Um ano do mandato de Trump: tarifas contra o mundo, deportações em massa e operações secretas
O segundo mandato de Donald Trump à frente dos Estados Unidos completou um ano. O período ficou marcado por mudanças profundas na política interna e externa do país. Saiba mais!
compartilhe
SIGA
O segundo mandato de Donald Trump à frente dos Estados Unidos completou um ano. O período ficou marcado por mudanças profundas na política interna e externa do país. Afinal, a agenda do governo combinou medidas rígidas em relação à imigração, embates com instituições tradicionais e uma estratégia econômica protecionista. No cenário internacional, operações militares e decisões unilaterais redesenharam a posição norte-americana em diferentes regiões do mundo. Em especial, no Caribe, na Venezuela e no Oriente Médio.
Esse período também trouxe impactos diretos para parceiros históricos, como Brasil, Ucrânia e países europeus. Isso porque eles passaram a lidar com incertezas diplomáticas e tarifárias. A condução da política externa foi vista por especialistas como um movimento de alternância entre isolamento e intervenção. Por sua vez, no plano doméstico, houve decisões envolvendo perdões presidenciais, universidades e imprensa modificaram a relação entre o governo e pilares institucionais da democracia norte-americana.
Donald Trump no poder: qual é o eixo da nova política dos Estados Unidos?
A palavra-chave central para entender esse momento é Donald Trump e a forma como sua administração reorganizou prioridades nacionais e internacionais. Um dos pilares foi a política migratória, que recebeu reforço de efetivo e novas diretrizes operacionais. Assim, mais de 20 mil agentes foram mobilizados para atuar não apenas na fronteira, mas também em áreas internas e em cooperação com autoridades de outros países. Isso resultou em centenas de milhares de deportações e em um número elevado de saídas voluntárias.
Esse endurecimento no controle migratório provocou episódios de tensão social em diferentes estados, incluindo casos de violência que desencadearam protestos e manifestações. Paralelamente, o governo Trump interferiu de forma direta na discussão sobre o papel das instituições democráticas, ao conceder perdão presidencial em massa a envolvidos na invasão ao Capitólio em 2021. A medida foi acompanhada por cortes de verbas em grandes universidades e pela abertura de investigações que colocaram o ambiente acadêmico sob pressão adicional.
Outro ponto sensível foi o relacionamento com a imprensa. Afinal, a administração moveu ações bilionárias contra veículos de comunicação considerados críticos. Além disso, indicou disposição de responsabilizar escritórios de advocacia que atuassem em litígios contrários aos interesses do governo. Assim, essas iniciativas reforçaram um clima de confronto entre o Executivo e parte significativa da mídia, ampliando o debate sobre liberdade de expressão, sigilo de fontes e independência editorial.
Como as tarifas globais de Donald Trump mudaram o comércio internacional?
No campo econômico, a gestão de Donald Trump apostou em um protecionismo intenso. Em abril, o governo anunciou um pacote de aumentos tarifários que atingiu 185 países, alterando rotas comerciais e estratégias de exportação em diversos continentes. O mandatário apresentou a medida como uma forma de reequilibrar balanças comerciais consideradas desfavoráveis aos Estados Unidos.
O Brasil tornou-se um caso emblemático. Inicialmente submetido a tarifas de 10%, o país viu as alíquotas subirem para 50% após desentendimentos políticos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e a nova linha da Casa Branca. Esse movimento gerou impacto para setores como agronegócio, siderurgia e indústria de transformação. Somente após uma reunião bilateral entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, houve uma retirada gradual do chamado “tarifaço”, com um cronograma de redução que buscou aliviar as tensões comerciais.
Essas ações sinalizaram ao mercado internacional que a política comercial dos Estados Unidos sob Trump estava disposta a usar tarifas como instrumento de pressão diplomática. Dessa forma, empresas multinacionais passaram a rever cadeias de produção. Ademais, governos estrangeiros avaliaram alternativas de diversificação de parceiros para reduzir a dependência do mercado norte-americano. Ao mesmo tempo, os efeitos internos ainda são alvo de avaliação, especialmente em termos de preços ao consumidor e competitividade da indústria local.
Qual é o papel de Donald Trump em crises na Venezuela, Caribe e Oriente Médio?
No cenário externo, a administração de Donald Trump adotou uma postura mais assertiva em algumas regiões, ao mesmo tempo em que reduziu a participação em iniciativas multilaterais. A extinção da USAID, tradicional agência de ajuda humanitária, e a retirada de recomendações ligadas a vacinas infantis em protocolos internacionais indicaram um movimento de afastamento de certas agendas globais de cooperação.
Em contrapartida, intensificou-se a presença militar norte-americana no Caribe. Operações contra o tráfico de drogas e armas geraram mais de uma centena de mortes, segundo relatos oficiais e de organismos internacionais. Essas ações receberam críticas da ONU e de entidades de direitos humanos, que pediram transparência sobre critérios de engajamento e responsabilidade por eventuais abusos. O ápice dessa escalada ocorreu na Venezuela, quando uma operação resultou na captura de Nicolás Maduro e em sua apresentação perante um tribunal em Nova York, fato que redesenhou o quadro político venezuelano e provocou reações de aliados regionais.
As alianças tradicionais dos Estados Unidos também foram testadas. A aproximação com Israel atingiu um novo patamar, com apoio explícito a ações contra instalações nucleares iranianas. Já a relação com a Ucrânia se deteriorou, marcada por críticas públicas a Volodymyr Zelensky e por questionamentos sobre o nível de apoio militar e financeiro. Ao mesmo tempo, a diplomacia com Vladimir Putin manteve sinais ambíguos, alternando declarações de pressão com gestos de acomodação, enquanto a Dinamarca foi alvo de uma proposta de compra da Groenlândia sob ameaça de sanções, episódio que evidenciou a combinação de pressão econômica e objetivos geoestratégicos.
Quais controvérsias cercam Donald Trump e o caso Epstein?
Além dos temas de segurança, comércio e diplomacia, a figura de Donald Trump continuou cercada por controvérsias pessoais e jurídicas. Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi a sanção de uma lei que determinava a liberação de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. A expectativa de ampla divulgação, porém, não se concretizou: menos de 1% dos arquivos veio a público.
Vazamentos de e-mails e relatórios indicaram possíveis vínculos entre Trump e o bilionário, o que alimentou questionamentos de parlamentares, organizações civis e familiares de vítimas. A divulgação parcial dos documentos reforçou o debate sobre transparência, responsabilidade de autoridades e eventuais conflitos de interesse na condução de investigações sensíveis. Até 2025, comissões legislativas e grupos independentes seguem cobrando acesso mais amplo aos registros, enquanto processos paralelos tentam esclarecer a extensão dessas relações.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Ao completar um ano desse segundo mandato, a gestão de Donald Trump apresenta um conjunto de decisões que repercutem simultaneamente na política interna, na economia global e na segurança internacional. Entre deportações em larga escala, tarifas globais, operações militares e disputas judiciais, o governo norte-americano consolidou uma agenda que continua a ser observada de perto por aliados, adversários e organismos multilaterais, que monitoram os desdobramentos para os próximos anos de mandato.