Em Sydney, o Atlassian Central chegou ao topo com uma combinação pouco comum para um arranha-céu: madeira engenheirada, aço e concreto. O arranha-céu de madeira alcança cerca de 180 metros, terá 39 pavimentos e incorpora aproximadamente 10 mil m³ de madeira distribuídos pela estrutura híbrida principal.
Como um arranha-céu de madeira consegue chegar a 180 metros?
O segredo está em não depender de um único material. O Atlassian Central combina núcleo de concreto, estrutura externa de aço e elementos de madeira engenheirada, formando um sistema no qual cada material assume a tarefa em que apresenta melhor desempenho.
Essa combinação permite levar a madeira estrutural a uma escala muito superior à de edifícios convencionais feitos principalmente com esse material. Em vez de substituir completamente aço e concreto, o projeto usa os três de maneira coordenada para controlar cargas, rigidez e montagem ao longo dos 39 pavimentos.

Onde entram os 10 mil m³ de madeira engenheirada?
A madeira aparece principalmente em grandes zonas internas organizadas como habitats de vários pavimentos. O site oficial do Atlassian Central descreve a torre como uma estrutura híbrida, enquanto os dados do projeto apontam para cerca de 10 mil m³ de madeira instalados.
Entre os componentes usados estão peças laminadas coladas e painéis estruturais produzidos em fábrica. Isso permite maior precisão dimensional e montagem planejada no canteiro, uma característica importante quando milhares de elementos precisam se encaixar junto ao aço e ao concreto sem perder o ritmo vertical da obra.
Como madeira, aço e concreto dividem o trabalho estrutural?
A torre usa uma lógica de especialização. O concreto ajuda a formar o núcleo rígido, o aço trabalha no exoesqueleto e a madeira compõe partes dos pavimentos e áreas de convivência. O resultado é uma estrutura híbrida que mantém a presença visual da madeira sem abrir mão de sistemas tradicionais.
Em termos simples, a divisão estrutural fica assim:
- Concreto: participa do núcleo e de pontos que exigem grande rigidez.
- Aço: forma o exoesqueleto que ajuda a estabilizar a torre.
- Madeira: aparece em vigas, pilares e lajes de áreas estruturais específicas.
- Vidro: fecha a fachada e mantém iluminação natural nos ambientes.
- Vegetação: integra áreas abertas e terraços ao longo da torre.

Por que esse edifício exigiu tantas aprovações e ajustes de projeto?
Um prédio desse porte precisa compatibilizar estrutura, segurança, fachada, circulação, patrimônio e uso urbano. O portal de planejamento de New South Wales registra o empreendimento como desenvolvimento de relevância estadual e reúne sucessivas modificações aprovadas durante sua evolução.
Isso ajuda a explicar por que a inovação material não acontece isoladamente. O arranha-céu de madeira precisou encaixar sua solução híbrida em requisitos de um grande edifício comercial, ao mesmo tempo em que incorpora uma construção histórica existente e se conecta a uma área central de transporte.
O que o recorde de altura muda para a construção com madeira?
Chegar a aproximadamente 180 metros desloca a madeira engenheirada de um nicho de edifícios médios para a escala dos grandes centros urbanos. O marco não elimina aço e concreto, mas mostra que a madeira pode assumir uma parcela estrutural muito maior quando o projeto é pensado como sistema combinado.
O maior legado do edifício pode estar justamente nessa combinação. Ao reunir 39 pavimentos, estrutura híbrida e montagem industrializada, a torre cria uma referência prática para projetos que buscam usar mais madeira sem tratar o material como solução única para todos os desafios de um arranha-céu.
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