É verdade que a cor sépia é retirada de um molusco?
A cor sépia é frequentemente associada a fotografias antigas e tons amarronzados, mas sua origem remete a um animal marinho bastante discreto. Conheça essa história.
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A cor sépia é frequentemente associada a fotografias antigas e tons amarronzados, mas sua origem remete a um animal marinho bastante discreto. Durante séculos, artistas e escritores utilizaram um pigmento natural retirado de um molusco para produzir tintas, tinturas e até manuscritos. Assim, a relação entre esse ser marinho e a tonalidade que leva o nome de sépia ainda desperta curiosidade.
Com o avanço das tecnologias de impressão e da fotografia digital, o uso da sépia natural diminuiu. No entanto, o termo permaneceu no vocabulário cotidiano. Hoje, a palavra aparece em filtros de imagens, paletas de design e catálogos de tintas, muitas vezes sem que o público saiba que, originalmente, tinha associação com um organismo vivo dos oceanos.
O que é a cor sépia e qual sua origem?
A palavra sépia vem do grego “s?pía”, que se refere a um tipo de molusco cefalópode, parente próximo de lulas e polvos. Esse animal possui uma bolsa de tinta que, quando liberada na água, forma uma nuvem escura usada como mecanismo de defesa. Portanto, a partir dessa substância, secada e processada, obtinha-se um pigmento marrom-escuro, de tonalidade quente, que passou a ser chamado de sépia.
Historicamente, esse pigmento foi muito utilizado por artistas europeus a partir da Antiguidade e, com especial intensidade, entre os séculos XVII e XIX. Assim, pintores, desenhistas e gravuristas empregavam a tinta sépia em esboços, ilustrações científicas e obras finalizadas, devido à sua boa aderência ao papel e relativa resistência à luz. Ademais, a cor variava de um marrom acinzentado a um tom mais alaranjado, dependendo da forma de preparo.
A cor sépia realmente vem de um molusco?
Sim, em sua forma tradicional, obtinha-se a cor sépia diretamente de um molusco. O animal em questão é a choco ou sépia (do gênero Sepia), um cefalópode encontrado principalmente em mares temperados e tropicais. A extração da tinta da bolsa de pigmento passava por um processo de secagem, trituração e mistura com um aglutinante, originando uma tinta sépia natural.
Ao contrário do que se imagina, essa tinta não é simplesmente “marrom pronta”. Afinal, o pigmento bruto costuma ter um tom bastante escuro, quase negro. É o tratamento posterior – diluição, adição de outros componentes e controle de concentração – que confere a coloração característica conhecida hoje como tonalidade sépia. Esse material foi usado tanto em artes visuais quanto em escrita. Em especial, antes da popularização de tintas industriais.
Nos dias atuais, a maior parte dos produtos identificados como sépia no mercado não é deriva mais de moluscos, mas sim de pigmentos sintéticos que imitam a cor original. Essa substituição ocorreu por questões de custo, padronização de tonalidade, disponibilidade e também por preocupações ambientais e de bem-estar animal.
Como a sépia ficou famosa na fotografia?
A popularização da cor sépia associa-se, em grande parte, à fotografia dos séculos XIX e início do XX. No processo fotográfico em preto e branco, as imagens impressas em papel eram suscetíveis ao desbotamento. Assim, para aumentar a durabilidade das cópias, muitos laboratórios utilizavam um banho químico de tonificação sépia, que alterava a prata metálica da foto, conferindo tons amarronzados.
Curiosamente, esse efeito fotográfico não dependia da tinta retirada do molusco. Tratava-se de um processo químico distinto, que apenas recebia o nome “sépia” pela semelhança da cor final com o pigmento artístico tradicional. Assim, a tonalidade sépia ganhou um lugar definitivo na memória visual ligada ao passado, já que muitas fotos antigas foram preservadas nesse tom.
- O tom sépia na fotografia antiga era resultado de tratamentos químicos.
- O nome foi inspirado na cor do pigmento extraído do molusco.
- Nem todas as fotos antigas em marrom foram tratadas com sépia, mas o termo se consolidou como referência geral.
Onde a cor sépia aparece hoje em dia?
Atualmente, a cor sépia é usada em diversos contextos visuais. Em programas de edição de imagem, filtros sépia são aplicados para criar aparência de foto antiga ou para suavizar contrastes. No design gráfico, o tom é empregado em identidades visuais que buscam um ar de tradição, memória ou referência histórica, sempre em escala de marrons aquecidos.
Na área artística, a sépia permanece presente em paletas de tintas aquarela, guache, óleo e lápis de cor. As versões comerciais costumam trazer, na embalagem, a indicação de que o pigmento é sintético, apesar de manterem o nome ligado ao molusco. Em ilustração e caligrafia, a tinta marrom sépia é utilizada quando se busca um traço menos contrastante que o preto puro, favorecendo leituras prolongadas.
- Em artes plásticas, aparece em esboços, sombreamentos e fundos.
- No design digital, integra temas, templates e filtros de imagem.
- Na decoração, surge em paredes, móveis e objetos em tons terrosos.
A sépia usada hoje ainda vem de animais?
A maior parte das tonalidades sépia disponíveis atualmente é produzida de forma industrial, sem necessidade de extração direta do molusco. Pigmentos orgânicos e inorgânicos são formulados em laboratório para reproduzir o mesmo aspecto visual da antiga tinta de sépia, com maior controle de estabilidade, cor e durabilidade. Marcas de materiais artísticos costumam indicar, em fichas técnicas, a composição exata do pigmento.
Ainda podem existir produções artesanais que utilizam métodos históricos, inclusive com extração de tinta de cefalópodes, mas esse tipo de prática é restrita e pouco comum. No uso cotidiano, quando se fala em cor sépia em fotografia, design ou pintura, a referência é quase sempre a uma tonalidade marrom-avermelhada inspirada no pigmento original, e não à substância retirada do animal.
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Assim, a resposta para a pergunta inicial é objetiva: a cor sépia, em sua origem histórica, foi sim retirada de um molusco, mas, no cenário atual, o termo designa principalmente uma família de tons terrosos reproduzidos por meios sintéticos, preservando a ligação com o passado apenas no nome e na aparência visual.