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Gato ou lebre? Como surgiu a máxima que alerta contra enganos

A expressão popular “comprar gato por lebre” integra o vocabulário cotidiano no Brasil e em outros países de língua portuguesa.

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A expressão popular “comprar gato por lebre” integra o vocabulário cotidiano no Brasil e em outros países de língua portuguesa. As pessoas usam essa expressão em situações de engano ao receber um produto, serviço ou promessa diferente do que alguém anunciou. Com o tempo, o ditado deixou de se referir apenas a trocas de mercadorias. Assim, ele passou a ilustrar qualquer tipo de negócio ou acordo com engodo ou ocultação de informações relevantes.

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Embora circule com frequência em conversas informais, a máxima também aparece em reportagens, discursos políticos e debates sobre consumo. Em geral, o ditado funciona como um alerta para que a pessoa fique atenta a ofertas muito vantajosas ou contratos pouco claros. Além disso, ele chama a atenção para anúncios que pareçam exagerados. Desse modo, “comprar gato por lebre” atua como uma forma resumida de dizer que alguém sofreu um ludíbrio. A pessoa paga por algo acreditando ser de maior valor do que realmente é.

gato – depositphotos.com/AlexGukBO

O que significa exatamente “comprar gato por lebre”?

No sentido literal, “comprar gato por lebre” descreve a situação de adquirir um animal acreditando ser lebre, mas recebendo gato. Historicamente, a lebre representava uma carne mais nobre e valorizada. Já o gato, em muitos contextos, não se encaixava como alimento adequado. Em linguagem figurada, o ditado ganhou um novo alcance. Ele passou a significar o recebimento de um produto falsificado, de qualidade inferior ou completamente diferente do que alguém prometeu.

Na prática, a expressão abrange diversos cenários, desde a compra de produtos defeituosos até a contratação de serviços que não seguem o combinado. Em todos esses casos, a pessoa encontra um descompasso entre a expectativa criada e aquilo que alguém efetivamente entrega. Por isso, o ditado se consolidou como uma forma simples de denunciar fraude e propaganda enganosa. Além disso, ele aponta qualquer tipo de negócio desvantajoso. Em contextos modernos, essa ideia também inclui golpes virtuais, assinaturas escondidas em letras miúdas e planos com tarifas surpresa.

Como surgiu a expressão “comprar gato por lebre” e quem teria usado primeiro?

A origem exata de “comprar gato por lebre” ainda gera debate em áreas como etimologia e folclore. No entanto, pesquisadores não atribuem o ditado a uma pessoa específica. Pesquisas linguísticas indicam que expressões semelhantes circulam na Europa desde a Idade Média. Nessa época, feiras e mercados vendiam carne já cortada, o que facilitava a substituição de um animal por outro sem que o comprador percebesse.

Em alguns relatos, surgem histórias de comerciantes desonestos que vendiam carne de gato disfarçada como lebre ou coelho. Eles exploravam a semelhança após o corte e aproveitavam a confiança do consumidor. Ainda que alguém não comprove a frequência real dessa prática, a narrativa fortaleceu a imagem de engano deliberado no imaginário popular. Com o tempo, o ditado entrou no português e se adaptou à realidade local. Assim, ele apareceu em literatura, peças de teatro e registros orais de diferentes regiões do país.

Portanto, ninguém registrou um único autor ou um “primeiro uso” oficial da expressão. Em vez disso, ocorre um processo coletivo de criação e difusão. A máxima passou de geração em geração, com pequenas modificações ao longo do tempo. Desse modo, ela se consolidou como parte do repertório de provérbios que alertam contra negócios enganosos.

Expressões semelhantes em outros países: como o mundo fala sobre enganos?

A ideia de “comprar gato por lebre” não se limita ao português. Em outras línguas, surgem provérbios que transmitem a mesma mensagem de cautela diante de ofertas suspeitas. Um dos exemplos mais conhecidos aparece na língua inglesa com a expressão “to buy a pig in a poke”. A tradução possível é “comprar um porco em um embrulho” ou “comprar um porco sem ver”. Nesse caso, o foco recai sobre a compra de algo sem qualquer verificação do conteúdo. O comprador confia apenas na embalagem ou no que o vendedor afirma.

Já no francês, existe a expressão “acheter chat en poche”, equivalente a “comprar gato no bolso” ou “comprar um gato já escondido”. Essa construção reforça a ideia de que o verdadeiro objeto da compra permanece oculto. Assim, o ditado sugere que o comprador ocupa uma posição de desvantagem, pois não tem acesso às informações completas. Em ambos os casos, o tema central continua o mesmo. Ele destaca o risco de engano em negociações pouco transparentes.

  • Comprar gato por lebre (português): receber algo de qualidade inferior ao prometido.
  • Comprar um porco em um embrulho (inglês): adquirir sem conferir o conteúdo.
  • Comprar gato no bolso (francês): aceitar algo oculto, com possibilidade de fraude.

Por que essas expressões ainda são usadas e em que situações aparecem?

Mesmo em 2025, com comércio eletrônico em expansão, avaliações online e amplo acesso à informação, expressões como “comprar gato por lebre” continuam presentes. Essa permanência ocorre porque o problema do engano permanece atual em muitas relações de consumo. Consumidores lidam com anúncios enganosos, golpes digitais e produtos falsificados. Além disso, enfrentam promessas que não se cumprem em prazos, suporte ou qualidade.

Em coberturas jornalísticas, por exemplo, o provérbio surge com frequência em matérias sobre fraudes de consumo e contratos abusivos. A imprensa também utiliza o ditado ao tratar de problemas em serviços de turismo, imóveis ou comércio eletrônico. Em conversas do dia a dia, a expressão aparece quando alguém relata a compra de um item que não corresponde às fotos. Ela também surge quando um curso não entrega o conteúdo anunciado ou um serviço não respeita o combinado.

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  1. Ocorre uma promessa inicial que cria alta expectativa no comprador.
  2. O comprador confia na oferta sem verificar todos os detalhes relevantes.
  3. O produto ou serviço entregue mostra-se inferior ou diferente do esperado.
  4. Surge a percepção de ter “caído em um golpe” ou em um acordo desvantajoso.

Dessa forma, o ditado se mantém atual em diferentes culturas e idiomas, sempre associado à necessidade de atenção antes de fechar negócios. A recorrência de expressões como “comprar gato por lebre”, “comprar um porco em um embrulho” e “comprar gato no bolso” revela uma preocupação semelhante em vários países. Pessoas de diferentes regiões querem evitar que a falta de cuidado abra espaço para enganos, tanto nos mercados tradicionais quanto nas transações digitais. Assim, o vocabulário popular continua a desempenhar um papel educativo e preventivo nas relações de consumo.

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