Comportamento

Por que as mulheres dormem pior que homens: explicações médicas e sociais

Mulheres dormem pior que homens: descubra causas médicas e sociais do problema do sono feminino e veja soluções práticas para melhorar

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Nas últimas décadas, o sono passou a ser tratado como um componente central da saúde, mas a forma como homens e mulheres dormem ainda apresenta diferenças importantes. Reportagens recentes, como a publicada pelo jornal espanhol El País com o título “No, no es tu imaginación: las mujeres duermen peor que los hombres (y hay razones médicas y sociales)”, chamam atenção para um ponto específico: a pior qualidade de sono feminina não costuma ser resultado de exagero, e sim de fatores biológicos e também sociais que se somam ao longo da vida.

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Esse debate ganha espaço em 2025 em função do aumento de diagnósticos de transtornos do sono, da sobrecarga de trabalho e da crescente visibilidade das questões de gênero na saúde. A expressão “mulheres dormem pior que os homens” não se limita a uma percepção cotidiana; ela vem sendo documentada em pesquisas que apontam mais insônia, despertares noturnos e sensação de cansaço ao acordar entre mulheres em comparação com homens da mesma faixa etária.

Por que as mulheres dormem pior que os homens?

De acordo com estudos citados em análises internacionais sobre sono e gênero, a pior qualidade de sono feminina está ligada a uma combinação de fatores hormonais, fisiológicos e sociais. Em muitos casos, esses elementos aparecem em fases diferentes da vida, como puberdade, gravidez, pós-parto e menopausa, criando períodos críticos em que dormir bem se torna mais difícil. Ao mesmo tempo, responsabilidades domésticas e de cuidado com familiares acabam se concentrando mais nas mulheres, o que interfere diretamente na rotina noturna.

Outro ponto frequentemente mencionado é a chamada “carga mental”. Mesmo quando há divisão de tarefas, muitas mulheres permanecem responsáveis por planejar, antecipar problemas e organizar o dia a dia da casa e dos filhos. Esse estado de alerta constante pode prolongar o tempo para adormecer, provocar despertares durante a noite e aumentar a sensação de sono fragmentado. Assim, a frase “mulheres dormem pior” costuma refletir tanto o corpo quanto o contexto em que essas mulheres vivem.

Gravidez, pós-parto e menopausa impactam diretamente o sono feminino, enquanto transtornos como ansiedade, depressão e dor crônica são mais prevalentes entre mulheres – depositphotos.com / richardmlee

Quais são as principais causas médicas do pior sono feminino?

Entre os motivos de ordem médica, a insônia aparece com maior frequência em mulheres. Pesquisas apontam que elas relatam mais dificuldade para iniciar o sono, permanecer dormindo e voltar a dormir após despertares noturnos. Flutuações hormonais ao longo do ciclo menstrual podem alterar temperatura corporal, humor e sensibilidade à dor, fatores que contribuem para noites menos reparadoras.

Em fases específicas da vida, esse quadro tende a se intensificar. Na gravidez, por exemplo, alterações físicas, maior necessidade de ir ao banheiro e desconfortos posturais podem reduzir tempo e profundidade do sono. No pós-parto, despertares frequentes para amamentação, adaptação ao recém-nascido e mudanças emocionais geram noites fragmentadas. Já a menopausa costuma vir acompanhada de fogachos, suores noturnos e mudanças de humor, o que se associa a uma maior incidência de insônia e despertares.

  • Insônia crônica: mais comum em mulheres, especialmente a partir da meia-idade.
  • Transtornos de humor: depressão e ansiedade, que também afetam o sono, apresentam prevalência maior no público feminino.
  • Dor crônica: condições como fibromialgia e enxaqueca costumam ser mais relatadas por mulheres e interferem diretamente no descanso noturno.

Que fatores sociais fazem as mulheres dormirem pior?

Além das questões biológicas, a reportagem do El País e outras fontes destacam o peso dos fatores sociais na piora do sono feminino. Em muitos lares, as mulheres continuam acumulando jornada profissional e jornada doméstica, responsabilidade com filhos, cuidado de parentes idosos e tarefas de organização do cotidiano. Essa sobrecarga amplia o nível de estresse e reduz o tempo disponível para relaxar antes de dormir.

A chamada “segunda jornada” é um conceito frequentemente usado em estudos de gênero. Mesmo quando trabalham em horário semelhante ao dos homens, muitas mulheres relatam que, ao chegar em casa, seguem como principais responsáveis por cozinhar, limpar, acompanhar lição de casa de crianças e gerenciar compromissos da família. Esse cenário contribui para deitar mais tarde, acordar mais cedo e ter um sono mais superficial.

  1. Divisão desigual de tarefas no ambiente doméstico.
  2. Cuidado não remunerado com crianças, idosos ou pessoas doentes.
  3. Pressão profissional para manter desempenho em meio à sobrecarga.
  4. Maior exposição à preocupação constante com segurança, finanças e bem-estar da família.
Além da biologia, a sobrecarga social, a dupla jornada e a carga mental ajudam a explicar por que dormir mal não é exagero, mas um reflexo de desigualdades ainda presentes – depositphotos.com / AntonLozovoy

Como melhorar o sono das mulheres na prática?

Diante desse cenário, especialistas em medicina do sono e saúde pública ressaltam que não se trata apenas de “dormir mais cedo” ou “relaxar antes de deitar”. A qualidade do sono das mulheres passa por medidas individuais, apoio familiar e mudanças estruturais. Em nível pessoal, práticas como manter horário regular para dormir, reduzir o uso de telas à noite, limitar o consumo de cafeína e buscar acompanhamento médico diante de sintomas persistentes são estratégias frequentemente recomendadas.

No dia a dia, algumas ações podem contribuir para um descanso mais adequado:

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  • Distribuição mais equilibrada de tarefas domésticas, envolvendo outros membros da família.
  • Períodos de descanso reais ao longo da semana, sem acúmulo de múltiplas funções no mesmo horário.
  • Atenção aos sinais do corpo, como irritabilidade, sonolência diurna, dificuldade de concentração e dores de cabeça recorrentes.
  • Busca de suporte profissional em casos de insônia prolongada, ansiedade ou sintomas ligados à menopausa.

Estudos citados em debates internacionais sobre o tema indicam que, quando há redistribuição do trabalho doméstico, acesso a serviços de saúde adequados e reconhecimento das especificidades femininas, a diferença na qualidade do sono entre homens e mulheres tende a diminuir. Assim, a ideia de que as mulheres dormem pior não se resume a uma percepção subjetiva, mas reflete um conjunto de condições médicas e sociais que, quando identificadas, podem ser enfrentadas de maneira mais eficaz.

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