Caminhar por Pirenópolis, em Goiás, é entrar em um cenário onde casarões coloniais coloridos dividem espaço com ruas de pedra e cachoeiras a poucos minutos do centro. Em 2026, o destino celebra os 200 anos das Cavalhadas, encenação medieval que recria a batalha entre mouros e cristãos e atravessa gerações desde 1826.
Como o vilarejo nasceu nas margens do Rio das Almas
O município foi fundado em 7 de outubro de 1727, quando garimpeiros portugueses chegaram à região atrás de jazidas de ouro no Rio das Almas, segundo registro histórico da prefeitura local. O nome inicial era Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte, batismo curioso ligado a uma ponte parcialmente destruída por uma enchente.
Entre 1750 e 1800, viveu sua era dourada e disputou com a antiga Vila Boa o título de cidade mais rica da província. Em 1890, ganhou o nome atual em homenagem à Serra dos Pireneus, que cerca o vilarejo, em referência à cordilheira europeia entre França e Espanha.
A herança da época está nas ruas estreitas, na Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário (de 1732, o monumento mais antigo do estado) e no Theatro de Pirenópolis, de 1899. Em 1989, o conjunto arquitetônico recebeu reconhecimento patrimonial nacional, conforme o Instituto do Patrimônio Histórico.

Por que as Cavalhadas atraem multidões há quase dois séculos?
As Cavalhadas são o ápice da Festa do Divino Espírito Santo e celebram, em 2026, dois séculos de tradição ininterrupta. O espetáculo encena a batalha medieval entre Carlomagno e os sarracenos, com 12 cavaleiros cristãos vestidos de azul lutando contra 12 mouros vestidos de vermelho.
A primeira encenação aconteceu em 1826, por iniciativa do Padre Manuel Amâncio da Luz, segundo material da Secretaria de Turismo de Pirenópolis. A apresentação dura três dias e atrai cerca de 30 mil visitantes a cada edição.
Em 2026, as datas oficiais são 24, 25 e 26 de maio, quando o vilarejo recebe ainda os Mascarados, figuras com máscaras coloridas que percorrem as ruas em uma manifestação de origem afro-brasileira. A celebração inteira é reconhecida como patrimônio cultural brasileiro.

O que fazer no destino além das ruas históricas
O município reúne mais de 80 cachoeiras catalogadas a poucos quilômetros do centro, espalhadas pela Rodovia Parque dos Pireneus e pela GO-338. Entre os passeios mais procurados pelos visitantes, destacam-se:
- Cachoeira do Abade: queda de 22 metros que forma um poço esverdeado de 900 m², a 17 km do centro histórico.
- Santuário Vagafogo: primeira reserva particular criada em Goiás, com 46 hectares preservados, trilhas de 1.500 metros e brunch famoso com produtos do Cerrado.
- Cachoeira do Lázaro: praia natural de areia branca a 11 km do centro, ideal para famílias com crianças.
- Cachoeira Meia Lua: queda de 10 metros precedida por 200 metros de corredeiras, a apenas 5 km do vilarejo.
- Reserva do Abade: complexo com quatro cachoeiras, ponte pênsil de 25 metros de altura e seis mirantes em um circuito de 2,5 km.
- Cachoeira do Rosário: queda alta cercada por formações rochosas, a 30 km do centro.
Sabores goianos e a Rua do Lazer ao entardecer
A cozinha do destino mistura tradição rural goiana com releituras contemporâneas servidas em bistrôs charmosos. À noite, a Rua do Lazer fecha para carros e vira polo gastronômico ao ar livre, com mesas espalhadas sob luzes amarelas e música ao vivo.
- Empadão goiano: clássico recheado com frango, linguiça, queijo, azeitona, ovo e guariroba, raiz amarga típica do Cerrado.
- Arroz com pequi: prato símbolo da culinária local, feito com a fruta amarela de aroma marcante e sabor inconfundível.
- Brunch da Vagafogo: dezenas de pratos servidos em etapas, com geleias artesanais e produtos colhidos no santuário.
- Pamonha e curau: doces e salgados de milho verde, presentes em cafés e bancas do centro histórico.
- Cervejas artesanais da serra: produzidas na própria região, acompanham os jantares na Rua do Lazer.
Quem sonha em descobrir cachoeiras incríveis e a maior cidade de pedra do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 112 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um roteiro completo de 5 dias em Pirenópolis, Goiás:
Quando ir e qual o melhor clima para o destino goiano
O vilarejo tem duas estações bem definidas. A época de seca, entre maio e setembro, é ideal para trilhas e cachoeiras com águas mais claras. Já o período chuvoso, de outubro a março, deixa as quedas mais cheias e o cerrado mais verde, segundo histórico do Climatempo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade colonial do interior goiano
O vilarejo fica a 150 km de Brasília e a 120 km de Goiânia, em um trajeto que dura entre 2 e 2h30 de carro. O acesso é feito pela BR-070 e pela GO-431, com estradas pavimentadas até o centro histórico.
Quem vem do exterior ou de outras regiões pode desembarcar no Aeroporto Internacional de Brasília ou no Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, e seguir de carro alugado ou transfer. Há também ônibus diários partindo das duas capitais.
Conheça o destino que mistura história e natureza no Cerrado
O município reúne uma combinação rara: ruas de pedra preservadas há quase 300 anos, uma tradição medieval que completa 200 anos em 2026 e dezenas de cachoeiras a poucos minutos do centro. Tudo isso embalado pelo som dos sinos da Igreja Matriz e pelo cheiro do empadão goiano saindo do forno.
Você precisa subir a serra e conhecer Pirenópolis, a cidade onde a Idade Média cavalga ao lado do cerrado e cada esquina conta uma história diferente.




