Os Manuscritos do Mar Morto voltaram ao centro das atenções com um novo projeto científico internacional que pretende esclarecer onde esses textos antigos foram produzidos e copiados, usando tecnologias como análises químicas avançadas e inteligência artificial. Em meio a essa investigação ampla, um elemento da coleção mantém um lugar à parte: o enigmático pergaminho de cobre, que descreve um suposto tesouro escondido e continua cercado de mistérios arqueológicos e históricos.
O que é o enigmático tesouro do pergaminho de cobre
No centro das discussões sobre os Manuscritos do Mar Morto, o chamado tesouro do pergaminho de cobre se destaca pela singularidade. Diferentemente da maioria dos manuscritos encontrados em Qumran, produzidos em pergaminho ou papiro, esse documento foi gravado em lâminas de cobre, evidenciando uma clara intenção de durabilidade e proteção do conteúdo.
Descoberto em 1952, em uma caverna próxima ao sítio arqueológico de Khirbet Qumran, o pergaminho estava tão rigidamente enrolado que foram necessários anos para desenvolver uma técnica que permitisse sua abertura. No fim, o objeto precisou ser cortado em pequenas seções de metal, revelando um surpreendente mapa do tesouro com referências a cofres, metais preciosos e esconderijos detalhados.

Como o novo projeto científico estuda os Manuscritos do Mar Morto
O projeto, financiado pelo Conselho Europeu de Investigação e liderado pelo professor Mladen Popovic, da Universidade de Groningen, prevê o estudo detalhado de cerca de 250 amostras dos Manuscritos do Mar Morto. Em parceria com a Autoridade de Antiguidades de Israel, o grupo pretende formar um grande banco de dados sobre a produção e circulação desses textos ao longo de mais de dois mil anos.
Para isso, serão usados métodos de ponta, combinando análise química, paleografia, codicologia e recursos de IA para rastrear a origem dos materiais e das técnicas de escrita. O foco recai especialmente sobre os suportes orgânicos e as tintas, que podem indicar clima, rotas de comércio e possíveis oficinas de escribas na Antiguidade.
Por que o mapa do tesouro de cobre ficou fora da nova pesquisa
Uma das particularidades do pergaminho de cobre é que ele ficará de fora do grande projeto que pretende rastrear a origem dos Manuscritos do Mar Morto. Enquanto pergaminhos de couro e papiro permitem análises específicas sobre composição e fabricação, o suporte metálico exige outra abordagem, mais próxima da arqueometalurgia, que foge ao escopo atual da investigação.
Segundo a Autoridade de Antiguidades de Israel, o foco principal é explorar dados preservados em materiais orgânicos e tintas, capazes de revelar ambiente, intercâmbios comerciais e práticas escriturísticas. Assim, o mapa do tesouro em cobre permanece como peça isolada, com origem, datação precisa e autoria ainda sem consenso acadêmico.

O que o pergaminho de cobre revela sobre o tesouro descrito
O texto do pergaminho de cobre é redigido em hebraico, mas não segue o padrão de obras religiosas da época. Ele emprega um vocabulário técnico incomum, ligado a medidas, objetos de valor e referências geográficas específicas, o que torna a tradução e a interpretação ainda mais desafiadoras até para especialistas em línguas antigas.
Para entender melhor esse tesouro, pesquisadores destacam alguns elementos centrais descritos no documento, que ajudam a dimensionar a escala e a natureza desse conjunto de riquezas supostamente ocultas:
- Referências a ouro, prata e moedas em quantidades expressivas.
- Lista extensa de esconderijos, numerados ou descritos de forma sequencial.
- Uso de antigas medidas de peso, como talentos.
- Indicação de vales, degraus, cavernas e possíveis espaços sagrados ou fortificados.
O tesouro do pergaminho de cobre ainda pode ser encontrado hoje
Décadas após a abertura do pergaminho de cobre, nenhuma escavação confirmou de forma conclusiva a localização do tesouro descrito. As paisagens mudaram, referências geográficas podem ter sido apagadas por erosão e urbanização, e muitos estudiosos cogitam que parte ou todo o tesouro já tenha sido recuperado na Antiguidade, ou que o texto registre mais um plano de ocultação do que um inventário literal.
Ainda assim, o tesouro do pergaminho de cobre continua a instigar expedições arqueológicas, debates acadêmicos e o imaginário popular, ao revelar como fé, poder econômico e segurança se entrelaçavam na Antiguidade. Se você se interessa por mistérios históricos e quer ver esse tema avançar, este é o momento de acompanhar novas pesquisas, apoiar projetos sérios de arqueologia e divulgar esse enigma fascinante antes que novas pistas se percam para sempre.




