A unificação de um sistema de pagamento digital exclusivo para o continente europeu promete transformar as transações financeiras na região. Com a assinatura de um memorando entre a EPI Company e a aliança EuroPA, o projeto visa conectar soluções nacionais de treze países para viabilizar transferências sem intermediários.
Como o novo sistema de pagamento pretende operar na Europa?
A iniciativa abandona o modelo tradicional de cartões em favor de transferências bancárias instantâneas feitas diretamente entre contas. Esse formato reduz drasticamente a necessidade de intermediários como as empresas norte-americanas Visa e Mastercard, que atualmente processam a maior parte das operações globais.
A meta é garantir que os dados financeiros permaneçam dentro das fronteiras da Europa, aumentando a segurança e diminuindo custos operacionais. O cronograma prevê que as transferências entre pessoas comecem a funcionar em larga escala no segundo semestre de 2026, com a expansão para estabelecimentos comerciais em 2027.

Quais países e plataformas farão parte dessa mudança estrutural?
O alcance inicial do projeto abrange treze nações que já possuem tecnologias de pagamento consolidadas em seus territórios. Entre os países participantes estão Alemanha, França, Itália, Portugal e Espanha, cada um integrando suas plataformas locais ao novo hub central.
Confira as principais soluções que compõem o ecossistema europeu:
- Wero (plataforma da EPI Company atuante em países como França e Alemanha)
- Bizum (utilizado em Espanha e Andorra, somando mais de 30 milhões de usuários)
- MB WAY (solução da SIBS em Portugal)
- Vipps MobilePay (presente na Noruega, Dinamarca e Finlândia)
- iDEAL (popular na Holanda, com migração planejada para 2027)
Por que a soberania digital europeia é o foco atual?
O movimento é visto como uma necessidade geopolítica para evitar a dependência de tecnologias externas. De acordo com análises da Information Technology & Innovation Foundation, a economia europeia desembolsa bilhões de euros anualmente em comissões para redes estrangeiras de cartões.
Veja os dados sobre a abrangência e o alcance do projeto:

Quais são os próximos passos para a expansão do sistema de pagamento?
O projeto possui um caráter escalável e já admite a entrada de novos membros que buscam fortalecer a autonomia financeira regional. Países como Suíça e Grécia, com o sistema Iris, demonstram interesse na interoperabilidade proposta pelo hub central de pagamentos.
A aliança também destaca o sistema BLIK, da Polônia, que já colabora ativamente com os objetivos da EuroPA. Essa abertura sinaliza que a infraestrutura tem potencial para se tornar o padrão de referência para todo o continente, consolidando uma alternativa robusta e integrada de liquidação financeira.
Como esse sistema pode influenciar o futuro das transações globais?
A criação de uma infraestrutura própria representa um desafio direto à dominância histórica das operadoras americanas no setor financeiro. Ao centralizar as operações em um hub tecnológico europeu, a região ganha um peso maior nas negociações internacionais e reduz vulnerabilidades contra bloqueios ou sanções de provedores externos.
A implementação bem-sucedida dessa rede servirá como um laboratório prático para outras regiões que desejam desenvolver meios de pagamento soberanos. Embora o sucesso dependa da adesão contínua de grandes instituições bancárias como o BNP Paribas e o Deutsche Bank, o projeto já se posiciona como um marco decisivo na história das finanças digitais europeias.




