Carnaval SP 2026: conheça os enredos das escolas do Grupo Especial
Os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo em 2026 devem transformar o Sambódromo do Anhembi em um grande painel de memória, religiosidade, política e cultura popular. Conheça os enredos que estarão na avenida.
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Os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo em 2026 devem transformar o Sambódromo do Anhembi em um grande painel de memória, religiosidade, política e cultura popular. Em dois dias de apresentações, marcados para 13 e 14 de fevereiro, as agremiações de elite apostam em temas que dialogam com debates atuais do país. Ao mesmo tempo, revisitam personagens históricos, lutas sociais e tradições afro-brasileiras. Assim, a disputa promete ser equilibrada, com a presença de campeãs recentes, estreantes na divisão principal e escolas que retornam após passagens pelo Grupo de Acesso.
No centro desse cenário está o desafio de unir entretenimento e reflexão. Dessa forma, as escolas buscam enredos capazes de emocionar o público nas arquibancadas e, ao mesmo tempo, atender às exigências técnicas do julgamento. A construção de cada desfile envolve longos meses de pesquisa, criação artística, definição de sambas-enredo e intensa mobilização das comunidades. Neste ano, a diversidade temática ganha ainda mais destaque. Portanto, isso reforça como o Carnaval paulistano se consolidou como um espaço de narrativa e disputa simbólica.
Carnaval 2026 em SP: o que revela a escolha dos enredos?
A variedade de temas escolhidos pelas escolas do Grupo Especial para o Carnaval 2026 mostra um recorte significativo da sociedade brasileira. Afinal, há enredos sobre reforma agrária, como o projeto da Acadêmicos do Tatuapé; narrativas que exaltam a força das mulheres negras, como a Mocidade Unida da Mooca e o Império de Casa Verde. Além disso, há homenagens a personalidades como Chico Xavier e Léa Garcia. Por fim, a presença de enredos dedicados a orixás, cidades estrangeiras e à história do cinema brasileiro amplia o leque de referências culturais que irão desfilar no Anhembi.
Esse recorte também evidencia a forte presença da ancestralidade africana e indígena nas sinopses. Orixás como Oxum e Exu, sociedades femininas africanas, escravas de ganho e povos originários aparecem como protagonistas em diferentes escolas. Ao mesmo tempo, temas ligados à espiritualidade e ao misticismo, como a astrologia e o espiritismo, reforçam o interesse do Carnaval em tratar de dimensões subjetivas da sociedade. Porém, sem deixar de lado críticas sociais e debates sobre território, justiça e memória.
Quais são os principais enredos do Carnaval de São Paulo 2026?
Entre os destaques do Carnaval de São Paulo 2026, a atual campeã Rosas de Ouro aposta na astrologia com o enredo “Escrito nas Estrelas”. Assim, a escola pretende abordar a relação da humanidade com o cosmos desde a formação do universo até a influência dos signos no cotidiano. Já a Acadêmicos do Tatuapé escolheu um tema de forte teor social, discutindo a reforma agrária e a desigualdade no acesso à terra. Dessa forma, trata-se de um enredo que articula produção de alimentos, organização do campo e direitos históricos.
Outras escolas também direcionam seus desfiles para a memória e a representatividade. A Mocidade Unida da Mooca estreia no Grupo Especial reverenciando o Instituto Geledés e a potência das mulheres negras brasileiras. Por sua vez, a Dragões da Real volta seus holofotes para as Icamiabas, guerreiras da Amazônia ligadas a lendas indígenas e à preservação da floresta. Já a Gaviões da Fiel traz um enredo sobre a luta dos povos indígenas e a defesa da vida e da natureza. Dessa forma, a escola insere um discurso explicitamente voltado para a resistência e a continuidade desses povos.
- Mocidade Unida da Mooca: Instituto Geledés e o poder do feminino negro.
- Colorado do Brás: resgate das bruxas como senhoras do saber, da ancestralidade e da liberdade.
- Dragões da Real: lendas amazônicas e as Icamiabas como protetoras da floresta.
- Acadêmicos do Tatuapé: debate sobre terra, produção de alimentos e justiça social.
- Rosas de Ouro: jornada pela história da astrologia e sua presença na humanidade.
Religião, ancestralidade e memória negra no centro da avenida
Uma marca forte do Carnaval 2026 em São Paulo é a presença da ancestralidade negra em vários enredos. A Barroca Zona Sul dedica seu desfile a Oxum, orixá das águas doces, da fertilidade e da riqueza, repetindo a fórmula de homenagens a entidades do candomblé que rendeu boa repercussão no ano anterior. Por sua vez, a Camisa Verde e Branco trabalha a energia de Exu, tratando seus caminhos, a relação com o povo de rua e a construção dos cultos no Brasil, com o objetivo de explicar e desmistificar essa figura muitas vezes alvo de preconceito.
No campo da memória histórica, o Império de Casa Verde volta seu olhar às escravas de ganho, mulheres negras escravizadas que atuavam nas ruas como vendedoras e comerciantes, buscando com o próprio trabalho a compra da liberdade. Assim, a trajetória dessas personagens será contada a partir da figura de Dona Fulô, em um enredo que associa joias, balangandãs e resistência econômica. Já a Mocidade Alegre centra sua narrativa na atriz Léa Garcia, destacando sua carreira no teatro, cinema e televisão e sua importância para a representatividade negra nas artes brasileiras.
Como os enredos equilibram política, arte e entretenimento?
Além das temáticas religiosas e históricas, algumas escolas apostam em recortes que misturam cultura de massa, urbanização e espiritualidade. O Vai-Vai homenageia a cidade de São Bernardo do Campo e a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, destacando o desenvolvimento industrial, o mundo do trabalho e o papel do cinema na construção de imagens sobre o país. A Águia de Ouro leva para a avenida a cidade de Amsterdã, buscando paralelos entre brasileiros e holandeses, enquanto a Tom Maior une a biografia do médium Chico Xavier à cidade de Uberaba, importante polo do espiritismo no Brasil.
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Há ainda espaço para exaltar o próprio universo do samba. A Estrela do Terceiro Milênio escolhe o compositor Paulo César Pinheiro como fio condutor de um desfile que celebra a criação musical e presta tributo a compositores de samba em geral. Com isso, o conjunto de enredos do Carnaval de São Paulo 2026 reúne temas políticos, espirituais, históricos e culturais, construindo uma espécie de retrato ampliado do país. A expectativa é que os desfiles reforcem o papel do Carnaval como manifestação artística complexa, em que alegorias, fantasias, canto e dança se cruzam para contar histórias que seguem em diálogo com o presente.
- Valorização da memória negra e indígena em diferentes escolas.
- Debates sociais, como reforma agrária, território e trabalho.
- Homenagens a personalidades da arte, da espiritualidade e da música.
- Exploração de cidades e contextos estrangeiros em conexão com o Brasil.
- Fortalecimento do Carnaval de São Paulo como palco de narrativas diversas.