Hoje, a instituição já disputa espaço direto com grandes bancos tradicionais e precisa seguir regras semelhantes às deles.
Nos primeiros anos, o Nubank concentrou esforços em um único produto: o cartão de crédito sem anuidade, totalmente gerenciado pelo aplicativo. Com o tempo, a empresa adicionou conta digital, funções de débito, empréstimos, investimentos e serviços para empresas. Cada novo passo aproximou a operação do modelo de um banco completo, embora a empresa ainda se apresentasse ao público como fintech.
O que levou o Nubank a deixar de ser apenas uma fintech?
A transformação do Nubank em banco teve relação direta com a expansão da base de clientes e da oferta de serviços. A instituição começou a administrar volumes maiores de depósitos, crédito e investimentos. Assim, o Banco Central passou a enquadrar a operação em categorias regulatórias mais próximas das de um banco. A empresa, então, adaptou sua estrutura societária e de capital para atender às exigências prudenciais e de governança.
Outro fator decisivo envolveu a necessidade de diversificar receitas. Uma fintech focada em cartão de crédito depende, sobretudo, de juros e tarifas ligadas ao rotativo e ao parcelado. Já um banco pode ganhar com contas remuneradas, operações de câmbio, crédito consignado, seguros, investimentos e outros produtos. Dessa forma, o Nubank ampliou as fontes de faturamento e reduziu a dependência de um único produto.
Por que o Nubank decidiu operar como banco regulado?
Ao se tornar banco, o Nubank passou a acessar estruturas importantes do sistema financeiro. Entre elas, destacam-se o uso mais amplo de contas de depósito, acesso a linhas no mercado interbancário e possibilidade de oferecer um pacote mais completo ao cliente. Esse movimento também reforçou a confiança do público, já que a instituição passou a seguir regras semelhantes às de bancos tradicionais, com supervisão intensa do Banco Central.
A regulação bancária também permite operações complexas em outros países. O Nubank já atua no México e na Colômbia e planeja uma expansão global mais agressiva. Para isso, precisa mostrar escala, lucro recorrente e aderência às normas internacionais de capital. A transição de fintech para banco fortaleceu esse discurso junto a reguladores estrangeiros e investidores institucionais.
Se é banco, onde ficam as agências do Nubank?
A principal dúvida sobre o “banco Nubank” envolve a ausência de agência física tradicional. Muita gente associa a palavra banco a prédios com fachada, gerentes de conta e caixas presenciais. No caso do Nubank, a agência assume um formato diferente. A instituição opera com agência digital, ou seja, concentra todo o atendimento em canais remotos.
Na prática, o aplicativo funciona como o ponto central de relacionamento. O cliente abre conta, pede cartão, contrata empréstimos, investe e fala com o atendimento sem ir a um endereço físico. Telefones oficiais, chat 24 horas e canais de ajuda complementam essa estrutura. Assim, o banco reduz custos de operação e direciona os recursos para tecnologia, segurança e novos produtos.
Agência física ainda faz sentido para um banco digital?
O modelo de agência do Nubank não segue o padrão dos bancos tradicionais. Mesmo assim, a instituição mantém presença física estratégica em alguns contextos. Escritórios em São Paulo, Cidade do México, Bogotá, Estados Unidos e outros locais concentram equipes de tecnologia, produtos, risco e atendimento especializado. Esses espaços, porém, não atendem o público como uma agência voltada a operações de balcão.
O atendimento ao cliente acontece de forma distribuída. Em vez de fila no caixa, o banco estimula o uso de canais como:
- Aplicativo, para transações do dia a dia e suporte direto;
- Chat integrado, com suporte humano e ferramentas de inteligência artificial;
- Telefone oficial, para situações mais sensíveis ou urgentes;
- Parcerias físicas específicas, como redes de caixas eletrônicos e estabelecimentos conveniados para saques e depósitos.
Nos mercados internacionais, o Nubank também adotou um formato híbrido. No México, por exemplo, clientes realizam depósitos e saques em redes de varejo parceiras, que funcionam como pontos de serviço físicos. Nesses casos, o comércio parceiro representa o papel de agência operacional, enquanto o controle de conta permanece 100% digital.
Como o Nubank se estrutura como banco sem abrir agências tradicionais?
O funcionamento como banco digital exige uma infraestrutura robusta, mesmo sem agências abertas ao público. O Nubank investe em centros de desenvolvimento de software, equipes de risco de crédito, compliance e segurança. Essas áreas tratam de limites de empréstimo, monitoramento de transações suspeitas, prevenção à fraude e atendimento a exigências regulatórias.
Além disso, o banco mantém convênios com redes de caixas eletrônicos para saques e, em alguns países, com redes de lojas para depósitos e outros serviços. Dessa forma, o cliente encontra serviços de “agência” espalhados por diferentes pontos da cidade, mas sem um prédio próprio do Nubank com esse rótulo. O aplicativo centraliza a experiência, enquanto a infraestrutura física fica distribuída em parceiros.
Quais são os principais efeitos dessa mudança para o cliente?
A passagem de fintech para banco trouxe alguns impactos práticos. Entre eles:
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- Maior oferta de produtos, como consignado, investimentos e soluções de pagamento;
- Fortalecimento da proteção ao cliente, com cobertura do FGC em determinados produtos;
- Monitoramento regulatório mais rigoroso por parte do Banco Central;
- Possibilidade de expansão internacional com serviços bancários completos.
Para o público, o Nubank permanece sem agência tradicional, mas agora integra o grupo de grandes bancos regulados. A instituição aposta em tecnologia, atendimento remoto e parcerias físicas pontuais. Com isso, busca manter a proposta de banco digital, ao mesmo tempo em que assume, formalmente, o papel de banco no sistema financeiro.