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Afinal, quem inventou o perfume?

Desde os primeiros registros da civilização, o perfume acompanha a história humana como símbolo de fé, poder e status.

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Desde os primeiros registros da civilização, o perfume acompanha a história humana como símbolo de fé, poder e status. Muito antes de surgir como frasco elegante em uma vitrine, o perfume existia como fumaça sagrada, óleo espesso e resina queimada em altares. Ao longo do tempo, a trajetória dessa criação perfumada percorre templos sumérios, tumbas egípcias, banhos romanos e laboratórios modernos. Desse modo, os cheiros ajudam a contar a própria história das sociedades e, além disso, revelam como crenças, costumes e tecnologias foram se transformando.

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Ao longo dos séculos, a perfumaria deixou de representar apenas um ato religioso e também passou a integrar a higiene, a medicina e a moda. O que começou com simples misturas de plantas e resinas se transformou, gradualmente, em uma indústria global. Hoje, essa indústria se apoia em pesquisa científica, tecnologia de extração e marketing sofisticado. Portanto, a pergunta “afinal, quem inventou o perfume” não encontra resposta em um único criador. Em vez disso, o perfume surge em uma linha de tempo que atravessa diferentes povos, técnicas e costumes, conectando tradições antigas à inovação contemporânea.

perfume – depositphotos.com / EdZbarzhyvetsky

Afinal, quem inventou o perfume?

A palavra “perfume” vem do latim per fumum, que significa “pela fumaça”. Essa expressão, por sua vez, se relaciona diretamente ao hábito de queimar substâncias aromáticas em rituais. Os registros mais antigos indicam os sumérios, na Mesopotâmia, como alguns dos primeiros a produzir misturas aromáticas com finalidades religiosas. Há cerca de 4 mil anos, esses povos combinavam óleos vegetais com resinas, flores e madeiras para homenagear divindades e purificar ambientes, criando, assim, uma das primeiras formas de cultura olfativa organizada.

Não existe um inventor único, mas sim uma construção coletiva ao longo de milênios. Nesse contexto, templos sumérios exibiam vestígios de essências usadas em cerimônias e revelavam um conhecimento rudimentar de extração de aromas por maceração e aquecimento. A partir daí, outras culturas assimilaram essa prática, ampliaram o uso e aperfeiçoaram a técnica. Com isso, surgiram novas interpretações do que hoje chamamos de perfume, ou fragrância, que foram se adaptando a diferentes climas, rituais e visões de mundo.

Dos sumérios aos egípcios: quando o cheiro se tornou sagrado

Os sumérios abriram caminho. Contudo, os egípcios levaram a arte do perfume a outro patamar. Além de queimarem incensos em honra aos deuses, eles desenvolveram óleos perfumados para embalsamamentos, rituais fúnebres e cuidados diários com a pele e o cabelo. O clima quente e seco, por exemplo, estimulava o uso de unguentos aromáticos para hidratar o corpo e mascarar odores, o que aproximava a função prática da dimensão espiritual.

No Egito antigo, o perfume se relacionava diretamente com o sagrado e com a ideia de preservação do corpo para a vida após a morte. Sacerdotes e artesãos combinavam substâncias como mirra, olíbano, canela e flores de lótus em receitas detalhadas, muitas registradas em papiros. Paralelamente, algumas fragrâncias alcançavam tanto prestígio que apenas a realeza ou os sacerdotes podiam usá-las. Assim, o perfume reforçava o poder político e espiritual e, ao mesmo tempo, diferenciava visual e olfativamente quem pertencia às camadas mais altas da sociedade.

  • Usos principais no Egito: rituais religiosos, embalsamamento, higiene e beleza;
  • Ingredientes comuns: resinas (mirra, olíbano), óleos vegetais, flores locais;
  • Forma de uso: óleos espessos, pomadas e incensos.

Como gregos e romanos transformaram o perfume em luxo e higiene

Com o contato entre culturas, o conhecimento egípcio sobre perfumes chegou ao mundo grego e, mais tarde, ao romano. Entre os gregos, o perfume ocupava espaço tanto em cerimônias religiosas quanto no cotidiano. Eles ligavam as fragrâncias à ideia de harmonia, saúde e cuidado com o corpo e, além disso, acreditavam que certos aromas podiam influenciar o humor e o equilíbrio do espírito. Poetas e filósofos mencionavam aromas em textos sobre beleza, convivência e medicina, o que demonstra a importância simbólica dessas substâncias.

Os romanos, por outro lado, ampliaram esse uso em escala urbana e criaram novos hábitos. Banhos públicos perfumados, óleos aromáticos aplicados após o banho e ambientes cheios de incenso se tornaram sinais de refinamento. Assim, o perfume passou a se associar a luxo, status social e higiene. Para diferentes ocasiões, surgiam essências específicas, como para banquetes, encontros oficiais ou rituais cívicos. Dessa forma, o hábito de usar fragrâncias se consolidou como parte da etiqueta social e, progressivamente, alcançou diferentes camadas da população urbana.

  1. Os gregos difundiram o uso cotidiano de óleos aromáticos.
  2. Os romanos popularizaram banhos e ambientes perfumados.
  3. O perfume se firmou como elemento de distinção social.

Da Idade Média à perfumaria moderna: como a arte do perfume evoluiu?

Após a Antiguidade clássica, o conhecimento sobre perfumes encontrou abrigo em regiões do mundo árabe e persa. Nesses territórios, estudos de alquimia e medicina aprimoraram técnicas como a destilação, fundamental para a extração de óleos essenciais mais puros. Nomes como Avicena aparecem com frequência em relatos históricos, pois esses estudiosos aperfeiçoaram o uso do alambique. Assim, eles separavam a essência aromática da matéria-prima vegetal com mais precisão e, consequentemente, ampliavam o repertório olfativo disponível.

Na Europa medieval, o perfume ganhou espaço em contextos religiosos e também medicinais. Monges, boticários e médicos preparavam águas aromáticas para rituais, tratamentos e proteção contra maus odores, especialmente em períodos de epidemias. Com o tempo, cidades como Veneza e Grasse, na França, se tornaram centros importantes de produção. No século XVII, as cortes europeias, em especial a francesa, transformaram o perfume em acessório indispensável entre nobres. A partir disso, o perfume influenciou hábitos de moda, comportamento e etiqueta e, pouco a pouco, passou a ser associado também à ideia de identidade pessoal.

perfumaria moderna tomou forma entre os séculos XIX e XX com o avanço da química orgânica. A descoberta de moléculas aromáticas sintéticas permitiu a criação de fragrâncias mais estáveis, complexas e acessíveis. Paralelamente, as casas de perfume passaram a desenvolver identidade própria, com assinaturas olfativas marcantes. Elas também investiram em campanhas de comunicação, frascos elaborados e pesquisas de mercado. Assim, a perfumaria aproximou ciência, design e marketing em um mesmo universo criativo e, além disso, abriu espaço para que o perfume se tornasse um produto de massa, sem perder o caráter artístico.

Ingredientes, técnicas de extração e curiosidades na história do perfume

Ao longo da história, alguns ingredientes apareceram com frequência em receitas perfumadas. Resinas como mirra e olíbano, flores como rosa, jasmim e laranjeira, além de especiarias como canela e cravo, ganharam destaque em diferentes épocas. Em certos períodos, perfumistas também incluíam substâncias de origem animal, como âmbar cinzento e civeta, em composições de prestígio. Em muitos casos, essas matérias-primas indicavam riqueza e influência e, igualmente, revelavam relações de comércio de longa distância entre regiões distantes.

As técnicas de extração também evoluíram bastante ao longo dos séculos:

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  • Macerar e ferver: método antigo em que flores e plantas permaneciam mergulhadas em óleos ou água quente;
  • Destilação a vapor: técnica desenvolvida no mundo árabe, que ainda hoje auxilia na extração de óleos essenciais;
  • Enfleurage: técnica tradicional na qual perfumistas colocavam pétalas sobre gordura para capturar o aroma;
  • Extração com solventes e CO?: métodos modernos que garantem maior pureza, rendimento e padronização.

Na perfumaria contemporânea, perfumistas combinam matérias-primas naturais e sintéticas para ampliar possibilidades olfativas. Dessa forma, eles conseguem reconstruir cheiros que nem sempre existem na natureza, como acordes que lembram couro, metal ou brisa marinha. Além disso, estudam o comportamento do consumidor e a influência das memórias olfativas para criar fragrâncias mais marcantes. O perfume, que começou como fumaça sagrada em templos sumérios, hoje ocupa prateleiras de lojas, bolsas e banheiros pelo mundo. Ainda assim, mantém a mesma função central: marcar presença, contar histórias e traduzir identidades por meio do olfato, conectando passado, presente e futuro em um simples borrifo.

perfume – depositphotos.com / OleksandrShatyrov

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