Comportamento

O segredo da simplicidade: por que muitos ricos evitam ostentar

O segredo da simplicidade: por que muitos ricos evitam ostentar

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Boa parte do imaginário popular associa riqueza extrema a carros esportivos, joias chamativas e marcas de luxo em evidência. No entanto, a realidade mostra outro cenário. Diversos bilionários conhecidos preferem roupas simples, rotinas discretas e um estilo de vida aparentemente comum. Essa escolha não se relaciona à falta de recursos. Em vez disso, ela expressa estratégias de segurança, uma cultura própria da riqueza consolidada e prioridades que muitas vezes fogem do consumo visível.

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Ao observar figuras como Warren Buffett, Mark Zuckerberg ou Amancio Ortega, o uso recorrente de peças básicas, repetidas e pouco chamativas salta aos olhos. Esse comportamento não ocorre por acaso. Ele reflete uma forma específica de relação com o dinheiro, com o poder e com a própria imagem pública. Essa postura difere bastante da conduta de quem acaba de ascender financeiramente e busca provar o novo status por meio da ostentação.

dólar – depositphotos.com / Feverpitch

Segurança e discrição: por que a ostentação pode ser um risco?

Quem acumula grandes fortunas costuma enxergar a exposição exagerada de riqueza como um potencial problema de segurança. Itens de grife, carros muito caros e joias evidentes funcionam como sinalizadores de patrimônio. Assim, criminosos identificam alvos com mais facilidade para roubos, sequestros ou golpes. Por essa razão, muitos bilionários adotam um visual neutro, com roupas comuns, relógios discretos e hábitos de consumo menos visíveis no dia a dia.

Além disso, essas pessoas se preocupam muito com a privacidade da família. Quando o padrão de consumo permanece menos chamativo, filhos e cônjuges circulam com menor risco de identificação como herdeiros de grandes fortunas. Essa postura também reduz a curiosidade em torno de endereços, rotinas e destinos de viagem. Em ambientes urbanos, uma aparência comum permite que esses indivíduos se misturem à multidão. Assim, eles diminuem a atenção de curiosos e de potenciais criminosos.

Esse padrão não significa ausência de conforto ou de segurança privada. Em vez disso, ele representa uma escolha deliberada de não usar a moda de luxo como símbolo explícito de riqueza. Em muitos casos, a proteção aparece em sistemas, equipes e protocolos, e não na exibição de status em público. Além disso, muitos ricos preferem investir em tecnologia de segurança, planejamento de riscos e assessoria jurídica. Dessa forma, eles reduzem ainda mais a exposição pessoal.

Como a cultura da riqueza influencia o jeito de se vestir dos bilionários?

cultura da riqueza de longa data costuma valorizar mais a discrição e a estabilidade do que a aparência. Indivíduos que constroem patrimônio ao longo de décadas tendem a associar riqueza à liberdade de tempo e à capacidade de dizer “não” a pressões externas. Além disso, eles valorizam a possibilidade de investir em projetos de longo prazo e a preservação do capital para as próximas gerações. Esse grupo não coloca a exibição de consumo imediato no centro da vida.

Em muitos círculos empresariais, roupas simples e repetidas funcionam quase como um uniforme informal. Executivos e fundadores de grandes empresas costumam priorizar funcionalidade e conforto. Vários bilionários mantêm um guarda-roupa enxuto, com poucas variações de cor e modelo. Dessa forma, eles reduzem o tempo gasto escolhendo o que vestir. Esse padrão também transmite uma mensagem interna. O foco recai no trabalho, na inovação e nos resultados, e não na marca da roupa.

Exemplos frequentes ilustram esse comportamento. Mark Zuckerberg aparece com camisetas cinzas e moletons básicos. Steve Jobs marcou época com o clássico combo de gola alta preta, jeans e tênis. Já Warren Buffett costuma surgir de terno simples, sem adereços extravagantes. Em comum, todos projetam a ideia de consistência e de foco em objetivos maiores que o consumo de luxo aparente. Além disso, essa constância visual cria uma espécie de marca pessoal simples, porém facilmente reconhecível.

Qual é o papel da psicologia do poder nessa simplicidade?

A psicologia do poder também ajuda a explicar por que tantos bilionários adotam um estilo de vida menos ostentatório. Pessoas com poder consolidado sentem menor necessidade de provar status por meio de signos externos. Quando o reconhecimento já vem de resultados, influência ou posição, roupas de grife deixam de servir como instrumento essencial de validação social.

Do ponto de vista psicológico, a ostentação aparece com mais frequência em fases de afirmação de identidade e de busca de pertencimento a determinados grupos. Entre bilionários com trajetória longa, surge uma tendência de enxergar a própria imagem como um recurso estratégico. Quanto menos previsível ou chamativa essa imagem se apresenta, maior a liberdade para se movimentar sem tantos rótulos. A simplicidade, nesse caso, funciona quase como uma proteção simbólica e emocional.

Além disso, muitos desses indivíduos encaram a rotina como um conjunto de decisões estratégicas diárias. Por isso, eles buscam reduzir escolhas supérfluas, como a preocupação excessiva com roupas, cores e combinações. Essa simplificação libera energia mental para temas considerados mais relevantes, como investimentos, gestão de empresas ou apoio a projetos sociais. Em alguns casos, psicólogos e coaches de alta performance até recomendam esse tipo de economia de decisão. Assim, o foco cognitivo permanece nos problemas que realmente importam.

Prioridades pessoais: em que muitos bilionários preferem gastar?

A forma como cada pessoa gasta dinheiro revela prioridades. Entre grandes fortunas consolidadas, muitos preferem direcionar recursos para ativos e projetos de longo prazo, em vez de consumo ostensivo. Em particular, diversos bilionários concentram recursos em áreas específicas. Eles costumam direcionar recursos para:

  • Investimentos em empresas, imóveis, tecnologia e diversificação global de patrimônio;
  • Filantropia e fundações voltadas para educação, saúde, meio ambiente e redução da pobreza;
  • Pesquisa e inovação, como exploração espacial, inteligência artificial ou soluções de energia limpa;
  • Experiências menos visíveis, como viagens reservadas, estudos no exterior ou atividades com a família.

Nesse contexto, roupas de luxo e objetos de grife podem aparecer em determinados momentos, porém não ocupam posição central na identidade dessas pessoas. A prioridade costuma se relacionar a legado, impacto e continuidade do patrimônio. Por isso, o peso simbólico da ostentação tradicional diminui bastante. Em vez de focar apenas no prazer imediato, muitos bilionários pensam em gerações futuras, reputação e contribuições duradouras para a sociedade.

O contraste com os novos-ricos e a lógica da ostentação

Em contraposição, o comportamento de muitos novos-ricos segue lógica diferente. Quem ascende rapidamente de uma realidade de escassez ou classe média para um padrão alto de renda tende a enxergar marcas de luxo como prova visível de conquista. Carros chamativos, relógios caros e roupas com logotipos destacados funcionam como um idioma social para comunicar sucesso.

Esse padrão aparece com frequência em setores como entretenimento, esporte e influenciadores digitais, onde a exposição pública faz parte do trabalho. Nessas áreas, a ostentação também atua como ferramenta de marketing pessoal. Mostrar consumo de alto padrão reforça a imagem de vitória financeira, atrai atenção e, em alguns casos, gera novos negócios e parcerias. Além disso, o público muitas vezes espera esse tipo de exibição, o que alimenta ainda mais o ciclo.

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A diferença central recai no significado que o dinheiro assume para cada grupo. Para muitos novos-ricos, o consumo aparente simboliza a chegada a um novo patamar social. Já para diversos bilionários com trajetória mais longa, a simplicidade externa expressa a ideia de que a verdadeira segurança se concentra no que ninguém vê. Patrimônios diversificados, influência institucional e projetos duradouros formam essa base invisível. Assim, enquanto um grupo encontra na ostentação uma forma de afirmar identidade, o outro enxerga na discrição um meio de preservar poder, segurança e liberdade. Desse contraste, surge um lembrete importante: a relação com o dinheiro reflete valores profundos, e não apenas a capacidade de consumo.

dinheiro – depositphotos.com / VadimVasenin

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