Clima

Por que ficamos arrepiados no frio?

Descubra por que ficamos arrepiados no frio e como essa reação involuntária protege o corpo, revela emoções e indica nossa evolução

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Em dias frios, é comum notar pequenos arrepios na pele e os pelos se levantando de repente. Esse fenômeno, que muitas pessoas associam apenas ao desconforto térmico, tem explicação biológica e está ligado a mecanismos de defesa do corpo humano. Mesmo sendo mais visível em algumas pessoas do que em outras, o arrepio no frio é uma reação automática e involuntária, acionada sem que a pessoa perceba.

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Os arrepios aparecem em situações de baixa temperatura, mas também podem surgir em momentos de medo, susto ou emoção intensa. No caso do frio, eles estão diretamente relacionados à tentativa do organismo de conservar calor. Embora, no ser humano moderno, essa resposta não seja tão eficiente quanto em outros animais, o corpo continua ativando esse recurso sempre que sente que está perdendo temperatura para o ambiente.

Por que ficamos arrepiados no frio?

Essa reação é desencadeada pelo sistema nervoso autônomo, responsável por funções que não dependem da vontade consciente, como batimentos cardíacos e respiração. Quando a pele percebe a queda de temperatura, receptores sensoriais enviam sinais ao cérebro, que interpreta essa mudança como uma possível ameaça ao equilíbrio térmico do corpo.

Diante desse alerta, o organismo aciona pequenos músculos presentes na base de cada pelo, chamados de músculos eretores dos pelos. Eles se contraem e fazem com que os pelos se levantem, provocando a sensação de arrepio. Em animais com pelagem mais densa, esse mecanismo ajuda a reter uma camada de ar próxima à pele, funcionando como um isolante térmico adicional. No ser humano, que tem menos pelos, o efeito de aquecimento é reduzido, mas a resposta fisiológica permanece ativa.

Quando a temperatura cai, o corpo reage sozinho. O arrepio é uma resposta biológica herdada da evolução humana – depositphotos.com / IgorVetushko

Qual é a função do arrepio no frio no corpo humano?

Embora não proteja do frio com a mesma eficiência observada em outros mamíferos, o arrepio causado pelo frio ainda cumpre algumas funções importantes no organismo. A principal é auxiliar, mesmo que discretamente, na regulação da temperatura corporal, que costuma se manter em torno de 36,5°C a 37°C. Manter essa faixa é essencial para o funcionamento adequado de órgãos e processos metabólicos.

Além disso, o arrepio faz parte de um conjunto de respostas que o corpo utiliza para lidar com o frio, como:

  • Vasoconstrição periférica: os vasos sanguíneos mais próximos da pele se contraem, reduzindo a perda de calor;
  • Tremores musculares: os músculos se contraem rapidamente, gerando calor extra;
  • Aumento do gasto energético: o metabolismo pode acelerar para produzir mais calor interno.

Essas respostas, somadas, ajudam a retardar a queda da temperatura corporal em ambientes frios. O arrepio, portanto, integra um sistema de proteção mais amplo, que atua de forma automática sempre que o organismo identifica risco de hipotermia.

Arrepio no frio é herança evolutiva?

Do ponto de vista evolutivo, o arrepio no frio é considerado um resquício de mecanismos que eram muito mais úteis nos ancestrais com pelagem mais espessa. Em animais como gatos, cães ou primatas com muito pelo, a ereção dos pelos cria uma camada extra de isolamento. Essa mesma reação também ocorre em situações de ameaça, fazendo o animal parecer maior e mais imponente.

No ser humano, esse efeito visual praticamente não existe, mas o mecanismo foi preservado ao longo da evolução. Em vez de atuar como defesa contra predadores, hoje ele está mais associado à regulação térmica e a respostas emocionais. Isso explica por que o arrepio surge tanto com o frio quanto em situações de susto, ansiedade ou ao ouvir um som que provoca forte impacto emocional.

Quais fatores influenciam o arrepio no frio?

A intensidade do arrepio não é igual em todas as pessoas. Alguns fatores podem influenciar essa resposta fisiológica:

  • Quantidade de pelos: pessoas com mais pelos corporais tendem a perceber melhor o arrepio;
  • Sensibilidade térmica: indivíduos mais sensíveis ao frio podem apresentar arrepios com pequenas variações de temperatura;
  • Idade: com o passar do tempo, a pele e os folículos pilosos podem sofrer alterações, modificando a forma como o arrepio se manifesta;
  • Estado emocional: estresse e ansiedade podem potencializar a resposta do sistema nervoso autônomo;
  • Uso de medicamentos: algumas substâncias podem interferir na regulação térmica e nas reações involuntárias do corpo.

Em condições normais, o arrepio no frio é apenas um sinal de que o organismo está reagindo à mudança de ambiente. No entanto, quando vem acompanhado de outros sintomas, como febre alta, calafrios intensos persistentes ou mal-estar generalizado, pode indicar a presença de infecção ou outra alteração de saúde, o que geralmente requer avaliação profissional.

Arrepiar no frio é sinal de alerta do organismo, ativando músculos, circulação e metabolismo para manter a temperatura corporal – depositphotos.com / IgorVetushko

Como o corpo tenta se proteger do frio no dia a dia?

Além do arrepio, o organismo aciona diversas estratégias para lidar com temperaturas mais baixas. Essas respostas automáticas se combinam com atitudes práticas adotadas rotineiramente pelas pessoas, formando uma espécie de “plano de proteção” contra o frio.

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  1. Reação imediata: queda de temperatura percebida pelos sensores da pele;
  2. Envio de sinais ao cérebro: principalmente ao hipotálamo, região responsável pela regulação térmica;
  3. Ativação do sistema nervoso autônomo: contração dos músculos eretores dos pelos, surgimento do arrepio;
  4. Outras respostas fisiológicas: tremores, vasoconstrição, aumento da produção de calor interno;
  5. Ações comportamentais: busca por agasalhos, ambientes fechados, bebidas quentes e fontes de aquecimento.

Dessa forma, o arrepio no frio é apenas uma peça de um mecanismo complexo de autorregulação que acompanha a espécie humana ao longo de sua história. Mesmo que hoje não seja um recurso decisivo para a sobrevivência, ele continua servindo como um indicador visível de que o corpo está atento às mudanças de temperatura e tentando, da maneira que ainda consegue, preservar seu equilíbrio interno.

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