A hegemonia do dólar no mercado financeiro global passa por um momento de questionamento estratégico por diversos blocos econômicos. Esse movimento, conhecido como desdolarização, busca ampliar o uso de moedas nacionais em negociações bilaterais e regionais para reduzir a dependência da divisa americana.
Por que diversos países estão reduzindo o uso do dólar?
A motivação central reside na busca por maior autonomia financeira e na proteção contra sanções econômicas que podem afetar o comércio internacional. A Comunidade de Estados Independentes, bloco de origem pós-soviética, tem liderado essa transição ao priorizar acordos diretos entre seus membros.
Na prática, essa mudança reflete o desejo de blindar as economias internas contra a volatilidade cambial atrelada à moeda dos Estados Unidos. Confira os países que compõem o bloco que tem avançado significativamente nesta iniciativa:
Veja abaixo os principais integrantes que buscam alternativas ao dólar:
- Armênia
- Azerbaijão
- Bielorrússia
- Cazaquistão
- Quirguistão
- Moldávia
- Rússia
- Tadjiquistão
- Turcomenistão
- Uzbequistão
Qual é a real dimensão dessa mudança no comércio global?
É fundamental esclarecer que não ocorre um abandono total, mas sim uma substituição progressiva em nichos específicos de comércio exterior. Entre a Rússia e a Bielorrússia, por exemplo, o uso de moedas nacionais atingiu a marca de 98,9% das operações em 2025.
O presidente russo Vladimir Putin afirmou que o cenário comercial entre os membros da Comunidade de Estados Independentes já apresenta mais de 85% das transações fora do sistema baseado na moeda americana. Esse dado reforça como o alinhamento político impulsiona a mudança nas formas de liquidação.

Como o dólar ainda mantém sua dominância no sistema financeiro?
Apesar desses movimentos, a moeda americana permanece como a principal reserva de valor e meio de troca mundial. De acordo com o Fundo Monetário Internacional, o dólar ainda representava 57% das reservas cambiais globais no terceiro trimestre de 2025.
O sistema SWIFT ilustra essa persistência, processando cerca de 49,7% de todas as mensagens financeiras em dólar no início de 2026. Esse volume supera com folga o euro, que detém 22%, demonstrando que a infraestrutura financeira global ainda depende largamente da divisa norte-americana.
Quais são as alternativas que estão surgindo no cenário internacional?
Novos sistemas e acordos estão sendo testados para viabilizar pagamentos sem a necessidade do intermediário tradicional. A China tem expandido o uso do yuan, que já respondeu por 53,9% de seus pagamentos transfronteiriços em 2025, enquanto o BRICS Pay surge como uma plataforma digital para integrar sistemas nacionais como o Pix e o UPI indiano.
Confira os dados sobre a movimentação financeira em sistemas alternativos:

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O domínio do dólar está realmente com os dias contados?
A visão de especialistas aponta para um processo lento e complexo, onde a transição completa parece improvável no curto prazo. O Lowy Institute, em relatório de maio de 2026, destaca que desafiar a posição do dólar como moeda de reserva global exige uma infraestrutura que hoje não existe.
A dependência do sistema financeiro internacional em relação à rede SWIFT, que conecta 11.500 instituições em mais de 200 países, garante que a moeda americana continue sendo a base das transações de larga escala. Portanto, o futuro aponta para um sistema multipolar, onde o dólar divide espaço com outras moedas, mantendo, contudo, sua influência preponderante.




