Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados quer garantir um 13º salário para o Bolsa Família, pago todo mês de dezembro. A proposta altera diretamente a lei vigente do programa e ainda precisa passar por quatro instâncias antes de virar lei, mas já movimenta o debate sobre desigualdade e proteção social no país.
O que é o Bolsa Família e por que ele está no centro dessa proposta?
O Bolsa Família é o principal programa federal de transferência de renda do Brasil, voltado a famílias em situação de vulnerabilidade econômica. Em 2024, o programa atendeu mais de 20,8 milhões de famílias, com repasse médio de R$ 682 por mês e investimento total de R$ 170,2 bilhões no ano.
A ausência de um benefício natalino é vista pela proposta como uma lacuna de equidade: enquanto trabalhadores formais e aposentados recebem o 13º salário todo dezembro, as famílias beneficiárias do programa não têm nenhum reforço de renda equivalente nesse período.

O que o projeto propõe e como o valor do abono seria calculado?
O Projeto de Lei 4964/25 institui o pagamento de um abono natalino para todas as famílias beneficiárias do Bolsa Família. A proposta altera a Lei 14.601/23, que é a lei vigente do programa. O pagamento ocorreria uma vez por ano, em dezembro.
A fórmula de cálculo e os demais pontos centrais da proposta são:
Quais argumentos embasam a criação desse abono natalino?
A justificativa do projeto cita dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2023: os 10% mais ricos do país tiveram renda per capita 14,4 vezes maior que a dos 40% mais pobres, o menor índice de desigualdade desde o início da série histórica, em 2012, mas ainda expressivo.
O texto defende que o abono tem dupla função, de justiça social e de estímulo econômico, porque o dinheiro extra de famílias de baixa renda tende a circular rapidamente no comércio local. Os principais argumentos apresentados na proposta são:
- Trabalhadores formais e aposentados já recebem o 13º há décadas, e beneficiários do programa não têm nenhum equivalente em dezembro
- A renda extra de famílias pobres tem alta propensão a ser gasta no comércio local, gerando empregos e movimentando a economia
- O índice de desigualdade de renda ainda é alto no país, mesmo com a melhora registrada em 2023
- O abono reforçaria a dignidade das famílias vulneráveis em um período de maior pressão financeira, como o fim de ano

Quais são os argumentos a favor e os pontos de atenção levantados sobre o projeto?
Toda proposta de ampliação de benefícios sociais gera debate sobre viabilidade fiscal e efetividade. O projeto ainda não passou pelas comissões de Finanças e Tributação, onde o impacto orçamentário será avaliado. A comparação abaixo organiza os principais pontos do debate:
| Aspecto | O que se defende | Avaliação |
|---|---|---|
| Equidade social Comparação com trabalhadores formais | Beneficiários não têm nenhum reforço de renda em dezembro, ao contrário de formais e aposentados | Favorável |
| Estímulo ao consumo Efeito na economia local | Renda extra de famílias pobres tem alta propensão a circular no comércio local e gerar empregos | Favorável |
| Impacto fiscal Custo para o orçamento federal | Com mais de 20 milhões de famílias no programa, o custo anual do abono será elevado e precisa de fonte de custeio | A avaliar |
| Tramitação legislativa Caminho até virar lei | Ainda passa por quatro instâncias na Câmara e depois pelo Senado antes de eventual sanção | Em andamento |
Qual é o caminho que o projeto ainda precisa percorrer até virar lei?
O PL 4964/25 está em análise na Câmara dos Deputados e precisa ser aprovado por quatro comissões antes de ir ao Plenário. São elas: Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; Finanças e Tributação; Constituição e Justiça e de Cidadania; e o Plenário da Câmara. Após isso, segue para o Senado Federal.
Quem quiser acompanhar ou participar do debate pode acessar a íntegra da proposta e sua tramitação diretamente no portal da Câmara dos Deputados, onde também há enquete aberta sobre o PL 4964/25.
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Como funciona a Comissão de Legislação Participativa, que originou o projeto?
A Comissão de Legislação Participativa (CLP) é o canal formal pelo qual entidades da sociedade civil podem propor projetos de lei diretamente à Câmara dos Deputados. No caso do abono natalino, a sugestão veio do Centro de Desenvolvimento Social Macaé / Convida, do Rio de Janeiro, e foi transformada em proposição legislativa pela própria comissão.
O que esse projeto significa para o debate sobre proteção social no Brasil?
A proposta chega em um contexto em que o Bolsa Família voltou a ser o maior programa de transferência de renda do país, depois de um período de reestruturação. A criação de um abono natalino representaria a primeira alteração estrutural no calendário de pagamentos desde a reformulação do programa




