Saúde

Entre fios grisalhos e células: os segredos da relação entre cabelos brancos e câncer

Descubra por que estudo no Reino Unido indica relação entre cabelos brancos e câncer, entenda os riscos, fatores genéticos e o que fazer

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O aparecimento precoce de cabelos brancos tem sido observado em alguns estudos como possível marcador de alterações no organismo, incluindo maior risco de certas doenças. No Reino Unido, pesquisadores chamaram atenção para uma associação estatística entre cabelos grisalhos antes do tempo e maior incidência de câncer, ponto que foi relatado por veículos internacionais, entre eles a BBC. A proposta não é afirmar que os fios brancos causam tumores, mas investigar se ambos podem compartilhar mecanismos biológicos em comum.

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Esse tipo de pesquisa busca entender se sinais visíveis, como o embranquecimento capilar, podem refletir processos internos mais amplos, como envelhecimento acelerado de células, acúmulo de danos no DNA ou alterações hormonais. Segundo os cientistas envolvidos, a correlação observada serve como alerta para novas linhas de investigação, e não como diagnóstico isolado de risco oncológico. Assim, cabelos brancos precoces passam a ser estudados como um possível indicador indireto de outras condições de saúde.

O que diz o estudo sobre cabelos brancos e câncer?

O estudo realizado no Reino Unido avaliou a relação entre cabelos brancos precoces e a ocorrência de câncer em um grupo específico de participantes. Os pesquisadores analisaram dados de pessoas que apresentaram fios grisalhos em idade relativamente jovem e compararam esses registros com a incidência de diferentes tipos de tumores ao longo do tempo. A partir dessa comparação, identificaram uma associação estatística entre o embranquecimento antecipado e maior frequência de câncer em determinados perfis.

De forma geral, a pesquisa indicou que indivíduos com cabelos grisalhos antes da média etária tinham maior probabilidade de apresentar histórico de doenças relacionadas ao envelhecimento celular. Entre essas condições estavam alguns tipos de câncer, além de problemas cardiovasculares e metabólicos. Os autores destacaram, porém, que a investigação mostra correlação e não prova que um fator cause diretamente o outro. O objetivo central é levantar hipóteses sobre possíveis mecanismos partilhados entre o surgimento de fios brancos e a formação de tumores.

A ciência estuda apenas uma possível correlação, ligada a fatores como estresse oxidativo, danos no DNA e inflamação crônica – depositphotos.com / HayDmitriy

Por que cabelos brancos podem se relacionar ao câncer?

O embranquecimento dos cabelos ocorre principalmente pela perda da atividade dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina no folículo piloso. Essa perda está ligada ao envelhecimento celular, processo em que as células acumulam danos no DNA, sofrem estresse oxidativo e reduzem sua capacidade de reparo. Muitos tumores também surgem a partir de alterações semelhantes, como defeitos nos mecanismos de correção do DNA e exposição prolongada a radicais livres.

Os pesquisadores consideram que cabelos brancos precoces podem funcionar como um possível marcador de envelhecimento biológico acelerado. Em outras palavras, o organismo de algumas pessoas pode apresentar sinais de desgaste antes do esperado cronologicamente, o que aumentaria a chance de surgimento de diversas doenças, incluindo câncer. Nessa linha de raciocínio, a relação entre fios brancos e tumores estaria ligada a fatores em comum, como:

  • Estresse oxidativo elevado ao longo da vida;
  • Falhas em sistemas de reparo do DNA;
  • Inflamação crônica de baixo grau;
  • Fatores genéticos herdados que interferem na cor do cabelo e na suscetibilidade a tumores.

Além disso, alterações hormonais, hábitos de vida e exposição a poluentes podem influenciar tanto o embranquecimento capilar quanto o risco oncológico. Por isso, a relação entre cabelos brancos e câncer tende a ser multifatorial, envolvendo ambiente, genética e estilo de vida, e não um único elemento isolado.

Cabelos brancos aumentam o risco de câncer para todas as pessoas?

Segundo os especialistas, não há evidências de que todo indivíduo com cabelos brancos tenha, automaticamente, risco elevado de câncer. Em muitos casos, o embranquecimento está ligado principalmente a fatores genéticos e faz parte do envelhecimento considerado esperado. Pessoas com histórico familiar de cabelos grisalhos em idade jovem podem apresentar esse traço sem que isso represente, por si só, uma ameaça maior à saúde.

O estudo britânico e outros trabalhos semelhantes destacam que a associação é mais relevante quando o cabelo branco surge muito cedo, em conjunto com outros sinais de envelhecimento precoce, como rugas marcadas, perda de densidade óssea ou problemas cardiovasculares em idade inferior à média. Nessa situação, o conjunto de sinais pode indicar necessidade de acompanhamento médico mais atento. Ainda assim, a avaliação de risco de câncer continua dependendo de múltiplos fatores, como histórico familiar, tabagismo, exposição a agentes carcinogênicos e presença de sintomas específicos.

  • Cabelos brancos isolados não funcionam como diagnóstico.
  • O risco oncológico precisa ser analisado em contexto amplo.
  • Exames periódicos seguem sendo o principal instrumento para detecção precoce.
Ter cabelo branco jovem não é diagnóstico de doença. Mas pode ser um sinal para cuidar mais da saúde e manter exames em dia – depositphotos.com / VitalikRadko

Como a ciência pretende avançar nesse tipo de pesquisa?

Pesquisas sobre a relação entre cabelos brancos e câncer tendem a se aprofundar na análise genética e molecular. Estudos com grandes bancos de dados, como os realizados com populações do Reino Unido, devem continuar cruzando informações sobre cor dos cabelos, idade de aparecimento dos fios grisalhos, hábitos de vida e diagnóstico de doenças ao longo de décadas. Esse tipo de abordagem permite identificar padrões, testar hipóteses e descartar explicações puramente casuais.

Entre as linhas de investigação possíveis estão:

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  1. Mapeamento de genes ligados ao embranquecimento precoce e sua relação com genes associados ao câncer.
  2. Análise de marcadores de estresse oxidativo e inflamação em pessoas com cabelos brancos antes da média de idade.
  3. Estudo dos efeitos de poluição, radiação ultravioleta e dieta sobre pigmentação capilar e risco tumoral.
  4. Avaliação de se certos padrões de cabelo branco podem ser usados como critério complementar em protocolos de rastreamento de doenças.

A expectativa dos cientistas é que, ao compreender melhor os mecanismos por trás do cabelo grisalho precoce, seja possível aprimorar estratégias de prevenção, identificação de grupos de risco e monitoramento de saúde ao longo do tempo. Até o momento, a principal recomendação segue baseada em acompanhamento médico regular, atenção aos sinais do corpo e adoção de hábitos que reduzam a probabilidade de desenvolvimento de câncer.

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