Clima

Ciclones extratropicais: como se formam e os riscos para o dia a dia

O termo ciclone extratropical aparece com frequência em alertas meteorológicos, especialmente entre o outono e o inverno, e costuma levantar dúvidas na população. Saiba como ele se forma e os riscos para o dia a dia.

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O termo ciclone extratropical aparece com frequência em alertas meteorológicos, especialmente entre o outono e o inverno, e costuma levantar dúvidas na população. Esse tipo de sistema de baixa pressão está associado a frentes frias, ventos intensos, mudanças bruscas de temperatura e episódios de chuva forte. Ademais, ele é comum em áreas de clima temperado, como o sul da América do Sul, algumas regiões do Brasil, a América do Norte e boa parte da Europa.

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No dia a dia, um ciclone extratropical pode provocar transtornos variados. Entre elas, quedas de energia, alagamentos, interrupção de serviços, suspensão de aulas e dificuldades no transporte aéreo, rodoviário e marítimo. Em alguns casos, a combinação de ventos fortes, mar agitado e solo encharcado aumenta o risco de deslizamentos, enxurradas e ressaca no litoral, exigindo atenção redobrada das autoridades e da população.

Um ciclone extratropical é uma área de baixa pressão atmosférica que se desenvolve fora da faixa tropical – depositphotos.com / Arch88

O que é um ciclone extratropical e como ele se forma?

Um ciclone extratropical é uma área de baixa pressão atmosférica que se desenvolve fora da faixa tropical. Em geral, ele acontece em latitudes médias, onde massas de ar quente e frio se encontram. Assim, esse encontro gera uma região de instabilidade conhecida como frente, em que o ar quente é forçado a subir sobre o ar frio. Assim, à medida que o ar sobe, ele resfria, forma nuvens e pode provocar chuva em larga escala.

A formação costuma seguir um processo organizado. Primeiro surge uma ondulação na faixa de contraste entre ar quente e frio, chamada de frente polar. Em seguida, essa ondulação se intensifica, a pressão cai no centro do sistema e o vento passa a girar ao redor dessa baixa pressão. No Hemisfério Sul, esse giro ocorre no sentido horário; no Hemisfério Norte, no sentido anti-horário. Com o amadurecimento do ciclone extratropical, as frentes fria e quente se aproximam, formando a chamada frente oclusa, etapa em que o sistema tende a perder força até se dissipar.

Fatores como a diferença de temperatura entre o ar quente e frio, a presença de jatos de vento em altitude (os jatos de altos níveis) e a topografia da região podem favorecer a intensificação do ciclone. Quando há forte contraste térmico, o sistema costuma ficar mais organizado e poderoso, elevando o potencial de chuva volumosa e rajadas intensas de vento.

Quais são as principais características e impactos de um ciclone extratropical?

Entre as características típicas de um ciclone extratropical, destacam-se o grande tamanho, a associação com frentes frias e quentes e o campo de ventos distribuído em uma área extensa. Diferentemente de tempestades isoladas, esse tipo de sistema pode afetar simultaneamente diversos estados ou países, alterando o tempo por vários dias.

Os principais impactos observados quando um ciclone extratropical está atuando incluem:

  • Ventos fortes: rajadas que podem ultrapassar 80 km/h em algumas áreas, derrubando árvores, postes e estruturas frágeis.
  • Chuvas intensas: episódios de precipitação contínua ou em faixas concentradas, com risco de alagamentos, enxurradas e transbordamento de rios.
  • Mudanças bruscas de temperatura: entrada rápida de ar frio após a passagem da frente fria associada ao ciclone, causando queda acentuada dos termômetros.
  • Mar agitado e ressaca: ondas altas e forte agitação marítima, especialmente em áreas costeiras expostas ao vento.

No Brasil, os ciclones extratropicais são mais frequentes na Região Sul, mas podem influenciar também o Sudeste e, ocasionalmente, o Centro-Oeste. Eventos recentes, como episódios de ventos muito intensos no litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina entre 2023 e 2024, ilustram como esses sistemas conseguem provocar danos em infraestrutura, suspensão de linhas de energia e dificuldades em portos, aeroportos e rodovias.

Ciclone extratropical e ciclone tropical são a mesma coisa?

A diferença entre ciclone extratropical e ciclone tropical está principalmente no local de formação, na fonte de energia e na estrutura interna. O ciclone tropical, que pode receber nomes como furacão, tufão ou tempestade tropical, forma-se sobre águas quentes, geralmente acima de 26 °C, em latitudes próximas à linha do Equador. Seu “combustível” é o calor liberado pela evaporação e condensação da água do mar.

Já o ciclone extratropical surge em regiões de clima temperado, longe dos trópicos, onde há forte contraste entre massas de ar quente e frio. A principal fonte de energia é justamente essa diferença de temperatura, e não o calor da superfície do oceano. Em termos de estrutura, ciclones tropicais são mais simétricos, apresentam um núcleo quente e, quando bem desenvolvidos, podem exibir um olho bem definido. Os extratropicais, por sua vez, costumam ter formato mais alongado, com frentes frias e quentes bem marcadas e núcleo geralmente frio.

Há situações em que um ciclone tropical enfraquece ao se deslocar para latitudes mais altas e passa por uma transformação chamada “transição extratropical”. Nesses casos, o sistema muda de características, perde o padrão típico de furacão e passa a se comportar como um ciclone extratropical, ainda podendo causar vento forte e chuva intensa, mas com dinâmica diferente.

Em períodos de atuação de um ciclone extratropical, a informação antecipada é um dos principais instrumentos de proteção – depositphotos.com / joasouza

Quais cuidados adotar quando há alerta de ciclone extratropical?

Em períodos de atuação de um ciclone extratropical, a informação antecipada é um dos principais instrumentos de proteção. Órgãos meteorológicos costumam emitir avisos com antecedência, permitindo que a população e as autoridades se organizem. A adoção de medidas simples de prevenção reduz o risco de acidentes e prejuízos materiais.

Entre as orientações gerais de segurança, destacam-se:

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  1. Acompanhar boletins oficiais: seguir atualizações de institutos de meteorologia, defesas civis estaduais e municipais, evitando informações sem fonte confiável.
  2. Reforçar a residência: fechar bem janelas e portas, retirar objetos soltos de varandas e quintais e verificar telhados, calhas e antenas, sempre com segurança.
  3. Evitar áreas de risco: não permanecer em locais sujeitos a alagamentos, margens de rios, encostas instáveis ou regiões litorâneas expostas à ressaca durante o pico do evento.
  4. Cuidar do deslocamento: evitar dirigir em pontos alagados, não atravessar enxurradas a pé ou de veículo e redobrar a atenção em estradas com vento forte.
  5. Preparar itens essenciais: manter lanterna, carregadores, água potável, medicamentos de uso contínuo e contatos de emergência acessíveis em caso de queda de energia ou interrupção de serviços.

Em situações de maior gravidade, as autoridades podem recomendar abrigos temporários ou retirada preventiva em áreas específicas. Seguir essas orientações e manter-se informado ao longo de toda a passagem do sistema contribui para reduzir perdas humanas e materiais, permitindo que a população enfrente a atuação de um ciclone extratropical com maior segurança.

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