Saúde

Quando o osso do crânio pode ser guardado na barriga do paciente

A craniectomia descompressiva é um procedimento que chama atenção porque o paciente pode ficar, por um período, sem parte do osso do crânio. Veja como funciona a cirurgia pela qual passou o pai do influenciador Francisco Garcia.

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A craniectomia descompressiva é um procedimento que costuma chamar atenção justamente porque o paciente pode ficar, por um período, sem parte do osso do crânio. O caso de António Lisboa, pai do influenciador Francisco Garcia, tornou o tema mais comentado nas redes sociais. Ademais, levantou questionamentos sobre como funciona essa cirurgia e por que um fragmento ósseo pode ser guardado dentro da barriga do próprio paciente.

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Na prática, trata-se de uma intervenção a que se recorre em situações de alta gravidade, geralmente em emergência. Afinal, é quando o cérebro está sob intensa pressão e corre risco de sofrer danos irreversíveis. Por isso, a retirada temporária de um pedaço do crânio cria espaço para que o cérebro inche sem ser comprimido pelo osso, diminuindo a chance de sequelas neurológicas severas ou até de morte.

O caso de António Lisboa, pai do influenciador Francisco Garcia, tornou o tema mais comentado nas redes sociais – Reprodução/Instagram

O que é craniectomia descompressiva?

A craniectomia descompressiva é uma cirurgia em que o neurocirurgião remove uma porção do osso do crânio para aliviar a pressão intracraniana. Esse aumento de pressão pode acontecer após um trauma na cabeça, um acidente vascular cerebral hemorrágico, infecções graves ou outras condições que causem inchaço cerebral intenso. Por isso, quando medicamentos e outros recursos não são suficientes para controlar essa pressão, a craniectomia é uma saída.

Ao retirar o fragmento ósseo, a equipe médica permite que o cérebro “expanda” para fora dos limites rígidos do crânio. Dessa forma, o tecido nervoso fica menos comprimido, o fluxo de sangue tende a ser melhor preservado e o risco de morte celular em áreas cerebrais importantes diminui. Por ser uma medida de contenção em situação crítica, ela costuma ser indicada após avaliação minuciosa e discussão entre diferentes especialistas.

É comum que, após a craniectomia descompressiva, o paciente permaneça na UTI por um período. Isso para ficar em monitorização contínua da pressão intracraniana, da função neurológica e de parâmetros vitais. Assim, o objetivo é estabilizar o quadro, tratar a causa do inchaço cerebral e preparar o terreno para uma futura cirurgia de reconstrução do crânio.

Por que a craniectomia descompressiva é necessária em alguns casos?

A palavra-chave nesse contexto é descompressão cerebral. O interior do crânio é um espaço rígido e limitado, onde cérebro, sangue e líquido cefalorraquidiano convivem em equilíbrio. Por isso, quando ocorre um sangramento, um traumatismo craniano, um edema intenso ou um tumor que cresce rapidamente, esse equilíbrio se rompe. Assim, a pressão sobre o tecido cerebral aumenta e pode comprometer funções vitais, como respiração e batimentos cardíacos.

Nessas circunstâncias, a craniectomia descompressiva aparece como alternativa para:

  • Reduzir a pressão intracraniana quando medicamentos não são suficientes;
  • Preservar o fluxo de sangue para regiões delicadas do cérebro;
  • Diminuir o risco de herniação cerebral, situação em que partes do cérebro são empurradas de forma anormal dentro do crânio;
  • Aumentar as chances de sobrevida em quadros neurológicos graves.

Nem todo paciente com traumatismo ou derrame precisa desse tipo de cirurgia. Portanto, a indicação depende de fatores como idade, extensão da lesão, resposta aos tratamentos clínicos e condições de saúde prévias. Por isso, a craniectomia descompressiva é um recurso específico, que se reserva a situações em que o benefício potencial supera os riscos envolvidos.

Por que o osso do crânio é guardado na barriga do paciente?

Um dos pontos que mais chama atenção no procedimento é o destino do fragmento ósseo retirado. Em muitos casos, os médicos guardam esse pedaço do crânio dentro do abdômen do próprio paciente. Assim, a técnica consiste em criar um pequeno “bolso” na parede abdominal, onde insere-se o osso, que é mantido por um período determinado, até que seja possível recolocá-lo na cabeça em uma nova cirurgia, chamada de cranioplastia.

Essa estratégia tem alguns objetivos principais:

  1. Preservar a viabilidade do osso: ao ficar em contato com tecidos vivos e irrigados por sangue, o fragmento ósseo tende a ser melhor conservado;
  2. Reduzir risco de infecção: em vez de armazenar o osso em soluções externas ou em freezers especiais, mantê-lo no corpo diminui a exposição a agentes ambientais;
  3. Facilitar a futura reconstrução: usar o próprio osso do paciente, quando possível, costuma proporcionar melhor encaixe e compatibilidade;
  4. Evitar rejeição: por ser um tecido do próprio organismo, o risco de reação imunológica é menor do que com materiais sintéticos.

Essa técnica de armazenamento abdominal não é a única disponível. Em alguns centros, o fragmento craniano pode ser mantido em bancos de ossos ou substituído posteriormente por próteses de materiais como titânio ou polímeros específicos. Assim, a escolha do método leva em conta recursos disponíveis, condição clínica e protocolos de cada serviço.

A craniectomia descompressiva é uma cirurgia em que o neurocirurgião remove uma porção do osso do crânio para aliviar a pressão intracraniana – depositphotos.com / HayDmitriy

Como é feita a cranioplastia depois da craniectomia descompressiva?

Quando o edema cerebral diminui e o quadro do paciente se estabiliza, a equipe médica avalia o momento adequado para recolocar o osso, etapa conhecida como cranioplastia. Assim, esse procedimento pode ocorrer após algumas semanas ou meses, variando de acordo com a evolução do cérebro e com a segurança do ato cirúrgico. Dessa forma, o objetivo é restaurar a forma e a proteção natural do crânio.

No caso em que o fragmento foi guardado na barriga, ele é retirado cuidadosamente do abdômen para reposicioná-lo no crânio, sendo fixado com placas, parafusos ou sistemas específicos de ancoragem. No entanto, quando não é possível utilizar o osso original, uma prótese personalizada pode ser confeccionada para cobrir a área aberta. Assim, essa etapa também contribui para a recomposição estética e para a proteção mecânica do cérebro no dia a dia.

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A recuperação após a cranioplastia varia conforme a condição neurológica de base, o tempo entre as cirurgias e a presença de outras doenças. Mesmo assim, o entendimento sobre a craniectomia descompressiva e sobre o motivo de se guardar o osso na barriga ajuda a explicar casos como o de António Lisboa e a mostrar que, apesar de causar estranhamento, trata-se de uma estratégia médica planejada para aumentar as chances de sobrevivência e de preservação da função cerebral.

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