Qual país paga o maior e o menor salário mínimo na Europa – e como os impostos incidem
Descubra qual país paga o maior e o menor salário mínimo na Europa, a carga de impostos e como isso afeta seu poder de compra
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Entre os países da União Europeia, as diferenças de salário mínimo chamam atenção tanto pelo valor pago quanto pela carga de impostos incidente sobre a remuneração. Em 2025, o país com o maior salário mínimo nacional é Luxemburgo, enquanto o menor piso salarial está na Bulgária, considerando apenas países que adotam salário mínimo nacional definido por lei. Além do valor bruto, a tributação e as contribuições sociais influenciam diretamente o quanto o trabalhador efetivamente recebe.
Para entender esses números, é importante observar três pontos: o valor bruto previsto em lei, os descontos de impostos e contribuições, e o custo de vida local. Em muitos casos, o salário mínimo elevado vem acompanhado de carga tributária significativa, mas também de serviços públicos e políticas sociais que retornam à população. Já em países com salário mínimo mais baixo, a tributação costuma ser reduzida, porém o poder de compra também é menor.
Salário mínimo em Luxemburgo: o mais alto da União Europeia
Luxemburgo possui o maior salário mínimo da Europa entre os países com piso nacional. Em 2025, o salário mínimo bruto para trabalhadores não qualificados gira em torno de 2.570 euros mensais (aproximadamente R$ 14.000, considerando câmbio médio de 1 euro = R$ 5,45), pago em 12 parcelas anuais. Para trabalhadores considerados qualificados, o valor é cerca de 20% maior, chegando a aproximadamente 3.080 euros (em torno de R$ 16.800).
Sobre esse salário mínimo em Luxemburgo, incidem contribuições para a seguridade social e o imposto de renda. As contribuições sociais do trabalhador normalmente variam em torno de 12% a 13% do salário bruto, englobando aposentadoria, seguro de saúde e outras coberturas obrigatórias. Além disso, o imposto de renda é progressivo, começando em 0% para as faixas mais baixas e podendo chegar a mais de 40% em rendas mais altas, embora quem recebe apenas o salário mínimo fique, em geral, nas faixas iniciais da tabela.
Na prática, o salário mínimo líquido em Luxemburgo tende a ficar entre 75% e 80% do valor bruto, dependendo da situação familiar, do número de dependentes e das deduções permitidas em cada caso. Isso significa que um trabalhador com salário mínimo pode receber algo em torno de 1.950 a 2.050 euros (entre R$ 10.600 e R$ 11.200) após descontos. Ainda assim, esse piso continua sendo um dos mais altos do mundo quando comparado em valores nominais.
Qual país da Europa paga o menor salário mínimo?
Na outra ponta, a Bulgária é o país da União Europeia com o menor salário mínimo nacional. Em 2025, o piso salarial búlgaro está em aproximadamente 400 euros mensais (cerca de R$ 2.180), também geralmente pago em 12 parcelas anuais. Apesar do valor bem inferior ao luxemburguês, esse montante precisa ser analisado em conjunto com o custo de vida local, que é consideravelmente mais baixo do que na Europa Ocidental.
Quanto à carga tributária sobre o salário mínimo na Bulgária, o sistema é mais simples. Existe um imposto de renda de taxa única (flat tax) em torno de 10% sobre a renda, aplicado a praticamente todas as faixas salariais, incluindo quem recebe o piso. Além disso, incidem contribuições sociais que, somadas, costumam ficar entre 13% e 14% para o trabalhador, cobrindo aposentadoria, saúde e outros benefícios obrigatórios.
Com isso, um empregado que ganha o salário mínimo búlgaro tem uma renda líquida que pode ficar próxima de 75% do valor bruto, o que significa algo em torno de 300 euros mensais (aproximadamente R$ 1.635). Embora o poder de compra local seja diferente, o contraste com Luxemburgo permanece grande quando se observam os valores em moeda comum ou em reais.
Como funciona a incidência de impostos sobre o salário mínimo no continente?
A forma de tributação varia bastante entre os países europeus. De maneira geral, os descontos podem ser divididos em dois grandes grupos: imposto de renda e contribuições sociais. A combinação desses elementos define o quanto o trabalhador efetivamente recebe no fim do mês.
- Imposto de renda progressivo: em países como Luxemburgo, França ou Alemanha, as alíquotas aumentam conforme a renda sobe. Quem está no salário mínimo pode ter isenções parciais ou totais, dependendo da legislação vigente.
- Imposto de taxa única: é o caso da Bulgária, onde a mesma alíquota é aplicada a praticamente todos os rendimentos, simplificando o sistema, mas reduzindo a progressividade.
- Contribuições sociais: geralmente são destinadas à previdência, saúde pública, seguro-desemprego e outros benefícios. Em muitos países, a soma das contribuições do trabalhador e do empregador supera 30% do salário bruto.
Para facilitar a comparação entre Luxemburgo e Bulgária, é possível resumir os principais pontos:
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- Luxemburgo: salário mínimo bruto de cerca de 2.570 euros (R$ 14.000); contribuições sociais do trabalhador em torno de 12% a 13%; imposto de renda progressivo, com possível alíquota baixa ou isenção parcial para quem recebe o piso; salário líquido aproximado entre 1.950 e 2.050 euros (R$ 10.600 a R$ 11.200), dependendo do perfil do contribuinte.
- Bulgária: salário mínimo bruto de cerca de 400 euros (R$ 2.180); imposto de renda com taxa única de aproximadamente 10%; contribuições sociais do trabalhador perto de 13% a 14%; salário líquido ao redor de 300 euros (R$ 1.635), variando conforme detalhes das contribuições.
Esses números mostram que, mesmo dentro de um mesmo bloco econômico, como a União Europeia, as diferenças entre o maior e o menor salário mínimo são amplas, tanto em valores absolutos quanto na forma de tributação. A análise conjunta de salário bruto, impostos, contribuições sociais e custo de vida é o caminho mais usado por economistas e órgãos oficiais para avaliar o impacto real dessas políticas na renda dos trabalhadores.