Mundo

Nacionalismos e conflitos: como surgiram os países da ex-Iugoslávia

A dissolução da Iugoslávia nos anos 1990 marcou uma das transformações políticas mais profundas da Europa no fim do século XX. O país surgiu após a Primeira Guerra Mundial e, mais tarde, reorganizou-se como federação socialista depois da Segunda Guerra. Essa federação reuniu diferentes povos, idiomas e religiões sob um mesmo Estado. Durante décadas, o […]

Publicidade
Carregando...

A dissolução da Iugoslávia nos anos 1990 marcou uma das transformações políticas mais profundas da Europa no fim do século XX. O país surgiu após a Primeira Guerra Mundial e, mais tarde, reorganizou-se como federação socialista depois da Segunda Guerra. Essa federação reuniu diferentes povos, idiomas e religiões sob um mesmo Estado. Durante décadas, o governo central manteve a unidade por meio de um sistema de partido único e de forte controle político. No entanto, com o enfraquecimento desse modelo e o fim da Guerra Fria, tensões antigas voltaram à superfície. Esse cenário abriu caminho para o avanço do nacionalismo em várias repúblicas.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Além dessas tensões políticas, o desequilíbrio econômico entre as regiões também exerceu papel importante. Repúblicas mais desenvolvidas, como Eslovênia e Croácia, reclamavam de contribuir mais do que recebiam do orçamento federal. Ao mesmo tempo, disputas políticas em torno do futuro da federação opunham projetos distintos. De um lado, grupos defendiam maior autonomia das repúblicas. De outro, lideranças buscavam fortalecer o poder central. Esse cenário, combinado com uma crise econômica severa no fim dos anos 1980, ampliou a sensação de esgotamento do antigo modelo iugoslavo. Assim, muitos cidadãos passaram a enxergar a fragmentação como alternativa viável.

Iugoslávia – depositphotos.com / Leonid_Andronov

Por que a Iugoslávia se desintegrou nos anos 1990?

A palavra-chave central desse processo é nacionalismo. À medida que o regime socialista perdia legitimidade, partidos nacionalistas ganharam espaço em eleições realizadas no início da década de 1990. Em várias repúblicas, esses grupos passaram a defender abertamente a independência. Eles associavam identidade nacional à criação de um Estado próprio. Paralelamente, memórias de conflitos do passado, especialmente da Segunda Guerra Mundial, ressurgiram em discursos políticos. Esses discursos alimentaram desconfiança entre comunidades étnicas e aprofundaram divisões históricas.

Além disso, a morte de Josip Broz Tito, em 1980, criou um vazio de liderança. O sistema de presidência rotativa não conseguiu substituir a figura que garantiu equilíbrio entre as repúblicas por décadas. Em vez de consenso, disputas por poder entre elites políticas locais cresceram rapidamente. A crise da União Soviética e a queda de regimes socialistas no Leste Europeu também influenciaram esse processo. Esses acontecimentos indicaram o declínio de modelos federativos autoritários. A combinação de fatores internos e externos, portanto, encerrou o ciclo de existência da República Socialista Federativa da Iugoslávia. Ao mesmo tempo, ela abriu espaço para novos projetos nacionais nos Bálcãs.

A separação da Iugoslávia foi violenta ou tranquila?

A fragmentação da federação iugoslava se caracterizou, em grande parte, por guerras sangrentas, especialmente na Croácia, na Bósnia e, mais tarde, no Kosovo. A presença de populações de diferentes grupos étnicos em um mesmo território aumentou as disputas. Assim, a definição de novas fronteiras se transformou em ponto central de conflito. Milícias, exércitos regulares e grupos paramilitares se enfrentaram em uma sucessão de episódios armados. Esses confrontos resultaram em milhares de mortos e deslocados. Além disso, causaram destruição de cidades e ruptura de laços sociais entre vizinhos.

O caso mais emblemático ocorreu na Guerra da Bósnia (1992–1995). Nesse conflito, bósnios muçulmanos, croatas e sérvios disputaram o controle do novo Estado. A guerra marcou-se por limpeza étnica, cercos prolongados a cidades e massacres. O massacre de Srebrenica, por exemplo, recebeu reconhecimento como genocídio por tribunais internacionais. Antes disso, a Guerra da Croácia (1991–1995) já envolvia confrontos intensos entre forças croatas e sérvias. Nessa guerra, bombardeios e expulsão de civis ocorreram em várias regiões. Ademais, combates destruíram infraestruturas importantes, o que agravou a crise humanitária.

  • Croácia: confrontos prolongados contra forças sérvias e disputa de enclaves estratégicos.
  • Bósnia e Herzegovina: conflito triplo, com extensos crimes de guerra e campanhas de limpeza étnica.
  • Kosovo: ofensiva de forças sérvias, repressão a albaneses e resposta militar da OTAN em 1999.

Esses episódios mostram que a desintegração iugoslava, em boa parte do território, ocorreu de forma violenta. As guerras deixaram marcas profundas nas sociedades locais. As populações precisaram lidar com traumas, destruição econômica e deslocamentos massivos. Além disso, tribunais internacionais passaram a julgar crimes de guerra cometidos nesse período. As repercussões políticas e sociais ainda se mostram perceptíveis em 2025.

Houve independências pacíficas na antiga Iugoslávia?

Apesar do quadro geral de conflito, nem todas as saídas da federação ocorreram de forma traumática. O caso mais citado é o da Eslovênia. Em 1991, após um referendo em que a ampla maioria da população apoiou a independência, o país declarou sua separação. Houve uma breve guerra de dez dias com o Exército Popular Iugoslavo. Esse conflito gerou número relativamente reduzido de vítimas e pouca destruição, se comparado a outros casos da região. A pressão internacional e o rápido recuo das forças federais contribuíram para uma ruptura mais curta e menos violenta. Depois disso, a Eslovênia concentrou esforços em reformas econômicas e na aproximação com a União Europeia.

Macedônia (atual Macedônia do Norte) também se tornou independente de forma relativamente pacífica em 1991, após plebiscito. A retirada das tropas federais ocorreu sem confrontos de grande escala. O principal desafio macedônio, nos anos seguintes, surgiu no campo diplomático. A disputa sobre o nome do país com a Grécia dificultou o processo de integração internacional. As partes só resolveram essa questão em 2018, com o acordo que instituiu o nome Macedônia do Norte. Paralelamente, o país lidou com tensões internas entre populações eslavas e albanesas, mas negociou acordos para reduzir o risco de guerra.

  1. Eslovênia: conflito curto, com rápida retirada do exército federal e rápida estabilização política.
  2. Macedônia do Norte: independência negociada, sem guerra prolongada, porém com disputas diplomáticas.
  3. Outras repúblicas: enfrentaram conflitos mais intensos, prolongados e com maior número de vítimas.

Quais são hoje os países independentes da ex-Iugoslávia?

Do antigo território iugoslavo surgiram, ao longo dos anos 1990 e 2000, vários Estados soberanos. Em 2025, os países que formavam a ex-Iugoslávia são:

  • Eslovênia
  • Croácia
  • Bósnia e Herzegovina
  • Sérvia
  • Môntegrro
  • Macedônia do Norte
  • Kosovo* (independência declarada em 2008, reconhecida por boa parte da comunidade internacional, mas ainda contestada pela Sérvia e por alguns Estados)

Montenegro tornou-se independente em 2006, após referendo que encerrou a união com a Sérvia, último resquício institucional da Iugoslávia. O Kosovo, por sua vez, declarou independência em 2008, depois de anos sob administração internacional e tensões com Belgrado. Em 2025, esses países seguem em estágios diferentes de integração europeia. Eslovênia e Croácia já integram a União Europeia e participam ativamente de suas instituições. Outros Estados da região mantêm negociações de adesão ou buscam aproximação com blocos internacionais. Além disso, muitos deles participam de iniciativas regionais de cooperação econômica e segurança.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Assim, o processo iniciado nos anos 1990 transformou um único Estado multinacional em várias repúblicas independentes. Essas repúblicas carregam histórias de separação que oscilaram entre negociações políticas e conflitos armados. A antiga Iugoslávia deu lugar a um mosaico de países, cada um com seus desafios internos. Ao mesmo tempo, esses países preservam memórias ainda recentes das transições que definiram o mapa dos Bálcãs no início do século XXI. Dessa forma, o passado iugoslavo continua a influenciar identidades, políticas e projetos de futuro em toda a região.

Iugoslávia – depositphotos.com / BalkansCat

Tópicos relacionados:

curiosidades mundo turismo

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay