Há um lugar no Rio Grande do Sul onde o planalto termina de repente em paredões de centenas de metros. Cambará do Sul, nos Campos de Cima da Serra, é a porta de entrada para os maiores cânions da América do Sul, um cenário tão raro que ganhou selo internacional.
O que faz desses cânions um patrimônio reconhecido pela UNESCO?
A geologia da região é única no planeta. Em abril de 2022, o território Caminhos dos Cânions do Sul, que inclui Cambará do Sul, foi reconhecido como Geoparque Mundial da UNESCO, segundo a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul. Foi apenas o segundo geoparque do Brasil a entrar na Rede Global de Geoparques.
O reconhecimento veio pela história da Terra escrita nas rochas. Os paredões nasceram de derrames de lava e milhões de anos de erosão, formando desfiladeiros que separam o planalto da planície litorânea. Não à toa, o Ministério do Turismo chama Cambará do Sul de Terra dos Cânions.

Um pé em cada estado: a curiosidade que poucos conhecem
Aqui acontece um fenômeno geográfico curioso: no Cânion Itaimbezinho, a borda de cima, onde fica o mirante, é território do Rio Grande do Sul, enquanto o fundo do vale, lá embaixo, já é Santa Catarina. O visitante observa o abismo de um estado e enxerga outro no fundo.
O Itaimbezinho é também um dos parques nacionais mais antigos do país, criado em 1959, com paredões que chegam a 720 metros de profundidade, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ao lado dele, o Cânion Fortaleza impressiona pela largura, com cerca de 2 km entre um paredão e outro.

O que fazer na Terra dos Cânions?
O roteiro é todo de natureza, com trilhas para diferentes níveis de preparo. Cambará do Sul é a base ideal, a poucos quilômetros das principais entradas.
- Cânion Itaimbezinho: no Parque Nacional de Aparados da Serra, com a Trilha do Vértice e a Trilha do Cotovelo na borda do abismo.
- Cânion Fortaleza: no Parque Nacional da Serra Geral, com mirantes de tirar o fôlego e o famoso pôr do sol.
- Trilha do Rio do Boi: percurso para aventureiros pelo fundo do cânion, com agendamento e guia obrigatórios.
- Cachoeira do Tigre Preto: queda de mais de 100 metros que despenca dentro do Cânion Fortaleza.
- Passeios de bike e 4×4: opções para explorar os campos de altitude e as estradas de chão da região.
Quem deseja desbravar as belezas e mistérios dos cânions gaúchos, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 1,4 milhão de visualizações, onde Diogo Elzinga mostra um documentário essencial com cachoeiras, voo de balão e o que fazer em Cambará do Sul – RS:
Como é viver no alto da serra gaúcha?
É viver no ritmo do interior, com pouco mais de 6.300 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em uma cidade emancipada em 1963. A mais de mil metros de altitude, é uma das mais frias do país, com geadas frequentes e neve quase todos os invernos.
O turismo ecológico move a economia, com pousadas, cafés coloniais e guias locais. O reconhecimento se traduz em fluxo: Cambará do Sul aparece entre os dez melhores destinos de ecoturismo do Brasil no Prêmio Melhores Destinos 2024/2025, votação com mais de 28 mil viajantes. É a vida tranquila de quem mora ao lado de um dos cenários mais grandiosos do país.
Qual a melhor época para visitar?
O verão tem dias mais longos e ensolarados, ideais para enxergar os cânions sem neblina, embora com chuvas à tarde. O inverno é frio e seco, com chance de geada e neve, e o céu costuma ficar mais limpo pela manhã.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Cambará do Sul fica a cerca de 185 km de Porto Alegre, com acesso pela RS-020. O trecho final até os parques é por estrada de chão, que exige atenção em dias de chuva.
Suba a serra e encare o abismo
Poucos lugares do Brasil entregam a grandiosidade dos cânions de Cambará do Sul, onde o chão simplesmente desaparece em paredões de centenas de metros. O selo da UNESCO só confirma o que os olhos já sabem ao chegar à borda.
Você precisa subir a serra e sentir a vertigem de olhar para o fundo de um cânion que começa em um estado e termina em outro.




