Saúde

Por que respirar pela boca pode piorar a falta de ar?

Respirar pela boca piora a falta de ar? Descubra como o nariz filtra, aquece e umedece o ar e por que isso protege sua respiração

Publicidade
Carregando...

Quando surge a sensação de falta de ar, muitas pessoas recorrem imediatamente a respirar pela boca, acreditando que isso facilita a entrada de ar. A dúvida sobre se esse hábito “piora” a respiração é comum, especialmente em situações de ansiedade, crises de asma ou problemas respiratórios. A forma como o ar entra nas vias aéreas realmente faz diferença, porque o nariz e a boca têm funções distintas no processo respiratório.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Em condições normais, a respiração nasal é considerada mais adequada para o organismo, pois o ar inspirado passa por um caminho preparado para receber, filtrar e ajustar esse fluxo de forma mais eficiente. Já a respiração pela boca costuma ser uma resposta do corpo em situações em que há maior demanda de oxigênio ou obstrução nasal, como em resfriados, rinite ou esforço físico intenso. Isso não significa, porém, que respirar pela boca seja sempre perigoso, mas sim que tem particularidades que precisam ser entendidas.

O que acontece com o ar ao passar pelo nariz?

O nariz funciona como um verdadeiro “condicionador de ar” natural. Ao inspirar pelo nariz, o ar é filtrado, umedecido e aquecido antes de chegar aos pulmões. Pequenos pelos e estruturas internas chamadas cornetos nasais ajudam a reter poeira, micro-organismos e partículas suspensas no ambiente. Além disso, a mucosa nasal produz secreção que hidrata o ar, evitando que ele chegue excessivamente seco às vias respiratórias mais profundas.

Esse processo de preparação do ar inspirado tem impacto direto no conforto respiratório. O ar aquecido e úmido irrita menos a garganta, a traqueia e os brônquios. Em pessoas com doenças respiratórias, como asma ou bronquite, essa função de ajuste pode reduzir a chance de desencadear crises. Por isso, muitos profissionais de saúde reforçam a importância de priorizar a respiração pelo nariz sempre que possível, principalmente em repouso.

Na falta de ar, respirar pela boca nem sempre é a causa do problema, mas pode aumentar o desconforto por deixar o ar mais seco e irritar as vias respiratórias. Atenção ao ritmo da respiração – depositphotos.com / imagepointfr

Respirar pela boca causa mais falta de ar?

A pergunta sobre se respirar pela boca aumenta a falta de ar envolve alguns fatores. Respirar pela boca realmente faz com que o ar entre sem passar pelo mesmo processo de filtragem e umidificação do nariz. O ar chega mais seco e, dependendo do ambiente, também mais frio e com mais partículas. Em algumas pessoas, isso pode provocar irritação na garganta, sensação de que o ar “arranha” ao entrar e até tosse, o que pode dar a impressão de que a falta de ar está piorando.

Por outro lado, em situações de esforço intenso ou de obstrução nasal importante, a respiração pela boca é uma forma de o organismo tentar aumentar o volume de ar que entra nos pulmões. Nesses casos, ela não é a causa principal da falta de ar, mas uma consequência da necessidade de mais oxigênio. A sensação de piora muitas vezes está ligada à ansiedade, à respiração muito rápida e superficial e à secura das vias aéreas, e não apenas ao fato de o ar não ser filtrado pelo nariz.

Em crises respiratórias, como em pessoas com asma, bronquite ou doenças cardíacas, a falta de ar está relacionada à dificuldade dos pulmões em realizar as trocas gasosas, ao fechamento de vias aéreas ou a problemas de circulação. Nesses quadros, respirar pela boca não é o fator determinante da falta de ar, embora possa deixar o desconforto maior por causa da secura e da irritação local. Nesses casos, a orientação médica e o uso correto de medicações específicas são fundamentais.

Como respirar melhor em momentos de falta de ar?

Algumas estratégias podem ajudar a tornar a respiração mais eficiente em momentos de desconforto, sempre considerando que, diante de sintomas intensos ou persistentes, é essencial buscar atendimento médico. Uma abordagem comum é tentar recuperar a respiração nasal, quando possível, e desacelerar o ritmo respiratório para evitar hiperventilação.

  • Manter a postura ereta, sentada ou em semiabertura de tronco, facilita a expansão dos pulmões.
  • Inspirações mais lentas, tentando usar o nariz na entrada do ar, ajudam a reduzir a sensação de sufocamento.
  • Expirar pela boca com os lábios semi-serrados (como se estivesse assoprando levemente) pode auxiliar em crises de falta de ar, sobretudo em doenças pulmonares.
  • Ambientes úmidos ou uso de umidificadores podem diminuir a irritação causada pelo ar seco, seja ele inspirado pelo nariz ou pela boca.

Em consultórios e serviços de saúde, profissionais costumam ensinar técnicas de respiração diafragmática e orientam sobre o uso de medicamentos inalatórios quando indicados. Em pessoas com rinite, sinusite crônica ou desvio de septo, o tratamento adequado da obstrução nasal também contribui para que a respiração pelo nariz volte a ser predominante.

Falta de ar frequente não deve ser ignorada. Ajustar a forma de respirar ajuda, mas identificar e tratar a causa é essencial para proteger a saúde respiratória – depositphotos.com / mjth

Respiração bucal contínua traz outros impactos?

Quando a respiração pela boca se torna um hábito permanente, mesmo em repouso, podem surgir outras consequências. Em crianças, por exemplo, a respiração bucal crônica está associada a alterações no crescimento facial, no posicionamento dos dentes e até em padrões de sono. Em adultos, pode haver aumento de ronco, maior ressecamento da boca e maior predisposição a inflamações na garganta.

Da perspectiva da saúde respiratória, a falta de filtragem e umidificação adequada do ar ao longo do tempo pode favorecer irritações frequentes, crises em pessoas com doenças pulmonares pré-existentes e desconforto ao fazer atividades simples. Por isso, quando a pessoa percebe que quase sempre respira pela boca, mesmo sem estar cansada ou resfriada, é recomendável investigação com profissionais como otorrinolaringologista e pneumologista.

Quando buscar ajuda especializada?

Falta de ar que surge em repouso, que piora ao deitar, que aparece de forma súbita ou que vem acompanhada de dor no peito, tontura, lábios arroxeados ou confusão mental exige avaliação imediata. Nesses casos, o foco principal não está na forma de respirar, mas na causa que está dificultando a entrada ou o uso do oxigênio pelo organismo.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Para quem sente falta de ar leve, recorrente, ou percebe desconforto ao respirar pela boca, um acompanhamento em consultas de rotina pode esclarecer se há doenças como asma, DPOC, alergias, rinite, apnea do sono ou alterações cardíacas. A partir daí, podem ser indicadas estratégias para favorecer a respiração nasal, ajustar o ambiente, ensinar técnicas respiratórias e, quando necessário, medicar de forma adequada. Dessa maneira, a forma de inspirar o ar — pelo nariz ou pela boca — passa a ser apenas um dos elementos a serem observados dentro do quadro respiratório como um todo.

Tópicos relacionados:

respirar-pela-boca saude

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay