Uma entrega recebida na porta de casa parecia exigir apenas uma confirmação rápida. O homem que levou os produtos pediu uma fotografia do rosto da moradora e apresentou o pedido como parte normal do serviço. Depois, a imagem apareceu ligada a operações bancárias que ela nunca havia autorizado.
Como o falso entregador conseguiu a foto da aposentada?
O homem apareceu na casa da mulher fingindo ser entregador. Depois de entregar alguns itens, pediu uma imagem do rosto e afirmou que precisava confirmar o recebimento.
O caso foi analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A fotografia foi obtida fora de um ambiente bancário, sem que a aposentada soubesse que poderia ser usada no golpe da biometria facial.

O que os criminosos fizeram depois da fotografia?
Os golpistas contrataram seis empréstimos, realizaram transferências por Pix e retiraram o dinheiro da aposentadoria. O prejuízo total ficou próximo de R$ 50 mil.
A vítima percebeu o problema quando foi a uma agência para receber o benefício e encontrou a conta sem o valor esperado. As operações tinham perfil muito diferente do uso normal da cliente.
Quais cuidados ajudam a evitar esse tipo de golpe?
O Banco Central alerta que criminosos podem pedir uma selfie sob a desculpa de finalizar uma entrega ou confirmar um cadastro. Entregas comuns não devem exigir acesso a senhas, documentos bancários ou movimentos específicos do rosto.
- Foto inesperada: não aceite sem confirmar a exigência diretamente com a loja ou o aplicativo.
- Movimentos do rosto: não pisque, sorria ou vire a cabeça seguindo ordens de desconhecidos.
- Documentos: não entregue RG, CPF, cartão ou comprovante para uma fotografia.
- Celular do entregador: não olhe fixamente para a câmera se o pedido não estava previsto.
- Aplicativo oficial: confirme o recebimento apenas pelo canal usado na compra.
- Dúvida: encerre o atendimento e entre em contato com a empresa responsável.
Por que o banco foi responsabilizado pela fraude?
O tribunal afastou a alegação de culpa exclusiva da aposentada. A decisão destacou que ela não entregou senha nem forneceu voluntariamente a fotografia para contratar operações financeiras.
O relator também afirmou que uma selfie, usada sozinha e de forma isolada, não bastava para comprovar a validade dos empréstimos. O banco não apresentou provas suficientes de que a cliente realmente havia autorizado os negócios.
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O que a Justiça mandou cancelar e devolver?
O Núcleo de Justiça 4.0 em Segundo Grau manteve a sentença da 4ª Vara Cível de Mauá. A votação foi unânime.
O que fazer depois de fornecer uma foto suspeita?
Entre em contato imediatamente com o banco pelos canais oficiais, troque senhas e verifique empréstimos, Pix, novos dispositivos e alterações cadastrais. Também registre boletim de ocorrência e guarde os comprovantes da entrega.
O Banco Central orienta vítimas do falso entregador a comunicar a instituição financeira e contestar as operações. Quanto mais cedo a fraude for informada, maiores são as chances de bloquear novas movimentações.




