Mundo

Por que a Turquia perdeu 180 lagos?

A perda de lagos na Turquia ao longo das últimas décadas chama a atenção de pesquisadores, ambientalistas e autoridades.

Publicidade
Carregando...

A perda de lagos na Turquia ao longo das últimas décadas chama a atenção de pesquisadores, ambientalistas e autoridades. Estimativas recentes indicam que cerca de 180 lagos e corpos d’água menores desapareceram ou ficaram severamente reduzidos em extensão. Esse fenômeno não se liga a um único fator, mas a um conjunto de mudanças climáticas, decisões políticas, práticas agrícolas intensivas e uso desordenado dos recursos hídricos. Além disso, ele reflete uma tendência mais ampla observada em diversas regiões semiáridas do planeta.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Para compreender por que tantos lagos secaram, é preciso observar como o clima da região se torna mais seco. Em primeiro lugar, períodos prolongados de estiagem se tornam mais frequentes, ao mesmo tempo em que a demanda por água cresce na agricultura, nas cidades e na indústria. Em várias áreas, o equilíbrio natural entre chuva, rios e lençóis freáticos se rompeu e, como consequência, a capacidade de recarga dos lagos diminuiu drasticamente. Como resultado direto, lagoas, pântanos e até grandes lagos ficaram vulneráveis à redução contínua do nível da água.

Por que a Turquia perdeu 180 lagos ao longo dos últimos anos?

Especialistas apontam como causa central da perda de lagos na Turquia a combinação entre mudanças climáticas e manejo inadequado dos recursos hídricos. Em termos climáticos, o aumento das temperaturas médias, observado de forma consistente desde o final do século XX, acelera a evaporação da água dos lagos e dos solos. Ao mesmo tempo, a distribuição das chuvas se tornou mais irregular. Em várias regiões, chove menos e, quando chove, muitas vezes a água cai em eventos intensos e concentrados. Esses eventos extremos, porém, não conseguem recarregar de forma estável os reservatórios naturais, pois a água escoa rapidamente pela superfície.

Além do clima, a expansão da agricultura irrigada exerce papel decisivo. Em diversas planícies agrícolas, produtores utilizam poços profundos e captações superficiais para alimentar sistemas de irrigação de grande escala. Desse modo, esse uso contínuo retira dos lençóis freáticos e rios a água que, em condições naturais, alimentaria lagos e áreas úmidas. Em alguns casos, projetos de barragens e canais desviaram cursos d’água que antes desaguavam em lagos. Assim, esses projetos reduziram ainda mais a reposição hídrica e, por conseguinte, aceleraram a retração das áreas alagadas.

Principais fatores que aceleram o desaparecimento dos lagos

Ao analisar as causas da desaparição de lagos turcos, pesquisadores costumam destacar um conjunto de fatores interligados. Entre os mais citados, aparecem mudanças no clima regional, práticas agrícolas intensivas e transformações no uso do solo ao redor desses ambientes aquáticos. Além disso, políticas públicas pouco integradas ampliam os impactos e, frequentemente, dificultam respostas coordenadas de conservação.

  • Mudanças climáticas: aumento da temperatura média, redução da umidade do ar e alternância entre secas prolongadas e chuvas torrenciais. Consequentemente, os ciclos hidrológicos locais se tornam menos previsíveis.
  • Agricultura irrigada: uso intensivo de água para cultivos de alto consumo, muitas vezes sem técnicas modernas de irrigação eficiente. Por isso, grande parte da água se perde por evaporação e infiltração inadequada.
  • Poços profundos: extração constante de água subterrânea, rebaixando o lençol freático e interrompendo a alimentação natural de lagos e pântanos. Em longo prazo, esse processo pode levar ao colapso de aquíferos locais.
  • Barragens e desvios de rios: retenção de água para geração de energia e abastecimento urbano, alterando o fluxo que chegaria aos lagos. Em consequência, alguns lagos passam a depender quase exclusivamente de chuvas irregulares.
  • Urbanização e obras de infraestrutura: impermeabilização do solo e canalização de rios, o que dificulta a infiltração da água da chuva. Além disso, essas obras muitas vezes ocupam áreas de várzea que antes funcionavam como zonas naturais de recarga.

Em várias regiões, esses fatores se somam e criam um quadro ainda mais grave. Um lago que enfrenta menos chuvas, mais calor e tem seus afluentes represados ou desviados passa a depender exclusivamente da água armazenada. Com o tempo, o nível baixa, a área espelhada diminui e parte do leito fica exposta. Desse modo, o processo de desertificação local avança rapidamente e, por fim, compromete também atividades econômicas que dependem diretamente da água.

Quais são as consequências ambientais da perda de lagos na Turquia?

O desaparecimento de cerca de 180 lagos na Turquia impacta diretamente ecossistemas, agricultura e comunidades locais. Do ponto de vista ambiental, essas áreas aquáticas funcionavam como refúgio para aves migratórias, peixes, anfíbios e inúmeras espécies de plantas. Assim, a redução da lâmina d’água provoca perda de habitat, diminui a biodiversidade e pode levar ao colapso de cadeias alimentares inteiras.

Outro efeito relevante envolve a alteração do microclima. Lagos e zonas úmidas ajudam a regular a temperatura local e a umidade do ar. Sem essa “almofada” de água, algumas regiões ficam mais quentes e secas, criando um ciclo que favorece ainda mais a evaporação e a degradação do solo. Em áreas agrícolas, a perda de lagos também significa menor disponibilidade de água para irrigação. Como resultado, safras sofrem riscos e produtores rurais podem perder renda. Paralelamente, comunidades que dependiam da pesca e do turismo ligados aos lagos veem suas fontes de subsistência se reduzir.

  • Redução da biodiversidade aquática e terrestre associada às margens dos lagos.
  • Aumento da erosão dos solos e maior risco de tempestades de poeira.
  • Pressão sobre outras fontes de água, como rios e aquíferos subterrâneos.
  • Transformações nas rotas de aves migratórias que cruzam o país.

Quais medidas podem frear a perda de lagos turcos?

Diante desse cenário, diferentes estratégias surgem para conter a perda de lagos na Turquia e recuperar parte dos ecossistemas afetados. Especialistas costumam destacar a necessidade de integrar políticas de água, agricultura e conservação ambiental, em vez de tratar cada tema de forma isolada. Além disso, governos locais e comunidades precisam cooperar de forma constante, compartilhando dados, experiências e responsabilidades.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

  1. Gestão mais eficiente da irrigação: adoção de sistemas por gotejamento, monitoramento de umidade do solo e escolha de culturas menos dependentes de água. Ademais, programas de capacitação técnica podem apoiar agricultores na transição para práticas mais sustentáveis.
  2. Proteção de áreas úmidas: criação de zonas de proteção ao redor de lagos remanescentes, limitando construções e atividades que comprometam a recarga hídrica. Ao mesmo tempo, instrumentos legais e incentivos econômicos podem estimular a conservação voluntária por proprietários rurais.
  3. Revisão de barragens e desvios: reavaliação de projetos para garantir vazões ecológicas mínimas que continuem chegando aos lagos. Dessa forma, busca-se conciliar geração de energia, abastecimento humano e manutenção dos ecossistemas.
  4. Monitoramento climático e hídrico: ampliação de redes de medição de chuva, nível de água e qualidade dos ecossistemas. Com isso, é possível planejar melhor o uso da água, antecipar períodos críticos de seca e ajustar políticas públicas de forma mais rápida.
  5. Planejamento urbano e rural: incentivo à infiltração da água da chuva e à recuperação de matas ao redor de cursos d’água. Paralelamente, planos diretores podem restringir a ocupação de áreas sensíveis e promover soluções baseadas na natureza, como parques lineares e zonas de amortecimento.

Além dessas medidas, programas de restauração ecológica ganham espaço no debate. Essas iniciativas incluem reflorestamento de margens, controle de uso do solo e, em alguns casos, recarga artificial de aquíferos. Ainda que a recuperação completa de todos os lagos perdidos pareça improvável, o debate atual indica novas possibilidades. Autoridades e comunidades podem, portanto, preservar os lagos que restam e evitar que o número de corpos d’água desaparecidos continue crescendo nos próximos anos, contribuindo, ao mesmo tempo, para a adaptação às mudanças climáticas em escala regional.

Turquia_depositphotos.com / AlexShadyuk

Tópicos relacionados:

curiosidades mundo

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay