Curiosidades

A rota aérea mais turbulenta do mundo: a perigosa travessia aérea Mendoza–Santiago

A rota aérea entre o Aeroporto Internacional El Plumerillo (MDZ), em Mendoza, e o Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez (SCL), em Santiago, tem a fama de a mais turbulentas do mundo. Saiba as razões.

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A rota aérea entre o Aeroporto Internacional El Plumerillo (MDZ), em Mendoza, e o Aeroporto Internacional Arturo Merino Benítez (SCL), em Santiago, tem a fama de a mais turbulentas do mundo. Afinal, o trajeto, que dura em média menos de uma hora em cruzeiro, atravessa diretamente a Cordilheira dos Andes. Trata-se de uma região marcada por montanhas elevadas, vales profundos e condições atmosféricas muito variáveis. Portanto, essa combinação cria um cenário em que a turbulência orográfica, causada pelo relevo, se torna protagonista em grande parte dos voos.

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Embora a percepção de risco seja comum entre passageiros, especialistas destacam que a operação da rota ocorre de forma regular e segura por diferentes companhias aéreas da Argentina e do Chile. No entanto, a turbulência intensa é um elemento praticamente inevitável em determinados dias, sobretudo no inverno e em períodos de ventos fortes. Por isso, quem viaja entre Mendoza e Santiago enfrenta com frequência trechos com trepidações, mudanças bruscas de altitude e sensação de “sacolejo” constante, mesmo em condições de céu aparentemente limpo.

Quem viaja entre Mendoza e Santiago enfrenta com frequência trechos com trepidações, mudanças bruscas de altitude e sensação de “sacolejo” constante, mesmo em condições de céu aparentemente limpo – depositphotos.com / lltrarbach

Por que a rota Mendoza–Santiago é tão turbulenta?

A explicação para a fama da rota entre Mendoza e Santiago começa na própria geografia da Cordilheira dos Andes. Afinal, o voo cruza uma sequência de picos que ultrapassam facilmente os 4 mil metros de altitude, com o Aconcágua chegando a quase 7 mil metros. Assim, para contornar esse cenário, as aeronaves precisam ganhar altura rapidamente depois da decolagem e manter níveis de cruzeiro que fiquem acima dos cumes mais altos. Esse “degrau” vertical expõe o avião a camadas de ar onde os ventos são mais fortes e instáveis.

Os Andes funcionam como uma barreira gigante no caminho das massas de ar que se deslocam do Oceano Pacífico para o interior do continente e no sentido contrário. Dessa forma, quando esses ventos batem na cadeia de montanhas, parte do ar é forçada a subir e outra parte desce violentamente do lado oposto. Portanto, esse movimento cria áreas de forte turbulência, com rajadas irregulares, variações de velocidade e mudanças de direção em poucos quilômetros. É nesse ambiente que os pilotos conduzem os voos entre MDZ e SCL, adaptando rotas e altitudes conforme os boletins meteorológicos.

Turbulência orográfica e ventos na Cordilheira dos Andes

A turbulência orográfica é um dos principais fatores que fazem da rota Mendoza–Santiago uma referência em desconforto para passageiros. Ela ocorre quando o fluxo de ar sofre perturbação do relevo, gerando movimentos verticais e horizontais intensos. Nos Andes, esse fenômeno se manifesta em forma de “ondas de montanha”, grandes ondulações invisíveis na atmosfera que se estendem por dezenas ou até centenas de quilômetros a sotavento da cordilheira.

Essas ondas podem provocar desde leves oscilações até sacudidas mais bruscas na cabine. Ademais, em determinadas situações, formam-se ainda o que se denomina correntes de ar descendentes, que empurram a aeronave para baixo por alguns instantes, obrigando o piloto a corrigir a altitude. Ventos de alta velocidade, as correntes de jato, também passam sobre os Andes em certos níveis de voo. Por isso, quando essas correntes encontram o relevo acidentado, o resultado é um ambiente altamente propício a rajadas irregulares. Isso gera a sensação de turbulência súbita, mesmo sem nuvens de tempestade próximas.

Além disso, o contraste térmico entre as encostas, especialmente no verão, intensifica correntes ascendentes e descendentes. Afinal, durante o inverno, frentes frias e neve aumentam a instabilidade da atmosfera na região. Tudo isso faz com que, mesmo em dias aparentemente calmos, o trecho sobre a cordilheira possa apresentar trepidações significativas.

Como a turbulência impacta passageiros e operações aéreas?

Para quem viaja entre Mendoza e Santiago, o impacto mais imediato da turbulência nos Andes é a sensação física de desconforto. Afinal, o corpo sofre pressão contra o assento, o cinto de segurança fica mais justo e objetos soltos podem ser lançados para cima. Por isso, passageiros com medo de voar tendem a relatar maior ansiedade nessa rota. Em especial, quando o aviso de afivelar cintos permanece ligado por longos períodos. Em trechos de turbulência moderada ou severa, é comum a suspensão temporária do serviço de bordo por questões de segurança.

Do ponto de vista operacional, companhias aéreas e tripulações adotam diversos procedimentos para lidar com o cenário. Assim, entre as medidas mais frequentes estão:

  • Planejamento de rota e altitude: definição prévia de níveis de voo que reduzam a exposição às áreas de maior instabilidade, com base em modelos meteorológicos e relatórios de outros voos.
  • Uso intensivo de relatórios METAR, TAF e PIREP: consulta a boletins e relatos de pilotos sobre turbulência orográfica, ventos fortes e formação de nuvens na região da cordilheira.
  • Ajustes em tempo real: mudanças de rota ou altitude durante o voo para buscar camadas de ar mais estáveis quando a turbulência se torna persistente.
  • Orientação constante aos passageiros: recomendações sobre permanência com o cinto afivelado, mesmo quando o sinal luminoso é desligado, e instruções específicas em dias de maior instabilidade.

Em situações mais extremas, a rota entre MDZ e SCL pode sofrer atrasos, desvios ou até cancelamentos. Em especial, quando os ventos cruzados nas aproximações aos aeroportos ultrapassam limites considerados seguros pelos fabricantes das aeronaves e pelas autoridades de aviação civil. Nesses casos, o objetivo das companhias é preservar a integridade do voo, ainda que isso represente reacomodação de passageiros ou mudanças de itinerário.

A turbulência orográfica é um dos principais fatores que fazem da rota Mendoza–Santiago uma referência em desconforto para passageiros – depositphotos.com / photosampler

A rota é perigosa ou apenas desconfortável?

A classificação da rota aérea Mendoza–Santiago como uma das mais turbulentas do mundo está ligada sobretudo à experiência de desconforto e não a estatísticas de acidentes. Aeronaves comerciais são projetadas para suportar cargas muito superiores às enfrentadas no dia a dia, incluindo os solavancos provocados pela turbulência orográfica nos Andes. Pilotos que operam na região recebem treinamento específico e contam com sistemas avançados de navegação e monitoramento meteorológico.

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Para o passageiro leigo, no entanto, a intensidade dos movimentos pode gerar a impressão de que o voo está em risco. Por isso, especialistas costumam enfatizar a importância do uso contínuo do cinto de segurança ao longo de todo o trajeto, prática que reduz significativamente a chance de ferimentos em episódios de turbulência repentina. Assim, a fama da rota entre El Plumerillo e Arturo Merino Benítez está relacionada principalmente à combinação de geografia extrema, ventos fortes e atmosfera instável, fatores que se mantêm presentes em 2025 e seguem exigindo atenção redobrada, mas dentro de padrões considerados seguros pela aviação comercial.

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