Na necrópole real de Tânis, arqueólogos encontraram 225 estatuetas funerárias preservadas na lama ao lado de um sarcófago anônimo. As inscrições ligaram o conjunto ao faraó Shoshenq III, da 22ª dinastia, permitindo identificar o proprietário do sarcófago e revisar a história de uma câmara funerária conhecida desde 1939.
Onde estavam escondidas as 225 estatuetas de Tânis?
A equipe trabalhava na necrópole real de Tânis, no delta do Nilo, durante ações de limpeza e conservação. As peças apareceram numa sala da tumba de Osorkon II, concentradas numa fossa junto a um sarcófago anônimo de granito rosa que já era conhecido pelos arqueólogos.
O local integra uma das áreas funerárias mais importantes do Egito antigo. Tânis foi capital durante parte do Terceiro Período Intermediário e ficou famosa pelas tumbas reais descobertas por Pierre Montet no fim da década de 1930.

Como as estatuetas permitiram identificar o sarcófago?
Os 225 objetos são ouchebtis, pequenas figuras funerárias colocadas nos sepultamentos para servir simbolicamente ao morto no além. Nesse caso, as inscrições presentes nas peças traziam o nome de Shoshenq III, criando uma associação direta entre o conjunto funerário e o faraó da 22ª dinastia.
A EPHE-PSL afirma que a identificação confirma Shoshenq III como proprietário do sarcófago e dos vestígios funerários próximos. Novas inscrições encontradas na própria câmara reforçam a conclusão e ajudam a reconstruir a sequência de enterramentos reais em Tânis.
Por que encontrar as peças em posição original foi tão importante?
As estatuetas estavam preservadas numa camada de lama acumulada durante milênios. Segundo a equipe, elas permaneceram em seu local de deposição original, próximas ao sarcófago. Isso reduz a possibilidade de que tenham sido simplesmente deslocadas de outra sepultura em épocas posteriores.
Esse contexto transforma o conjunto em evidência arqueológica mais forte do que peças isoladas. A associação entre nome, posição e sarcófago permite reconstruir um evento funerário específico. Cerâmica e contas encontradas ao lado também entram nessa mesma interpretação, formando parte do mobiliário ligado ao rei.
A seguir listamos 4 evidências que sustentam a identificação e mostram por que as estatuetas mudaram a interpretação da câmara funerária:
- 225 ouchebtis: o grande conjunto apareceu concentrado junto ao sarcófago anônimo.
- Nome do faraó: as inscrições nas figuras identificam diretamente Shoshenq III.
- Posição original: as peças permaneceram no contexto funerário em que foram depositadas.
- Novas inscrições: textos descobertos na câmara reforçam a mesma atribuição ao soberano.

Por que a descoberta muda a história da tumba de Osorkon II?
Shoshenq III já possuía outra tumba com seu nome em Tânis, o que havia levado pesquisadores a imaginar que ali estaria seu sepultamento. As novas evidências sugerem que ele pode nunca ter sido enterrado nessa estrutura e acabou sepultado numa câmara associada ao predecessor Osorkon II.
Isso ajuda a explicar por que o sarcófago de granito permanecia anônimo apesar de décadas de estudo. A nova leitura mostra que uma mesma necrópole podia passar por rearranjos complexos, com câmaras reutilizadas e projetos funerários alterados durante a sucessão dos reis.
A seguir listamos 3 consequências históricas da descoberta que mostram por que identificar o dono do sarcófago altera mais do que apenas o nome de uma peça:
| Evidência | O que foi encontrado | Impacto |
|---|---|---|
| Ouchebtis | 225 estatuetas inscritas | Nome de Shoshenq III |
| Contexto | Peças em posição original | Ligação direta com o sarcófago |
| Câmara funerária | Novas inscrições | Revisão da história da necrópole |
O que os 225 ouchebtis revelam sobre Shoshenq III?
O conjunto também permite estudar práticas funerárias e organização de oficinas. As estatuetas foram produzidas em faiança silicosa e aparecem em diferentes categorias, incluindo trabalhadores e supervisores. Essa padronização ajuda a investigar recursos, produção artesanal e ideias religiosas da corte durante o reinado do faraó.
Os 225 ouchebtis de Tânis transformaram uma câmara conhecida havia décadas em uma descoberta nova. Preservadas pela lama, as peças devolveram identidade a um sarcófago anônimo e mostraram que revisar sítios já escavados pode ser tão revelador quanto abrir uma área inédita.
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