Juros altos e desvalorização: os riscos de financiar um carro
Financiar um carro costuma parecer a forma mais simples de ter um veículo sem juntar todo o dinheiro antes. No entanto, quando você observa com atenção os números, o financiamento de automóveis se transforma em uma decisão cara e difícil de sustentar no orçamento mensal. Em 2025, com taxas de juros ainda elevadas no país, […]
compartilhe
SIGA
Financiar um carro costuma parecer a forma mais simples de ter um veículo sem juntar todo o dinheiro antes. No entanto, quando você observa com atenção os números, o financiamento de automóveis se transforma em uma decisão cara e difícil de sustentar no orçamento mensal. Em 2025, com taxas de juros ainda elevadas no país, esse tipo de crédito impacta de forma relevante a vida financeira das famílias.
Ao assumir um financiamento, o comprador se compromete por anos com parcelas que misturam amortização da dívida e juros. Enquanto isso, o bem adquirido perde valor a cada mês. Essa combinação — juros altos e desvalorização do carro — tende a prejudicar o patrimônio no longo prazo e limita outras escolhas financeiras importantes, como investir, estudar ou trocar de moradia.
Por que os juros tornam o financiamento de carro tão caro?
Nesse tipo de operação, a palavra-chave é justamente “juros”. Em financiamentos de veículos, as parcelas podem parecer acessíveis quando você as observa isoladamente. Porém, o custo final geralmente fica bem superior ao preço à vista. O comprador, muitas vezes, foca apenas no valor mensal e ignora o quanto paga a mais ao longo dos anos de contrato.
No mercado brasileiro, você encontra facilmente financiamentos de carro com prazos de 48, 60 ou até 72 meses. Em períodos de juros elevados, esses prazos longos multiplicam o valor original do veículo. Em muitos casos, o montante final pago se aproxima do dobro do preço inicial, dependendo da taxa cobrada, do prazo e do tamanho da entrada. Esse cenário torna o financiamento de automóvel uma das modalidades de crédito mais pesadas para o orçamento.
Para entender melhor o peso dos juros em um financiamento de carro, vale observar alguns pontos essenciais. Além disso, você pode comparar propostas de diferentes instituições financeiras antes de assinar qualquer contrato:
- CET (Custo Efetivo Total): inclui juros, tarifas, seguros embutidos e outros encargos, ou seja, mostra quanto o financiamento realmente custa;
- Prazo longo: quanto maior o tempo de pagamento, maior o total de juros acumulados, mesmo que a parcela pareça pequena;
- Entrada pequena: quanto menor o valor pago inicialmente, maior o saldo financiado e o peso dos juros sobre o orçamento;
- Taxas variáveis: a taxa anunciada nem sempre reflete o custo real se o banco incluir seguros e serviços agregados de forma automática.
Por que financiar um carro é uma péssima ideia financeira?
Quando você junta o custo dos juros com a desvalorização natural do veículo, o financiamento de carro tende a gerar um resultado desfavorável para o comprador. O carro, ao contrário de um imóvel ou de um investimento produtivo, não costuma valorizar. Assim que sai da concessionária, o automóvel já passa a valer menos no mercado de usados, mesmo estando praticamente novo.
Enquanto o valor de mercado cai, a dívida permanece praticamente a mesma, principalmente nos primeiros anos do financiamento. Nesse período, grande parte da parcela corresponde aos juros, não ao principal. Essa dinâmica cria situações em que o saldo devedor do financiamento supera o preço de venda do carro. Isso significa que, se o dono precisar vender o veículo, ainda assim pode ficar com parte da dívida para quitar.
Entre os principais fatores que tornam o financiamento de carro uma escolha financeira arriscada, destacam-se os seguintes pontos. Eles se combinam e, na prática, pressionam as finanças pessoais de forma contínua:
- Desvalorização rápida: o carro perde valor ano a ano, mesmo com pouca quilometragem e revisões em dia;
- Comprometimento de renda: parcelas fixas por muitos meses pressionam o orçamento e reduzem a capacidade de poupar;
- Custos adicionais: IPVA, seguro, manutenção e combustível se somam às prestações e encarecem o uso do veículo;
- Baixa flexibilidade: em caso de perda de renda, o risco de inadimplência aumenta e pode gerar juros ainda maiores;
- Venda difícil: torna-se complicado vender o carro por valor suficiente para quitar o saldo do financiamento em aberto.
Como a desvalorização do veículo agrava o problema?
A desvalorização ocupa posição central quando você analisa se financiar um carro faz sentido. Na prática, um automóvel representa um bem de uso que, com o tempo, se desgasta e exige gastos cada vez maiores com manutenção. Modelos novos tendem a apresentar queda de valor mais acentuada nos primeiros anos. Justamente nesse período, a maioria dos financiamentos ainda permanece no início do pagamento.
Especialistas costumam apontar que, dependendo do modelo e do segmento, um carro pode perder uma parcela significativa do valor de compra nos primeiros 12 meses. Ao longo de três a cinco anos, esse percentual cresce ainda mais. Em paralelo, o comprador segue pagando parcelas baseadas no preço de aquisição, não no valor atual do veículo.
Essa diferença entre o que você deve e o que o carro realmente vale no mercado traz consequências práticas. Em caso de sinistro, roubo sem seguro adequado ou necessidade de troca por um modelo mais econômico, o dono pode enfrentar uma situação delicada. Nela, ele precisa de recursos extras para terminar de pagar o financiamento, mesmo sem continuar com o bem. Dessa forma, a desvalorização reforça o caráter pouco vantajoso do crédito para automóveis e reduz a proteção do patrimônio.
Quais alternativas ao financiamento de carro podem ser consideradas?
Diante dos riscos de juros altos e perda de valor do veículo, muitas pessoas buscam alternativas ao financiamento tradicional. Uma das estratégias mais comuns envolve o planejamento para comprar o carro à vista, ainda que isso signifique optar por um modelo mais simples ou usado. Ao guardar dinheiro ao longo de alguns meses ou anos, você reduz a necessidade de recorrer a crédito caro.
Outra possibilidade consiste em avaliar meios de transporte alternativos, como transporte público, aplicativos de corrida, bicicleta ou aluguel de veículos em períodos específicos. Em alguns cenários, o somatório desses custos fica menor que o gasto total de manter um carro financiado. Isso ocorre principalmente quando o uso diário não é tão intenso e permite planejamento de rotas.
Ao analisar a compra de um automóvel, algumas perguntas ajudam a organizar as prioridades financeiras. Além disso, você consegue visualizar melhor o impacto de longo prazo da decisão:
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
- O carro se mostra realmente indispensável para o dia a dia de trabalho ou estudo, considerando horários e distâncias?
- Você encontra opções de modelos usados em bom estado, com preço mais acessível e histórico de manutenção confiável?
- O orçamento mensal suporta não apenas a parcela, mas também todos os gastos extras do veículo sem apertos?
- É possível adiar a compra por um período para aumentar a entrada ou até pagar à vista, evitando juros elevados?
Quando você considera essas questões com calma, a tendência aponta para que o financiamento deixe de parecer única saída e passe a representar apenas uma entre várias alternativas. Nessa análise mais ampla, os juros altos e a desvalorização do carro costumam pesar contra o financiamento. Como resultado, muitas pessoas acabam priorizando um planejamento mais cuidadoso antes de assumir uma dívida longa e potencialmente perigosa.