Saúde

Atrofia vaginal: tratamentos, cuidados e quando considerar cirurgia

A atrofia vaginal, ou síndrome geniturinária da menopausa, é uma alteração comum em mulheres após a queda dos níveis de estrogênio. Saiba os tratamentos, cuidados e quando considerar cirurgia.

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A atrofia vaginal, ou síndrome geniturinária da menopausa, é uma alteração comum em mulheres após a queda dos níveis de estrogênio. Em especial, no climatério e na menopausa. A condição provoca ressecamento, coceira, dor na relação sexual e, em alguns casos, infecções urinárias recorrentes. Diante disso, o tratamento varia de acordo com a intensidade dos sintomas, histórico de saúde e preferência da paciente. Ele vai desde medidas simples em casa até terapias hormonais e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos.

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Em estágios iniciais, muitas mulheres conseguem melhora apenas com medidas não hormonais, como uso de hidratantes vaginais e lubrificantes durante a relação sexual. Porém, quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, o ginecologista costuma discutir outras estratégias. Entre elas, hormônios de uso local ou sistêmico e terapias complementares. Por sua vez, a cirurgia não é o tratamento padrão da atrofia vaginal, mas pode haver indicação quando há complicações associadas, como prolapsos importantes ou alterações anatômicas que não respondem ao tratamento clínico.

A atrofia vaginal ocorre quando a mucosa da vagina fica mais fina, menos elástica e com menor lubrificação por causa da redução do estrogênio – depositphotos.com / JoPanuwatD

O que é a atrofia vaginal e por que ela acontece?

A atrofia vaginal ocorre quando a mucosa da vagina fica mais fina, menos elástica e com menor lubrificação por causa da redução do estrogênio. Afinal, esse hormônio é responsável por manter o tecido vaginal espesso, bem irrigado e com pH equilibrado. Assim, com a queda hormonal, típica da menopausa natural ou induzida (como após retirada de ovários, quimioterapia ou radioterapia pélvica), o tecido passa a ficar mais frágil e suscetível a microfissuras.

Entre os sintomas mais comuns estão sensação de secura, ardor, desconforto ou dor durante a relação sexual, sangramento leve após o contato íntimo, coceira e sensação de queimação. Algumas mulheres também relatam urgência para urinar, aumento da frequência urinária e infecções de repetição. Porém, nem todas apresentam todos os sintomas, e a intensidade varia bastante, o que influencia diretamente na escolha do tratamento para a atrofia vaginal.

Quais são os tratamentos para a atrofia vaginal?

O tratamento para a atrofia vaginal é individualizado e costuma ser introduzido de forma gradual, começando por opções menos invasivas. De maneira geral, as principais abordagens são divididas em não hormonais, hormonais e tecnologias complementares.

1. Tratamentos não hormonais

  • Hidratantes vaginais: produtos aplicados regularmente na região interna, que ajudam a restaurar a umidade e a elasticidade. Podem ser usados algumas vezes por semana, mesmo sem relação sexual.
  • Lubrificantes íntimos: indicados principalmente no momento da relação sexual, reduzindo atrito e dor. Existem à base de água, silicone e óleo; a escolha depende de orientação profissional e preferência da paciente.
  • Cuidados diários: evitar sabonetes agressivos, duchas internas e roupas muito apertadas; priorizar higiene com produtos neutros e roupas íntimas de algodão.

2. Terapia hormonal local

Quando os sintomas de atrofia vaginal são mais intensos ou não melhoram apenas com hidratantes e lubrificantes, a terapia hormonal local pode ser considerada. Ela costuma envolver:

  • Cremes vaginais com estrogênio: aplicados diretamente na mucosa, em geral em doses baixas, com esquema de uso diário no início e depois manutenção algumas vezes na semana.
  • Óvulos ou comprimidos vaginais: liberam pequenas quantidades de hormônio localmente, com menor absorção sistêmica.
  • Anéis vaginais com estrogênio: dispositivos flexíveis colocados dentro da vagina por algumas semanas, liberando hormônio de forma contínua.

Nessas formas de terapia local para atrofia vaginal, a dose de estrogênio costuma ser baixa, o que reduz o impacto no restante do organismo. Mesmo assim, o uso deve ser sempre orientado por ginecologista, especialmente em mulheres com histórico de câncer de mama, trombose ou outras condições sensíveis a hormônios.

3. Terapia hormonal sistêmica

Algumas mulheres, além da atrofia vaginal, apresentam fogachos intensos, alterações de sono e mudanças de humor ligadas à menopausa. Nesses casos, o médico pode avaliar a reposição hormonal sistêmica (por comprimidos, géis ou adesivos) para aliviar vários sintomas ao mesmo tempo. Essa estratégia também costuma melhorar a secura vaginal, mas não substitui, em muitos casos, o cuidado local direto.

4. Tecnologias e terapias complementares

  • Laser vaginal ou radiofrequência: técnicas que estimulam a produção de colágeno e melhoram a irrigação local. São feitas em sessões ambulatoriais, com recuperação rápida. Não substituem o tratamento hormonal quando ele é indicado, mas podem ser opção para quem não pode ou não deseja usar hormônios.
  • Fisioterapia pélvica: exercícios para fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, que podem colaborar com o conforto durante a relação sexual e com a função urinária.
Entre os sintomas mais comuns da atrofia vaginal estão sensação de secura, ardor, desconforto ou dor durante a relação sexual, sangramento leve após o contato íntimo, coceira e sensação de queimação – depositphotos.com / VGeorgiev
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Quando a cirurgia é necessária na atrofia vaginal?

A cirurgia não é um tratamento de primeira linha para a atrofia vaginal. Porém, ela costuma entrar em avaliação quando a mulher apresenta alterações estruturais, como prolapsos importantes dos órgãos pélvicos (queda de bexiga, útero ou reto para dentro da vagina) ou estreitamento acentuado do canal vaginal que impeça o exame ginecológico ou a relação sexual mesmo após terapias clínicas adequadas.

Algumas situações em que a intervenção cirúrgica pode ser opção incluem:

  1. Prolapso genital avançado: queda acentuada de bexiga ou útero, provocando sensação de “bola” na vagina, dificuldade para urinar ou evacuar e desconforto constante.
  2. Estreitamento severo da vagina (estenose): quando o canal vaginal fica muito reduzido, impedindo a penetração, o exame físico ou procedimentos médicos necessários.
  3. Cicatrizes ou aderências: decorrentes de cirurgias prévias, radioterapia ou lesões, que não melhoram com cremes hormonais, dilatadores e fisioterapia.

Antes de chegar à indicação cirúrgica, o tratamento para atrofia vaginal costuma incluir uso criterioso de estrogênio local, alongamento vaginal guiado (com dilatadores específicos) e acompanhamento com fisioterapia pélvica. A cirurgia, quando necessária, tem objetivos variados: corrigir o prolapso, remodelar o canal vaginal ou liberar aderências que causam dor e limitação funcional. O tipo de procedimento é definido de forma individual, de acordo com a anatomia, os sintomas e o histórico clínico.

Como escolher o melhor tratamento para a atrofia vaginal?

A escolha do tratamento para a atrofia vaginal depende da intensidade das queixas, da idade, das condições de saúde e do uso de outros medicamentos. Em geral, o ginecologista avalia:

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  • Se os sintomas são leves, moderados ou intensos.
  • Histórico de câncer de mama, trombose, doenças hepáticas ou sanguíneas.
  • Se há desejo de manter atividade sexual com penetração.
  • Presença de prolapsos, incontinência urinária ou dor pélvica associada.

Em muitos casos, uma combinação de medidas oferece melhor resultado: hidratantes e lubrificantes de uso contínuo, terapia hormonal local em baixa dose, adaptação da rotina de higiene e, quando necessário, tecnologias como laser ou fisioterapia. A cirurgia segue reservada para quadros específicos, quando a anatomia está tão alterada que o manejo clínico não traz alívio suficiente. Um acompanhamento regular com o especialista permite ajustes no tratamento ao longo do tempo, garantindo controle dos sintomas e melhor qualidade de vida.

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