O salário mínimo em 2027 pode chegar a R$ 1.717, segundo proposta enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional em abril de 2026. O aumento de R$ 96 sobre o piso atual de R$ 1.621 afeta diretamente trabalhadores, aposentados e beneficiários do INSS em todo o Brasil.
O que é a LDO e por que ela define o salário mínimo do próximo ano?
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é o documento que o governo envia ao Congresso todo ano para fixar as regras do orçamento federal do exercício seguinte. É nela que aparecem as metas fiscais, os parâmetros econômicos e, obrigatoriamente, a projeção do novo piso salarial.
A proposta é analisada primeiro pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e depois pelo plenário do Congresso Nacional, em sessão conjunta de Câmara e Senado. O valor projetado ainda pode mudar até dezembro, quando o INPC de novembro é divulgado oficialmente.

Quais são os fatores que compõem o cálculo do novo piso?
O reajuste não é arbitrário. A política de valorização do salário mínimo adotada no Brasil combina dois indicadores econômicos para chegar ao número final. Essa fórmula foi retomada em 2023 após ter sido suspensa entre 2020 e 2022.
Os dois componentes são a variação do INPC acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior e o crescimento real do PIB de dois anos antes. Para 2027, o cálculo incorpora o PIB de 2025, que fechou em 2,3%, e uma projeção de inflação de 3,06% pelo INPC.
Quem é diretamente afetado pelo aumento do salário mínimo?
O piso salarial serve de referência para muito mais do que a carteira assinada. Aposentadorias, pensões, auxílios-doença e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) são todos corrigidos com base no mesmo número, o que faz o reajuste ter impacto imediato nas contas do governo e no bolso de milhões de brasileiros.
Quem recebe exatamente um salário mínimo tem o reajuste automático e integral em janeiro. Já segurados do INSS com benefícios acima do piso recebem, em geral, apenas a reposição da inflação, sem o ganho real pelo crescimento do PIB.
Os grupos mais impactados pela mudança são:
- Trabalhadores com carteira assinada que recebem o piso nacional
- Aposentados e pensionistas do INSS com benefício no valor de um salário mínimo
- Beneficiários do BPC, incluindo pessoas com deficiência e idosos de baixa renda
- Domésticos, diaristas e profissionais autônomos que usam o mínimo como referência

Como o reajuste afeta as despesas públicas?
Cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera um impacto estimado de cerca de R$ 350 milhões nas despesas da Previdência Social por ano. Com um reajuste de R$ 96, o custo adicional para o Tesouro em 2027 é expressivo e precisa estar previsto dentro das metas fiscais da LDO.
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O que a LDO 2027 prevê além do salário mínimo?
A proposta enviada ao Congresso traz um conjunto de metas e limites que orientam todo o orçamento federal do próximo ano. A meta central é fechar 2027 com superávit primário de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual.
Os parâmetros econômicos projetados para 2027 também constam do texto, com estimativa de crescimento do PIB de 2,56%, inflação de 3,04% e taxa Selic acumulada de 10,55% ao ano.
| Ano | Salário mínimo projetado | Situação |
|---|---|---|
| 2026 Valor vigente | R$ 1.621 (reajuste de 6,79%) | Confirmado |
| 2027 Proposta da LDO | R$ 1.717 (reajuste de 5,9%) | Em aprovação |
| 2028 Projeção preliminar | R$ 1.812 | Estimativa |
| 2029 Projeção preliminar | R$ 1.913 | Estimativa |
| 2030 Projeção preliminar | R$ 2.020 | Estimativa |
O valor de R$ 1.717 está garantido para 2027?
Não. A proposta da LDO é uma estimativa baseada nas projeções econômicas disponíveis em abril de 2026. O cálculo final depende da inflação oficial medida pelo INPC até novembro, e qualquer variação nos índices altera o número. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Congresso antes de virar lei.
A trajetória projetada para os anos seguintes, com o mínimo chegando a R$ 2.020 em 2030, também é preliminar e será revisada a cada novo ciclo orçamentário. Essas projeções ajudam o governo a planejar as despesas futuras com a Previdência e os benefícios sociais, mas não têm força de lei até que o orçamento de cada ano seja aprovado.




