No alto da Serra da Mantiqueira, onde o inverno chega perto de zero grau, fica um refúgio que desafia a imagem litorânea do Rio de Janeiro. Visconde de Mauá reúne três vilas entre montanhas, cachoeiras geladas e um clima que lembra mais a Europa do que o trópico.
Por que uma ponte muda de estado aqui?
O Rio Preto corta a região e funciona como divisa natural entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Basta cruzar uma das pontes de madeira para trocar de estado em poucos passos.
As três vilas principais, Mauá, Maringá e Maromba, se assentaram nos dois lados do rio. Maringá ficou literalmente dividida: um lado pertence a Itatiaia (RJ) e o outro a Bocaina de Minas (MG). A região não é um município, mas um distrito rural administrado por três prefeituras, segundo o portal Visconde de Mauá Turismo.

O clima de montanha que parece europeu
A altitude explica o frio. As vilas estão a até cerca de 1.400 metros acima do mar, cercadas por araucárias e campos de serra que pouco lembram o resto do estado fluminense.
No inverno, as temperaturas despencam e podem se aproximar de zero grau, com manhãs de geada nas partes mais altas. É o tipo de cenário que rende lareira acesa, fondue e vinho quente, atraindo quem busca um friozinho de fim de tarde a poucas horas do calor carioca.

O que fazer entre as cachoeiras e as vilas?
As quedas d’água são o grande chamariz da região, com trilhas para todos os níveis. As mais famosas ficam concentradas na vila de Maromba, a mais alta e rústica das três.
- Cachoeira do Escorrega: cartão-postal da região, com lajes naturais que viram escorregador aquático e bares no entorno.
- Poção da Maromba: poço de fácil acesso no alto da vila, ideal para banho em dia de sol.
- Cachoeira Santa Clara: no Vale do Pavão, forma um paredão de queda suave entre os mais bonitos da região.
- Vila de Maringá: principal centro comercial, com restaurantes, artesanato e a vida noturna mais movimentada.
- Mirantão: vilarejo do lado mineiro, pacato, com acesso às Cachoeiras da Prata por trilha.
Quem busca o refúgio perfeito em meio às montanhas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Casal Alencar, que conta com mais de 720 mil visualizações, onde os apresentadores mostram chalés românticos, cachoeiras e a gastronomia de Visconde de Mauá:
Um parque nacional ao lado
Visconde de Mauá faz vizinhança com o Parque Nacional do Itatiaia, o primeiro parque nacional do Brasil, criado em 14 de junho de 1937. A unidade abrange municípios do Rio e de Minas e guarda o Pico das Agulhas Negras, com 2.791 metros, um dos mais altos do país, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Há um laço histórico curioso: parte da área do parque teria pertencido ao próprio Visconde de Mauá antes de ser adquirida pela Fazenda Federal, em 1908. O parque divide-se em parte alta, dos campos de altitude e formações rochosas, e parte baixa, de Mata Atlântica, cachoeiras e maior visitação.
Quando ir e o que esperar do tempo?
O inverno seco é a época preferida de quem quer o friozinho clássico da serra. O verão é mais quente e marcado por chuvas no fim da tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo da cidade-base de Resende. Nas partes mais altas, costuma fazer mais frio.
Como chegar ao refúgio da Mantiqueira
Do Rio de Janeiro, são cerca de 200 km, com pouco menos de três horas de viagem. De São Paulo, são aproximadamente 293 km. O acesso principal é pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116) até Resende, seguindo depois pela serra rumo às vilas.
Vale a subida até as três vilas
Visconde de Mauá entrega o que poucos cantos do Sudeste oferecem: frio de serra, cachoeiras cristalinas e a sensação de estar em dois estados ao mesmo tempo. É o destino certo para quem quer trocar a praia por uma lareira sem dirigir o dia inteiro. Você precisa subir a Mantiqueira e atravessar a ponte que separa Rio e Minas para entender o encanto desse lugar.




