Atenção usuários: mudanças no Pix começam com foco em combate a fraudes
O sistema de pagamentos instantâneos Pix passou por uma nova rodada de ajustes de segurança. Saiba quais as novidades.
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O sistema de pagamentos instantâneos Pix passou por uma nova rodada de ajustes de segurança. As mudanças que impactam diretamente quem utiliza transferências digitais no dia a dia. Afinal, as atualizações, definidas pelo Banco Central, visam reforçar o enfrentamento a golpes e fraudes. Em especial, nas situações em que o dinheiro é rapidamente pulverizado entre várias contas para dificultar o rastreamento.
As novas regras giram em torno de um ponto central: a recuperação mais ágil de valores cuja transferência ocorreu de forma indevida. Assim, o Mecanismo Especial de Devolução, o MED, teve reformulação para tornar o caminho do dinheiro mais transparente dentro do sistema financeiro. Portanto, isso significa maior capacidade de identificar para onde os recursos seguem após o primeiro recebimento e, assim, aumentar a chance de devolução à vítima.
Novas regras do Pix: o que muda na prática?
O Mecanismo Especial de Devolução passa a ser obrigatório para todas as instituições que operam com Pix, na versão mais atualizada pelo Banco Central. Na prática, bancos e instituições de pagamento precisam estar conectados a esse sistema para atender pedidos de devolução de valores em casos de fraude ou falhas operacionais internas. Assim, a intenção é criar um padrão mínimo de proteção para qualquer correntista, independentemente do banco onde mantém conta.
Outra mudança relevante está no rastreamento do dinheiro entre contas. Antes, a devolução concentrava-se na primeira conta que recebia o valor. Agora, as regras permitem acompanhar as transferências subsequentes. Inclusive quando os recursos passam por várias contas intermediárias. Portanto, esse tipo de monitoramento busca atingir práticas comuns em crimes financeiros, como o fracionamento de valores e o uso de “contas laranja”.
Como o Mecanismo Especial de Devolução fortalece a segurança do Pix?
O MED atualizado amplia o alcance das medidas de proteção e torna o fluxo de contestação mais estruturado. Afinal, ao ser acionado, o mecanismo passa a permitir o bloqueio automático de contas suspeitas, de forma quase imediata, antes mesmo do encerramento completo da análise. Portanto, isso ajuda a impedir novos pagamentos e reduz a circulação de recursos obtidos de maneira irregular.
Outro ponto importante é a redução do prazo para devolução. A estimativa do Banco Central é de que, nas situações em que confirma-se a fraude, o dinheiro possa haver recuperação em até 11 dias após a contestação. Assim, esse tempo é menor que o praticado anteriormente e tende a favorecer a recuperação de valores ainda em trânsito. Especialistas do setor avaliam que, com esse conjunto de mudanças, a quantidade de golpes considerados bem-sucedidos pode cair de forma significativa.
O reforço da integração entre instituições financeiras e órgãos de segurança também é parte central das novas regras do Pix. Afinal, passa a haver maior compartilhamento de informações sobre o caminho que o dinheiro percorreu, do envio à destinação final. Essa troca de dados facilita a identificação de padrões suspeitos, o bloqueio de valores e o encaminhamento de informações para autoridades competentes, quando necessário.
Quais cuidados o correntista deve ter em caso de golpe com Pix?
As regras de segurança do Pix foram desenhadas para funcionar em conjunto com a atuação rápida do correntista. Por isso, em caso de suspeita de golpe, a orientação é que a contestação seja feita sem demora. O fluxo de atendimento segue uma sequência padrão entre os bancos, com etapas bem definidas para análise dos fatos e eventual devolução dos valores.
De forma geral, o procedimento em caso de fraude com Pix inclui:
- Registro da contestação pelos canais oficiais do banco, com dados da transação questionada;
- Comunicação, pela instituição de origem, à instituição que recebeu os recursos, em prazo curto;
- Bloqueio dos valores na conta suspeita, evitando novas movimentações sobre aquele montante;
- Análise conjunta das instituições envolvidas, com verificação de indícios de fraude;
- Devolução dos recursos ao correntista lesado, se confirmada a irregularidade;
- Liberação do dinheiro ao recebedor, caso não sejam encontrados sinais de golpe.
Um ponto importante é que o MED não foi criado para corrigir erros de digitação de chave ou escolha equivocada de destinatário pelo usuário. Nesses casos, o processo depende mais da negociação direta com quem recebeu o valor, já que o Banco Central limita o uso do mecanismo a situações de fraude, suspeita de fraude ou erro operacional das próprias instituições financeiras.
Como o autoatendimento ajuda na proteção do usuário?
As novas regras do Pix também priorizam o autoatendimento dentro dos aplicativos bancários. Em vez de depender de atendimento telefônico ou presencial, o correntista passa a contar com botões específicos para contestar transações e acionar o MED diretamente na plataforma digital do banco. Essa interface simplificada tende a tornar a denúncia mais acessível, principalmente em situações de estresse.
Alguns elementos do autoatendimento se destacam:
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- Botão de contestação visível no app, ligado ao MED;
- Registro estruturado da reclamação, com coleta de informações essenciais sobre a transação;
- Acompanhamento do status da análise, permitindo que o correntista veja o andamento do pedido;
- Integração interna entre centrais de segurança, sem necessidade de repetição de dados a cada contato.
Ao tornarem o fluxo de contestação mais simples e objetivo, as instituições buscam estimular que qualquer movimentação suspeita seja comunicada com rapidez. Somado às possibilidades de rastreamento ampliado, bloqueio preventivo de contas e devolução em prazo mais curto, o conjunto das novas regras do Pix reforça o papel do sistema como meio de pagamento instantâneo com camadas adicionais de segurança para quem realiza ou recebe transferências.