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Proposta em tramitação na Câmara dos Deputados prevê isenção do IPI para brasileiros com 60 anos ou mais na compra de veículos novos nacionais de até R$ 70 mil.
Projeto parado desde 2023: aguarda novo relator na Comissão de Finanças e Tributação após o relator anterior deixar a função ao fim da legislatura.
Risco adicional: a Reforma Tributária prevê a extinção gradual do IPI até 2033, o que pode tornar a proposta obsoleta antes mesmo de ser aprovada.
Imaginar comprar um carro zero com desconto de imposto só por ter 60 anos ou mais é uma possibilidade real no papel, mas ainda distante na prática. Um projeto que tramita no Congresso Nacional desde 2020 propõe exatamente isso, e entender onde ele está, o que prevê e quais são os riscos no caminho é fundamental antes de criar expectativas.
O que o projeto propõe e de onde ele veio
O PL 2937/2020, apresentado pelo deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), propõe a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para pessoas idosas na aquisição de veículos novos de fabricação nacional. Ao longo da tramitação na Câmara dos Deputados, o texto recebeu um substitutivo com critérios específicos aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa em 2021.
O relator do substitutivo destacou que a medida pode funcionar como instrumento de política pública para melhorar a mobilidade e a qualidade de vida da população idosa, especialmente de quem precisa se deslocar para consultas médicas ou manter uma vida ativa e independente.

Quais seriam as condições para ter direito ao benefício fiscal
A isenção tributária não valeria para qualquer veículo. O substitutivo aprovado estabeleceu uma série de requisitos para concentrar o benefício em modelos mais acessíveis e com tecnologia mais limpa. Veja as principais exigências:
- Ter 60 anos ou mais na data da compra do veículo zero quilômetro;
- Teto de R$ 70 mil pelo carro, já com os impostos incluídos no preço final;
- Motor de até 2.000 cilindradas, excluindo modelos de alta potência;
- Veículo movido a combustível renovável (como etanol/flex), sistema híbrido ou totalmente elétrico;
- Intervalo mínimo de 5 anos entre uma compra com isenção e a próxima;
- Somente veículos de fabricação nacional, sem cobertura para modelos importados.
O desconto real no bolso: nem sempre 25%
Um ponto que circula de forma imprecisa é o tamanho do desconto. O IPI não tem alíquota fixa: ela varia conforme a potência do motor. Para carros 1.0, a redução gira em torno de 7%, o que representa um alívio real, mas bem mais modesto do que o teto de 25% que se aplica a veículos mais potentes. Em um carro de R$ 70 mil com motor 1.0, o desconto seria de aproximadamente R$ 4.900.
O desconto mais expressivo, próximo de 25%, se aplica a motores maiores, justamente os que têm mais chance de superar o teto de R$ 70 mil. Na prática, a maioria dos idosos enquadrados no benefício compraria carros de entrada, onde a economia seria positiva, mas não transformadora no preço total.
🔑 Pontos-chave
Desconto varia com o motor
A alíquota do IPI vai de cerca de 7% (motor 1.0) a até 25% (motores maiores). Quanto menor o motor, menor o desconto, e são exatamente os menores que cabem no teto de R$ 70 mil.
Parado desde o fim de 2023
O relator original deixou a Comissão de Finanças e Tributação ao fim da legislatura 2019–2023. Desde então, o projeto aguarda a designação de um novo relator sem movimentações significativas.
⚠️ Alerta: Reforma Tributária
A reforma em andamento prevê a extinção gradual do IPI até 2033, substituído pelo IBS e pela CBS. Se aprovada antes do PL, a proposta precisaria ser completamente reescrita para continuar válida.
A realidade da tramitação: um projeto essencialmente parado
O avanço mais recente do projeto ocorreu em julho de 2021, com a aprovação na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. Desde então, o texto foi encaminhado à Comissão de Finanças e Tributação (CFT), onde aguarda a designação de um relator. O problema é que o deputado Paulo Ganime, que atuava como relator, deixou a comissão ao fim da legislatura 2019–2023, e nenhum substituto foi designado desde então.
Enquanto não houver aprovação definitiva no Congresso Nacional e sanção presidencial, a isenção de IPI para idosos não existe na prática e não pode ser solicitada em nenhuma concessionária. Qualquer informação em sentido contrário circulando nas redes deve ser tratada com ceticismo.

Uma sombra no horizonte: a Reforma Tributária pode mudar tudo
Além da lentidão legislativa, o projeto enfrenta um risco estrutural pouco comentado. A Reforma Tributária em andamento prevê a extinção gradual do IPI até 2033, com a criação de novos tributos unificados como o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Se o PL 2937/2020 não for aprovado antes dessa transição, o texto precisaria ser completamente reescrito para se adaptar ao novo sistema fiscal brasileiro.
Isso não inviabiliza a ideia central do projeto, mas impõe uma corrida contra o tempo que o Congresso ainda não demonstrou urgência em vencer. A mobilidade da pessoa idosa continua sendo um tema legítimo e relevante para o debate legislativo, mas é importante separar a validade da causa da realidade atual da proposta que a representa.
Um projeto com seis anos de tramitação, relator sem designação e uma reforma tributária ameaçando sua base legal é, no mínimo, um aviso para não embutir esse desconto em nenhum planejamento financeiro por enquanto. Acompanhar a movimentação oficial na Câmara dos Deputados é a melhor forma de saber se essa história ainda tem um capítulo novo pela frente.
Conhece alguém que ficaria feliz em saber que esse benefício ainda não existe, mas pode existir um dia? Compartilhe este conteúdo e ajude a circular informação precisa sobre direitos dos idosos no Brasil.




