Carnaval

Segredos e curiosidades das máscaras do Carnaval de Veneza

Ao caminhar pelas ruas estreitas de Veneza durante o Carnaval, um elemento chama atenção de qualquer visitante: as máscaras. Saiba segredos e curiosidades desse tradicional adereço.

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Ao caminhar pelas ruas estreitas de Veneza durante o Carnaval, um elemento chama atenção de qualquer visitante: as máscaras. Coloridas, discretas, luxuosas ou minimalistas, elas se tornaram um símbolo da cidade e atraem turistas de várias partes do mundo. A tradição das máscaras de Carnaval de Veneza mistura história, artesanato e regras sociais que foram se transformando ao longo dos séculos. No entanto, até hoje elas marcam presença em bailes, desfiles e até vitrines de lojas especializadas.

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O uso de máscaras em Veneza não surgiu apenas como um adorno festivo. Afinal, durante muito tempo, elas foram parte de um código social que permitia ao cidadão circular pela cidade com a identidade parcialmente oculta. Em um ambiente mercantil e politicamente complexo, cobrir o rosto facilitava encontros, negociações e hábitos cotidianos que, sem o anonimato, seriam mais controlados. Porém, com o passar dos anos, essa prática se concentrou no período do Carnaval, ganhando contornos mais artísticos e teatrais.

A origem das máscaras venezianas remonta à Idade Média, quando o Carnaval começou a se afirmar como uma festa popular, ligada tanto ao calendário religioso quanto à vida política da República de Veneza – depositphotos.com / marmamabol

História das máscaras de Carnaval de Veneza

A origem das máscaras venezianas remonta à Idade Média, quando o Carnaval começou a se afirmar como uma festa popular, ligada tanto ao calendário religioso quanto à vida política da República de Veneza. Documentos dos séculos XIII e XIV já mencionam o uso de disfarces, o que indica que havia uma consolidação da tradição. Assim, as autoridades chegaram a criar leis específicas para controlar o uso prolongado das máscaras. Em especial, nos jogos de azar, encontros amorosos e atividades clandestinas.

Entre os séculos XVII e XVIII, esse costume alcançou o auge. Afinal, a cidade vivia um período de grande circulação de riquezas e visitantes, e os bailes de máscara, que ocorriam em palácios e teatros, tornaram-se parte do calendário social. Nessa época, a figura do mascareri — o artesão especializado em máscaras — ganhou força. Oficinas familiares, muitas delas existentes até hoje, transmitiam técnicas de fabricação de geração em geração, contribuindo para a diversidade de modelos e ornamentos.

Como são feitas as máscaras de Carnaval de Veneza?

A fabricação tradicional das máscaras de Carnaval de Veneza baseia-se principalmente no uso de papel machê, técnica que permite leveza, resistência e riqueza de detalhes. Assim, o processo clássico começa com um molde, geralmente de gesso ou argila, sobre o qual aplicam-se camadas de papel e cola. Após a secagem, a peça é cuidadosamente lixada, com ajustes e preparação para receber a decoração.

Na etapa seguinte, entra em cena a parte mais visível do trabalho: a pintura e o acabamento. Assim, utilizam-se tintas específicas para garantir cores vivas e duráveis, com frequência combinadas com folha de ouro ou de prata para criar efeitos de brilho associados ao luxo da antiga nobreza veneziana. Detalhes em plumas, tecidos, rendas e pequenas pedrarias completam o visual, transformando cada máscara em um objeto próximo de uma peça de arte.

Além das versões em papel machê, alguns ateliês também produzem máscaras em cerâmica, couro ou resina, voltadas principalmente para decoração. No entanto, entre os artesãos tradicionais, a preferência ainda recai sobre o papel machê, pela facilidade de ajuste ao rosto e pela fidelidade às técnicas históricas.

Quais são os principais tipos de máscaras venezianas?

Ao longo do tempo, alguns modelos se tornaram especialmente reconhecidos. Assim, entre as máscaras mais famosas do Carnaval de Veneza, quatro tipos se destacam pela presença constante em desfiles, fotografias e coleções.

  • Bauta: cobre todo o rosto, com queixo pronunciado e linhas angulosas. Tradicionalmente é usada com um manto e um tricórnio (chapéu de três pontas). A forma da boca permite falar e beber sem retirar a máscara, o que no passado facilitava negociações e encontros anônimos.
  • Colombina: é uma meia máscara, que cobre apenas a região dos olhos e parte do nariz. Inspirada na personagem Colombina da commedia dell’arte, costuma ser ricamente decorada com plumas, bordados e aplicações metálicas, sendo muito comum entre turistas e frequentadores de bailes.
  • Moretta: de formato oval, tradicionalmente preta, é associada às mulheres da aristocracia. Curiosamente, as versões históricas da moretta eram mantidas no rosto por um botão interno segurado com a boca, o que fazia com que a pessoa mascarada permanecesse em silêncio, reforçando um caráter misterioso.
  • Volto (ou Larva): geralmente branca, lisa e cobrindo todo o rosto, é uma das mais reconhecíveis. Simples na forma, permite variações de pintura e detalhes, adaptando-se a diferentes tipos de figurinos. Era muito usada em combinação com capas e chapéus escuros.

Esses modelos clássicos convivem hoje com releituras contemporâneas, que exploram temas variados, personagens históricos, referências ao teatro e até elementos de cultura pop, mantendo a base das formas tradicionais, mas atualizando cores e ornamentos.

Como as máscaras de Carnaval de Veneza são usadas atualmente?

No Carnaval atual, que costuma acontecer ao longo de cerca de duas semanas antes da Quaresma, as máscaras são presença constante em praças, canais e eventos fechados. Muitos visitantes alugam trajes completos, com máscaras elaboradas, para participar de bailes temáticos em palácios históricos. Outros optam por modelos mais simples, comprados diretamente em lojas de artesãos.

Além do uso festivo, as máscaras venezianas também assumiram um papel importante na economia local. Oficinas especializadas produzem peças durante todo o ano para atender turistas e colecionadores. Em muitos casos, as máscaras passam a ser decorativas, expostas em paredes, vitrines domésticas ou ambientes comerciais, ampliando seu alcance além do período do Carnaval.

Para reconhecer uma peça de fabricação artesanal, comerciantes e guias locais costumam recomendar atenção a alguns detalhes, como o acabamento interno em papel machê, pequenas irregularidades que indicam trabalho manual e a assinatura do artesão. Já as versões industriais, feitas em série e com materiais plásticos, são mais leves no preço, mas não seguem os métodos tradicionais.

No Carnaval atual, que costuma acontecer ao longo de cerca de duas semanas antes da Quaresma, as máscaras são presença constante em praças, canais e eventos fechados – depositphotos.com / BGStock72

Curiosidades e aspectos culturais das máscaras venezianas

Ao longo da história, o uso das máscaras em Veneza esteve ligado a questões de poder, gênero e classe social. Em determinados períodos, autoridades proibiram seu uso fora do Carnaval, temendo o aumento de crimes e práticas ilegais sob o anonimato. Há registros de normas específicas vetando máscaras em igrejas, em jogos de cartas e até em reuniões políticas.

Atualmente, o uso é mais regulado pelo calendário turístico do que por leis severas. Mesmo assim, a tradição se mantém carregada de simbolismo. Para muitos moradores, as máscaras representam uma memória da antiga República de Veneza, quando a cidade era um grande centro comercial do Mediterrâneo. Para visitantes, funcionam como um convite à fantasia controlada, em que o rosto coberto permite experimentar personagens e narrativas por algumas horas.

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  1. As máscaras continuam sendo tema de exposições em museus e galerias dedicados ao Carnaval.
  2. Escolas de artesanato em Veneza oferecem oficinas para quem deseja aprender a produzir sua própria máscara.
  3. Alguns ateliês mantêm catálogos com modelos inspirados em pinturas antigas e documentos históricos.
  4. Há colecionadores que viajam anualmente apenas para adquirir edições limitadas produzidas para cada Carnaval.

Dessa forma, as máscaras de Carnaval de Veneza seguem ocupando um espaço particular entre a tradição e o turismo, unindo técnica artesanal, memória histórica e a curiosidade de quem visita a cidade em busca desse símbolo marcante da cultura local.

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