É mito ou verdade que usar chinelo o tempo todo prejudica os pés e a coluna?
Mito ou verdade: usar chinelo sempre prejudica pés e coluna? Descubra impactos reais, riscos posturais e cuidados para caminhar sem dor
compartilhe
SIGA
O uso constante de chinelo faz parte da rotina de muita gente, especialmente em regiões mais quentes do Brasil. A praticidade, a ventilação dos pés e a facilidade de calçar esse tipo de sandália fazem com que ele seja presença frequente em casa, na rua e até no trabalho informal. Diante desse hábito, uma dúvida recorrente surge: usar chinelo o tempo todo prejudica os pés e a coluna ou essa preocupação é exagerada?
Profissionais de saúde que atuam com ortopedia e fisioterapia costumam avaliar a relação entre o tipo de calçado e a postura do corpo. O formato do chinelo tradicional, geralmente reto, fino e sem estrutura de sustentação, levanta questionamentos sobre o impacto em articulações, músculos e na chamada “cadeia” que começa nos pés e pode refletir nos joelhos, quadris e região lombar. A discussão envolve tanto o tempo de uso quanto o modelo escolhido.
Usar chinelo o tempo todo prejudica os pés e a coluna?
Entre especialistas, há um ponto de consenso: o chinelo comum, de sola muito plana e sem apoio adequado, não foi pensado para uso prolongado ao longo do dia. Quando a pessoa passa muitas horas com esse tipo de sandália, os pés tendem a trabalhar mais para manter o calçado preso, o que pode gerar esforço adicional em músculos e tendões. Em alguns casos, esse padrão favorece desconfortos como dor na sola do pé, cansaço nas pernas e sensação de peso na lombar.
Isso não significa que o simples ato de usar chinelo causa, por si só, deformidades ou doenças graves na coluna. O risco maior aparece quando o uso excessivo se soma a outros fatores, como sobrepeso, falta de fortalecimento muscular, histórico de problemas ortopédicos ou atividades que exigem ficar longos períodos em pé. Nessas situações, o calçado sem estrutura pode agravar desequilíbrios já existentes na pisada e na postura.
O mito de que todo chinelo “estraga” a coluna não se sustenta de forma absoluta, mas há elementos reais que explicam a recomendação de evitar o uso contínuo. Modelos sem amortecimento, sem suporte para o arco do pé e com tiras muito frouxas tendem a oferecer menos estabilidade, o que altera a forma de caminhar. Pequenas compensações na marcha, repetidas diariamente, podem refletir em dor ou sobrecarga em articulações.
Quais são os principais riscos do uso excessivo de chinelo?
Quando o uso do chinelo vira padrão em quase todas as atividades, alguns problemas podem se tornar mais frequentes. Entre os mais citados por profissionais estão:
- Dores na planta do pé, sobretudo em pessoas com pisada muito plana ou com arco plantar alto;
- Fascite plantar, inflamação na fáscia que sustenta a sola do pé, associada a impacto repetitivo em superfícies duras;
- Desconforto nos joelhos, pela falta de alinhamento adequado entre pé, perna e coluna;
- Tensão na região lombar, resultado de postura alterada e de musculatura fadigada;
- Instabilidade e risco de torção, já que muitos chinelos não firmam o tornozelo.
Além disso, como o chinelo costuma deixar os pés expostos, há maior chance de pequenos traumas, cortes, tropeços e escorregões, principalmente em pisos molhados. Em ambientes de trabalho que exigem deslocamento constante, essa combinação de exposição e pouca sustentação pode aumentar o risco de quedas.
Como escolher um chinelo que proteja melhor pés e coluna?
Para quem não abre mão do chinelo, a escolha do modelo faz diferença. Alguns critérios ajudam a reduzir a sobrecarga nos pés e na coluna:
- Verificar o suporte do arco plantar: modelos com leve curvatura na sola e apoio para o arco distribuem melhor o peso do corpo;
- Examinar a espessura e o material da sola: uma sola com amortecimento moderado, nem rígida nem excessivamente mole, absorve melhor o impacto;
- Observar a firmeza das tiras: tiras que deixam o pé bem encaixado reduzem o esforço dos dedos para segurar o chinelo;
- Testar a estabilidade: ao caminhar, o calçado não deve “dobrar” demais nem escapar do calcanhar;
- Conferir o tamanho adequado: o pé não deve ultrapassar a borda da sandália, o que aumenta o risco de tropeços.
Alguns fabricantes oferecem chinelos anatômicos, com formato pensado para acompanhar a curvatura natural dos pés. Embora não substituam calçados esportivos ou sapatos com estrutura mais completa, esses modelos tendem a gerar menos impacto quando usados por períodos moderados.
Em quais situações o chinelo deve ser evitado?
Há cenários em que especialistas costumam indicar alternativas mais estáveis do que o chinelo tradicional. Entre essas situações, destacam-se:
- Atividades físicas, como caminhadas longas, corridas ou exercícios de impacto;
- Trabalhos que exigem ficar horas em pé, em comércio, cozinha ou indústria;
- Histórico de problemas nos pés, como esporão de calcâneo, fascite plantar, joanetes acentuados ou diabetes com perda de sensibilidade;
- Ambientes com risco de queda, incluindo escadas, rampas íngremes e superfícies escorregadias;
- Recuperação de lesões em joelho, tornozelo, quadril ou coluna.
Nesses casos, calçados fechados, com contraforte firme no calcanhar, melhor aderência ao solo e maior controle de movimento costumam ser priorizados. Em algumas situações específicas, o uso de palmilhas personalizadas ou de calçados ortopédicos também é considerado por profissionais de saúde.
Qual é o equilíbrio possível no uso de chinelo?
O debate sobre se é mito ou verdade que usar chinelo o tempo todo prejudica os pés e a coluna aponta para uma resposta intermediária. O problema não está apenas no chinelo em si, mas na combinação entre tipo de calçado, tempo de uso, características do corpo e contexto de atividade. Em geral, o uso moderado, em situações de descanso, dentro de casa ou em percursos curtos, tende a ser mais bem tolerado pela maior parte das pessoas.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Para quem sente dor recorrente nos pés, joelhos ou coluna, o ideal é observar se há relação entre o desconforto e o período em que o chinelo é utilizado. Caso os sintomas se intensifiquem com esse tipo de calçado, a indicação mais comum é alternar com opções mais estruturadas e buscar avaliação profissional. Assim, o hábito de usar chinelo pode ser ajustado de forma mais segura e alinhada às necessidades de cada organismo.