Meio ambiente

Tem até neve: Entenda a Depressão Ingrid e seus impactos na Espanha e Portugal

Depressão Ingrid traz neve rara a Portugal e Espanha; entenda causas, riscos, impactos climáticos e como esse fenômeno extremo ocorre

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A depressão Ingrid é um sistema de baixas pressões atmosféricas que ganhou atenção recente na Península Ibérica por provocar mudanças bruscas no tempo, especialmente em Espanha e Portugal. Esse tipo de fenômeno se caracteriza por ventos fortes, queda acentuada de temperatura e precipitações intensas, que podem ocorrer na forma de chuva, granizo ou neve. No caso mais recente, Ingrid chamou a atenção por trazer neve para várias regiões de Portugal, um cenário pouco habitual, sobretudo em áreas mais próximas do litoral e em altitudes menores.

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Em geral, depressões como a Ingrid se formam quando massas de ar com características diferentes se encontram, criando instabilidade na atmosfera. A combinação de ar frio em altitude com ar relativamente mais quente e húmido à superfície gera nuvens densas e sistemas frontais ativos. Quando esse padrão se posiciona sobre a Península Ibérica, o tempo muda rapidamente, afetando mobilidade, atividades ao ar livre e, em casos mais extremos, até a distribuição de energia e o funcionamento de serviços essenciais.

O que é a depressão Ingrid e por que ela se destaca?

A expressão depressão Ingrid é usada para identificar um episódio específico de baixa pressão que atuou sobre Espanha e Portugal, seguindo a prática europeia de nomear tempestades e sistemas meteorológicos relevantes. Ingrid se destacou por combinar vários elementos ao mesmo tempo: pressão atmosférica baixa, circulação de ar intensa e entrada de uma massa de ar muito frio, vinda de latitudes mais altas. Essa combinação favoreceu a formação de neve em zonas onde normalmente predominam chuva e céu nublado no inverno.

O sistema associado à depressão Ingrid deslocou-se pelo Atlântico até encontrar a Península Ibérica, interagindo com a orografia local, como cadeias montanhosas e planaltos. Ao subir pelas encostas, o ar húmido esfria e condensa, formando nuvens carregadas. Em condições de frio mais intenso, a precipitação já se forma como neve ou se transforma em neve ao atravessar camadas de ar abaixo de 0 °C, o que explica as imagens de estradas, campos e até áreas urbanas portuguesas temporariamente cobertas por um manto branco.

A combinação de ar polar com umidade do Atlântico criou o cenário perfeito para neve em locais onde quase nunca neva – depositphotos.com / alvarobueno

Por que a depressão Ingrid trouxe neve para Portugal?

A neve em Portugal associada à depressão Ingrid está ligada, sobretudo, à trajetória do sistema e ao tipo de massas de ar envolvidas. Ingrid canalizou uma massa de ar polar marítimo em direção à Península Ibérica, reduzindo significativamente as temperaturas, sobretudo em altitude. Ao mesmo tempo, o Atlântico forneceu humidade suficiente para gerar precipitação persistente. Com ar frio suficiente em vários níveis da atmosfera, a chuva deu lugar à neve em serras e, em alguns momentos, até em cotas mais baixas.

Em Portugal, a neve é relativamente comum em zonas de maior altitude, como a Serra da Estrela, mas é bem rara em regiões costeiras ou em grandes centros urbanos. Durante a passagem da depressão Ingrid, o padrão atmosférico favoreceu episódios de neve em locais não habituais, o que chamou a atenção de meteorologistas e também das autoridades responsáveis por estradas e transportes. Em alguns pontos, a acumulação foi suficiente para exigir equipamentos de limpeza, correntes em pneus e eventuais restrições temporárias à circulação.

  • Entrada de ar polar mais intenso que o habitual;
  • Grande disponibilidade de humidade vinda do oceano;
  • Deslocamento lento da depressão sobre a Península Ibérica;
  • Interação com o relevo, intensificando a queda de neve nas serras.

A depressão Ingrid é um fenômeno climático comum?

Depressões atlânticas que atingem Espanha e Portugal são frequentes, sobretudo entre o outono e o inverno. Contudo, episódios como o da depressão Ingrid, com neve mais ampla em território português, são considerados menos comuns. A maior parte dessas baixas pressões provoca chuva e vento, sem necessariamente reunir as condições ideais para a formação de neve em grande escala. O que torna Ingrid menos típica é a combinação simultânea de ar muito frio, humidade abundante e a sua posição em relação à Península Ibérica.

A ocorrência de eventos semelhantes tende a variar de ano para ano, dependendo de padrões atmosféricos de larga escala, como o comportamento do jet stream e de oscilações no Atlântico Norte. Alguns invernos apresentam vários episódios de neve em Portugal, concentrados sobretudo em áreas montanhosas, enquanto outros passam quase sem registos significativos. Por essa razão, a neve associada a um sistema como Ingrid costuma ser tratada como um evento de destaque nos boletins meteorológicos do país.

Impactos da depressão Ingrid em Espanha e Portugal

Os impactos da depressão Ingrid abrangeram diferentes áreas da vida cotidiana na Península Ibérica. Em Espanha, onde a neve é relativamente mais frequente em regiões interiores e de altitude, o foco foi, em muitos casos, o acúmulo de gelo em estradas e a necessidade de reforçar operações de limpeza em zonas urbanas. Em Portugal, o caráter incomum da neve em algumas áreas exigiu atenção adicional por parte da proteção civil e dos serviços municipais, sobretudo quanto ao trânsito e à segurança de pedestres.

Entre os efeitos mais observados durante a atuação da depressão Ingrid estiveram:

  1. Alterações na mobilidade: estradas com neve ou gelo, redução de velocidade e, em alguns casos, cortes temporários em vias de montanha.
  2. Interrupções pontuais de energia: queda de árvores ou ramos sobre linhas elétricas devido ao peso da neve e ao vento forte.
  3. Atrasos em transportes: impactos sobretudo em transportes rodoviários e, de forma localizada, em ligações ferroviárias.
  4. Aumento da procura por informações meteorológicas: acompanhamento mais próximo de avisos e alertas emitidos por institutos de meteorologia de Espanha e Portugal.
Mais que uma tempestade, Ingrid virou alerta climático: afetou estradas, energia e transportes, mostrando como sistemas de baixa pressão podem impactar a vida na Península Ibérica – depositphotos.com / zacariasdamata

Como episódios como a depressão Ingrid ajudam a entender o clima ibérico?

Episódios como o da depressão Ingrid contribuem para reforçar a compreensão sobre a variabilidade climática na Península Ibérica. Embora Portugal e grande parte de Espanha sejam conhecidos por um clima ameno, com invernos moderados, situações de frio intenso e neve ocasional fazem parte do comportamento natural da atmosfera na região. O acompanhamento desses sistemas meteorológicos permite ajustar modelos de previsão e melhorar a comunicação de riscos para a população.

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A análise de eventos como Ingrid também alimenta debates científicos sobre como padrões de circulação atmosférica poderão se comportar nas próximas décadas. Dados recolhidos em 2025 e em anos recentes ajudam a identificar tendências, mas ainda exigem séries históricas longas para avaliações mais consistentes. Enquanto isso, depressões como Ingrid seguem sendo tratadas como episódios relevantes, que evidenciam como a Península Ibérica pode, em certos períodos, aproximar-se temporariamente de cenários típicos de latitudes mais frias, com neve marcante até mesmo em partes de Portugal onde esse fenómeno climático continua pouco habitual.

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