Quando você montou sozinho um móvel, pode acabar enxergando mais valor nele do que enxergaria em uma peça idêntica feita por outra pessoa. Esse viés é chamado de efeito IKEA. O esforço investido pode tornar a criação mais especial aos seus olhos, sobretudo quando a tarefa termina com sucesso e deixa um resultado claro.
Por que algo que você montou sozinho pode parecer melhor?
O efeito IKEA descreve a tendência de valorizar mais aquilo em cuja construção participamos. A Wikipédia resume o fenômeno como uma valorização desproporcional de produtos que a própria pessoa ajudou a criar ou montar.
O ponto não é apenas possuir o objeto. Existe uma ligação entre trabalho realizado, sensação de autoria e avaliação. Quando você participa do processo, a peça deixa de ser apenas um item pronto e passa a carregar uma lembrança concreta do que foi feito.

O que os estudos mostram sobre o efeito IKEA?
Publicado no periódico Cognition, o estudo When and how does labour lead to love? The ontogeny and mechanisms of the IKEA effect encontrou valorização maior de criações próprias em comparação com cópias idênticas feitas por outras pessoas.
Os resultados também mostraram que propriedade e esforço não explicam sozinhos todo o fenômeno em crianças. Isso sugere que a conexão com a própria criação pode envolver o modo como o objeto passa a fazer parte da percepção que a pessoa tem sobre aquilo que produziu.
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Em que situações esse viés pode aparecer no cotidiano?
O efeito não precisa envolver móveis. Ele pode surgir sempre que existe participação na criação de algo que depois será avaliado. Quanto mais pessoal parece o resultado, maior a chance de a pessoa enxergar qualidades que alguém de fora talvez não perceba.
Alguns exemplos comuns incluem:
- Móveis: uma estante montada em casa pode parecer especialmente boa para quem a construiu.
- Artesanato: uma peça feita à mão ganha valor sentimental e subjetivo.
- Receitas: um prato preparado do zero pode parecer melhor para quem cozinhou.
- Projetos: ideias desenvolvidas pessoalmente podem receber avaliações mais generosas do próprio autor.

Por que concluir a tarefa faz diferença para essa valorização?
A APA Dictionary of Psychology reúne o conceito de justificação do esforço, ligado à tendência de atribuir mais valor a resultados que exigiram trabalho. No efeito IKEA, porém, a conclusão bem-sucedida da tarefa aparece como um ponto importante.
Quando o objeto fica pronto, existe um resultado visível do próprio esforço. Se a montagem fracassa ou permanece incompleta, essa sensação de realização pode enfraquecer, reduzindo a chance de o produto receber a mesma valorização especial.
O efeito IKEA significa que o objeto realmente ficou melhor?
Não necessariamente. O viés atua sobre a avaliação subjetiva, não sobre a qualidade técnica do que foi produzido. Um móvel pode continuar torto, simples ou igual a outro, mesmo que quem o montou sinta maior apego e perceba mais valor nele.
Por isso, lembrar que você montou sozinho ajuda a entender por que certas criações parecem especiais. O esforço pode mudar a forma como você enxerga o resultado, mas a percepção de valor pessoal não é a mesma coisa que uma avaliação externa de acabamento, utilidade ou qualidade.
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