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Uma meia listrada de 1.700 anos revelou como apenas três corantes produziam pelo menos seis cores

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
05/09/2026
Em Curiosidades, Notícias
A variedade de tons não dependia de uma grande quantidade de pigmentos diferentes

A variedade de tons não dependia de uma grande quantidade de pigmentos diferentes

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Uma meia infantil de lã, encontrada em Antinoópolis, no Egito, data dos séculos III a IV e está catalogada no British Museum como EA53913.↓ Ver no artigo
A peça de 1.700 anos apresenta seis ou sete cores, incluindo faixas vermelhas, roxas, verdes, azuis, amarelas e alaranjadas.↓ Ver no artigo
Garança, índigo e reseda forneciam vermelho, azul e amarelo; misturas, banhos sucessivos e concentrações variadas ampliavam a paleta.↓ Ver no artigo

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EM FOCO
Resumo da matéria
01
Seis ou sete cores
A meia infantil combina faixas verdes, vermelhas, roxas, azuis, amarelas e alaranjadas em lã trabalhada numa técnica de laçadas.
paleta ampla
02
Três corantes principais
Garança, índigo e reseda foram combinados, concentrados ou aplicados em etapas diferentes para ampliar a quantidade de tonalidades disponíveis.
paleta pequena
03
Imagem antes da amostra
A análise multiespectral mapeou áreas de cor de forma não invasiva e ajudou a escolher poucos pontos para exames químicos posteriores.
estudo direcionado

Uma meia listrada de 1.700 anos encontrada no Egito conserva seis ou sete cores feitas com poucos corantes naturais. Imagens multiespectrais mapearam os fios sem retirar material nessa etapa, e microamostras posteriores confirmaram combinações de garança, índigo e reseda capazes de ampliar a paleta.

Onde essa meia listrada de 1.700 anos foi encontrada?

A peça veio de Antinoópolis, antiga cidade do Egito. Trata-se de uma meia infantil para o pé esquerdo, com separação do dedão, feita em lã por uma técnica de laçadas. A datação por radiocarbono a coloca entre os séculos III e IV.

O catálogo do British Museum registra a peça como EA53913 e descreve seis ou sete cores nos fios. Faixas alaranjadas, roxas, verde-azuladas, vermelhas, verdes, azuis e amarelas mostram uma paleta visual muito maior do que o número de corantes básicos usados.

Combinações e técnicas de tingimento permitiam ampliar a paleta disponível para quem produzia tecidos

Como as imagens especiais estudaram a meia sem retirar material?

A equipe usou imagem multiespectral, técnica que fotografa a peça sob faixas diferentes de luz, incluindo ultravioleta e infravermelho. Como cada corante reflete, absorve ou emite luz de maneira própria, as imagens criam mapas que ajudam a distinguir áreas visualmente parecidas sem remover fibras nessa primeira etapa.

O estudo deixou claro, porém, que a identificação final não foi totalmente sem amostragem. As imagens e a espectroscopia orientaram uma coleta pequena e direcionada de fibras para exames como cromatografia. Assim, o método não invasivo reduziu e planejou as microamostras em vez de eliminar todos os testes físicos.

Como apenas três corantes criaram tantas cores diferentes?

A garança fornece tons vermelhos, o índigo produz azul e a reseda oferece amarelo. Ao combinar azul e amarelo, os artesãos podiam chegar a verdes; azul com vermelho produzia roxos ou tons escuros. Concentração, número de banhos e ordem das aplicações também mudavam o resultado final.

A meia mostra ainda técnicas mais sutis. Alguns fios parecem ter recebido mais de um banho de tingimento, enquanto outros foram feitos torcendo fibras de cores diferentes. Uma mesma matéria-prima podia, portanto, gerar faixas visualmente distintas sem exigir uma planta tintorial exclusiva para cada cor.

A seguir listamos 4 estratégias de tingimento que ajudaram os artesãos a ampliar a paleta disponível com poucos corantes:

  • Mistura de corantes: azul, amarelo e vermelho podiam gerar verdes, roxos e tons intermediários.
  • Banhos sucessivos: o mesmo fio podia receber mais de uma aplicação em etapas diferentes.
  • Concentração variável: mais ou menos corante alterava intensidade e profundidade do tom.
  • Fios combinados: fibras tingidas separadamente podiam ser torcidas para criar aparência mista.

Leia também: Uma pá de carvalho feita de uma única peça permaneceu preservada por 3.500 anos em um terreno encharcado

A peça preservada oferece uma visão rara de como cores eram planejadas em objetos usados no cotidiano

Por que a análise multiespectral foi importante para uma peça tão antiga?

Têxteis arqueológicos são frágeis e não podem ser recortados livremente. A imagem multiespectral permitiu visualizar padrões invisíveis a olho nu e selecionar pontos em que uma microamostra realmente acrescentaria informação. Isso reduz intervenções desnecessárias e preserva maior parte do objeto.

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O método também mostrou diferenças entre faixas que pareciam quase iguais sob luz comum. Regiões roxas, verdes e azuis reagiam de forma distinta no ultravioleta ou infravermelho, permitindo testar hipóteses sobre misturas de corantes antes das análises químicas mais invasivas.

A seguir listamos 3 etapas da investigação que mostram como imagem, espectroscopia e microanálise trabalharam juntas:

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DADOS EM FOCO
Como três corantes viraram várias cores
Resumo dos corantes naturais e das cores criadas na meia de Antinoópolis
Corante Cor de base Possibilidades
Garança Vermelho Vermelhos, alaranjados e misturas com azul
Índigo Azul Azuis, verdes e roxos em combinação
Reseda Amarelo Amarelos e verdes quando combinada com azul

O que essa meia revela sobre os tintureiros do Egito antigo?

A peça mostra que uma paleta rica não dependia de dezenas de pigmentos. Os artesãos dominavam combinações, concentrações e sequências de tingimento, criando muitas aparências a partir de poucas fontes naturais. O trabalho exigia conhecimento prático sobre como cada banho reagia com a lã.

A meia listrada de 1.700 anos preserva, assim, mais do que cores bonitas. Ela registra uma técnica sofisticada de fabricação em que três corantes principais podiam ser manipulados para produzir seis ou sete tons visíveis, revelando a criatividade dos tintureiros da Antiguidade Tardia no Egito.

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Tags: arqueologiacorantesEgitotecidos

Comentários 4

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