Astronomia

Por que Plutão deixou de ser planeta e passou a ser planeta anão?

Em 2006, Plutão deixou de ser classificado como planeta principal do Sistema Solar e passou a ser considerado um planeta anão.

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Em 2006, Plutão deixou de ser classificado como planeta principal do Sistema Solar e passou a ser considerado um planeta anão. A mudança não ocorreu por uma alteração em Plutão em si, mas pela forma como a comunidade científica definiu o que é, de fato, um planeta. Desde então, o tema gera curiosidade em escolas, debates públicos e entre pessoas interessadas em astronomia básica.

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A União Astronômica Internacional (UAI), responsável pela nomeação oficial de corpos celestes, redefiniu a classificação de Plutão em 2006. Antes disso, desde sua descoberta em 1930, professores e livros apresentavam Plutão como o nono planeta. Com o avanço das observações e o surgimento de novos objetos semelhantes na região mais distante do Sistema Solar, muitos astrônomos perceberam a necessidade de criar critérios mais claros. Assim, eles passaram a separar planetas, planetas anões e outros tipos de astros com mais precisão.

plutão – depositphotos.com / claudiocaridi.libero.it2

Por que Plutão deixou de ser planeta em 2006?

A principal razão para Plutão perder o status de planeta surgiu com o estabelecimento de uma definição formal de planeta pela UAI, em 2006. Até então, a comunidade astronômica não seguia um conjunto oficial de requisitos amplamente aceito. Com o aumento das descobertas na região chamada Cinturão de Kuiper, onde Plutão se localiza, telescópios registraram diversos objetos de tamanho parecido ou até maior, como Éris. Diante disso, os cientistas enfrentaram um impasse: ou a lista de planetas cresceria bastante ou eles precisariam rever os critérios.

Segundo a definição adotada em 2006, um corpo precisa atender a três condições para se classificar como planeta no Sistema Solar. Ele deve orbitar o Sol, ter massa suficiente para adquirir forma aproximadamente esférica por equilíbrio gravitacional e “limpar a vizinhança” de sua órbita. Isso significa dominar gravitacionalmente a região em que se move. Plutão cumpre os dois primeiros pontos, mas não o terceiro, já que compartilha sua órbita com diversos outros corpos gelados no Cinturão de Kuiper.

Essa terceira condição determinou a mudança de categoria. Plutão possui órbita inclinada e alongada em comparação com os planetas clássicos e não domina gravitacionalmente o espaço ao seu redor. Desse modo, o objeto passou a integrar uma nova categoria que a UAI criou na mesma assembleia: a dos planetas anões. Nessa classe, os astrônomos também incluem astros como Éris, Haumea, Makemake e Ceres.

Qual a diferença entre planeta e planeta anão?

A diferença entre planeta e planeta anão se relaciona essencialmente ao tamanho relativo, ao comportamento orbital e ao critério de dominância gravitacional. Ambos orbitam o Sol e possuem formato quase esférico. Contudo, apenas o planeta, pela definição atual, removeu ou capturou a maior parte dos objetos que cruzam sua órbita, tornando-se o corpo principal daquela região.

Já o planeta anão, como Plutão, não apresenta massa suficiente para “limpar a vizinhança”. Isso significa que, na mesma zona orbital, outros corpos de porte significativo compartilham o espaço. Na prática, muitos pesquisadores consideram o planeta anão uma espécie de meio-termo entre um planeta tradicional e um pequeno corpo, como um asteroide ou objeto transnetuniano. Ainda assim, essa categoria possui características próprias, relevantes para o estudo da formação do Sistema Solar.

Em termos formais, a UAI estabelece que um planeta anão:

  • Orbita o Sol diretamente;
  • Possui massa suficiente para ter forma quase esférica;
  • Não limpou a vizinhança da sua órbita;
  • Não é satélite de outro corpo.

Plutão se encaixa nesses critérios, o que justifica sua classificação atual. Apesar disso, ele continua como um objeto de grande interesse científico. Após a missão New Horizons, que sobrevoou o planeta anão em 2015, os pesquisadores analisaram imagens detalhadas de sua superfície, atmosfera rarefeita e luas. Além disso, novos estudos com dados dessa missão ainda revelam informações sobre sua geologia, possíveis criovulcões e a interação de sua atmosfera com o vento solar.

Como a nova classificação de Plutão afeta o entendimento do Sistema Solar?

A mudança no status de Plutão ajudou a organizar de forma mais consistente o estudo do Sistema Solar. Ao criar a categoria de planeta anão, a astronomia ganhou uma forma mais precisa de agrupar corpos que compartilham características semelhantes. Assim, os especialistas evitam colocar objetos muito diferentes na mesma classe apenas por tradição histórica.

Para o ensino e para a divulgação científica, a alteração trouxe desafios e ajustes. Muitos autores precisaram atualizar materiais didáticos para explicar por que o antigo nono planeta passou a se enquadrar como planeta anão. Em vez de simplificar o Sistema Solar, a nova classificação abriu espaço para reconhecer uma diversidade maior de objetos. Além disso, ela destacou o papel de regiões como o Cinturão de Kuiper e a Nuvem de Oort, fundamentais para entender a origem de cometas e pequenos corpos gelados.

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De forma geral, a situação de Plutão mostra como o conhecimento científico se mantém dinâmico. À medida que novas observações ocorrem e mais dados surgem, pesquisadores revisam conceitos para refletir melhor a realidade observada. Assim, Plutão permanece na história da astronomia, não apenas como ex-planeta, mas também como referência importante na discussão sobre o que define um planeta e sobre a própria evolução das ideias científicas.

plutão – depositphotos.com / sabinoparente

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