Luserna, conhecida em cimbriano como Lusérn, tem 263 moradores, fica a 1.333 metros de altitude nos Alpes italianos e está com vagas. A Província Autônoma de Trento, no norte da Itália, lançou em 2025 o programa “Revitalização de Áreas Geográficas em Risco de Abandono” com um fundo de €10 milhões, distribuídos igualmente entre 2025 e 2026. O incentivo chega a €100 mil por candidato, dividido entre subsídio para compra do imóvel e verba para reforma. Luserna é uma das 33 comunas elegíveis do programa, confirmado no portal oficial da Província de Trento, e ganhou repercussão internacional em março de 2025.
Como o subsídio de €100 mil é estruturado e o que ele cobre?
O valor máximo não é um cheque único, mas dois componentes separados. Até €20 mil cobrem parte do custo de aquisição do imóvel, calculados para representar entre 35% e 40% do preço de compra esperado nas comunas elegíveis. Os outros €80 mil cobrem até 40% dos custos de reforma em centros históricos, ou 35% em outras áreas, com teto de €200 mil em obras elegíveis. Os recursos são não reembolsáveis, ou seja, não precisam ser devolvidos desde que as condições sejam cumpridas.
A condição central é residir ou alugar o imóvel por no mínimo 10 anos após a conclusão das obras. Quem não cumprir o prazo fica sujeito à devolução integral do subsídio. As janelas de candidatura de 2026 são de 19 de maio a 30 de junho e de 8 de setembro a 23 de outubro, conforme o calendário publicado pela Província.

Quem pode se candidatar e brasileiros têm acesso ao programa?
O programa foi desenhado inicialmente para residentes da Itália e italianos no exterior. Para estrangeiros sem cidadania italiana, o requisito fundamental é a capacidade legal de comprar imóvel na Itália. Brasileiros com cidadania italiana por descendência, que é um dos grupos com maior número de naturalizações fora da União Europeia, podem se candidatar diretamente. Quem não tem cidadania europeia precisaria de visto de residência válido. A Província não exige comprovação de renda mínima, mas exige projetos de reforma tecnicamente aprovados e documentação de propriedade regularizada.
As janelas de candidatura são fixas. Iniciar o processo de avaliação do imóvel e contratar arquiteto local antes do período de inscrição é o caminho recomendado, pois a aprovação costuma levar até 60 dias após o fechamento de cada janela.
Quais são as 33 comunas elegíveis e o que elas têm em comum?
Todas as 33 comunas do programa ficam no Trentino, são municípios de montanha com histórico de despovoamento acelerado e têm número de casas vazias superior ao de casas habitadas. Além de Luserna, a lista inclui municípios como Peio, Vallarsa, Vermiglio, Rabbi e Borgo Chiese, todos na faixa entre 200 e 2.000 habitantes. O teto máximo de obras de €200 mil e a exigência de que o projeto arquitetônico seja compatível com a arquitetura local impedem que o programa seja usado para construção de imóveis descaracterizados em relação ao entorno histórico.
A lista completa está no portal oficial da Província de Trento. Verificar se o imóvel específico está dentro dos perímetros elegíveis é o primeiro passo, pois nem toda propriedade dentro de um município elegível se enquadra automaticamente.

O que torna Luserna diferente das outras 32 comunas do programa?
Luserna preserva o cimbriano, uma língua germânica medieval que chegou à região durante a Idade Média e sobreviveu por séculos cercada por comunidades falantes de italiano e alemão. É considerada patrimônio cultural único na Itália e a comunidade de Luserna é responsável por um dos poucos esforços ativos de preservação de um idioma minoritário alpino. A região tem atrações diretamente ligadas à Primeira Guerra Mundial, com museus e trilhas que passam por antigas posições militares no Altopiano di Asiago. O contexto histórico e linguístico faz de Luserna um destino diferente das aldeias italianas que vendem apenas paisagem.
Vale a pena considerar a mudança ou é bonito demais para ser verdade?
O programa é real, auditável e continuou em 2026 com €5 milhões adicionais alocados pela Província de Trento. Mas o incentivo financeiro resolve os custos iniciais, não a adaptação a uma comunidade de 263 pessoas a 1.333 metros de altitude com invernos rigorosos. Ileana Olivo, diretora da iniciativa, foi direta em entrevista ao Corriere della Sera: “Esperamos que quem renova contribua para a revitalização desses lugares, onde até cinco novas famílias podem mudar tudo”.
Quem tem cidadania italiana, disposição para um projeto de longo prazo e afinidade com vida em comunidade pequena de montanha tem diante de si uma das oportunidades de realocação mais bem estruturadas da Europa em 2026. Quem vê apenas o número €100 mil vai se decepcionar com os 10 anos de compromisso e a neve de novembro a abril.




