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Reforma trabalhista: Ela foi demitida por comparar seu salário com o de seus colegas, e o tribunal ordenou que ela fosse indenizada em quase R$ 71.000

Vanessa Tavares Por Vanessa Tavares
25/06/2026
Em Notícias
Reforma trabalhista: Ela foi demitida por comparar seu salário com o de seus colegas, e o tribunal ordenou que ela fosse indenizada em quase R$ 71.000

Funcionária recebe indenização após denunciar desigualdade salarial

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Descobrir que colegas homens, na mesma função, ganham bem mais do que você já seria motivo de indignação. Pior ainda é ser demitida justamente por reivindicar essa diferença perante a empresa. Um caso recente julgado na Europa reabriu o debate sobre até onde vai a proteção legal de quem denuncia desigualdade salarial, e a comparação com as regras brasileiras revela caminhos bem diferentes para situações parecidas.

O que aconteceu no caso que chegou à Justiça espanhola?

Uma funcionária, responsável pelo departamento financeiro de uma empresa ligada a um banco, descobriu que colegas homens na mesma função recebiam salários significativamente maiores. Ao reivindicar a equiparação internamente e, depois, apresentar registros de pagamento dos colegas como prova, ela foi demitida pela empresa.

O caso chegou a tribunais superiores europeus, que analisaram justamente se a demissão configurava retaliação direta contra quem busca igualdade salarial, segundo detalha análise jurídica publicada pelo professor Eduardo Rojo, catedrático de Direito do Trabalho.

O tribunal decidiu que a demissão foi um ato direto de retaliação. Portanto, ordenou o pagamento de uma indenização de € 12.000 (quase R$71.000 convertidos em real)  por violação de direitos.

Justiça reconhece retaliação contra trabalhadora que cobrou igualdade salarial

Como a lei espanhola protege quem denuncia diferença salarial?

Na Espanha, a Lei 15/2022, integral para a igualdade de trato, classifica qualquer retaliação contra quem reivindica direitos de igualdade como conduta proibida, conforme estabelece o próprio texto publicado no Boletim Oficial do Estado. O Estatuto dos Trabalhadores complementa essa proteção, declarando nula qualquer demissão motivada por discriminação.

Essa nulidade tem peso jurídico forte: diferente de uma simples indenização, ela obriga a empresa a readmitir a trabalhadora, com pagamento dos salários referentes a todo o período de afastamento. Casos graves de discriminação salarial já resultaram em indenizações que superam os 60 mil euros, segundo especialistas em direito laboral espanhol.

Como funciona a proteção equivalente na legislação brasileira?

O Brasil também tem regras específicas sobre o tema, mas com mecanismo de proteção diferente. A base é o artigo 461 da CLT, em vigor desde 1943, reforçado pela Lei 14.611/2023, conhecida como Lei da Igualdade Salarial, segundo confirma o Ministério do Trabalho e Emprego.

Demissão após pedido de equiparação salarial termina com indenização

Empresas com 100 ou mais empregados precisam publicar relatórios semestrais de transparência salarial. Quando identificada discriminação por sexo, raça, etnia, origem ou idade, a empresa responde por multa administrativa de até dez vezes o valor do novo salário devido, sem prejuízo de eventual indenização por danos morais.

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Quais as principais diferenças entre os dois sistemas legais?

Comparar os dois modelos ajuda a entender melhor onde cada país prioriza a proteção da pessoa trabalhadora. Antes de detalhar essas diferenças, vale destacar que ambos compartilham o princípio de igual remuneração para trabalho de igual valor.

AspectoEspanhaBrasil
Demissão por retaliaçãoNula, com readmissão obrigatóriaIndenização por danos morais
Multa por discriminação salarialVaria por sentença judicialAté 10 vezes o salário devido
Transparência salarial obrigatóriaEmpresas com mais de 250 empregadosEmpresas com 100 ou mais empregados

Esse tipo de processo é comum também na Justiça do Trabalho brasileira: em 2022, mais de 36 mil ações sobre equiparação salarial foram ajuizadas no país, segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho. Relatórios oficiais do Ministério do Trabalho também apontam que mulheres ganham, em média, 20,9% menos que homens em empresas com 100 ou mais funcionários.

Antes de qualquer ação formal, alguns passos ajudam a reunir embasamento sólido para uma reivindicação desse tipo. Veja o que considerar caso você suspeite de diferença salarial injustificada:

  • Verifique se a empresa publica relatório de transparência salarial, quando obrigatória
  • Documente funções, responsabilidades e tempo de empresa de forma detalhada
  • Registre formalmente a reclamação junto ao RH ou canal de denúncias interno
  • Busque orientação de um advogado trabalhista antes de qualquer exposição de dados sigilosos

Vale a pena conhecer esses direitos antes que uma situação parecida aconteça?

Tanto na Espanha quanto no Brasil, a lei já reconhece que reivindicar igualdade salarial é direito protegido, mesmo quando a empresa reage de forma hostil. Conhecer essas garantias fortalece quem suspeita estar recebendo menos por motivos que nada têm a ver com desempenho profissional.

Se você já se perguntou se ganha menos do que deveria pela mesma função, pesquisar sobre relatórios de transparência salarial da sua empresa pode ser um bom primeiro passo.

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Tags: demissãoreforma trabalhistasalário

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