Entre ruas de pedra e serras do Cerrado, Pirenópolis, em Goiás, guarda quase três séculos de história. Fundada em 1727 por bandeirantes que encontraram ouro às margens do Rio das Almas, a cidade combina centro histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), mais de 80 cachoeiras catalogadas na Serra dos Pireneus e duas tradições culturais que atravessaram 200 anos sem se quebrar.
Por que Pirenópolis é tombada pelo IPHAN?
O reconhecimento veio em duas camadas. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, com obras iniciadas entre 1728 e 1732, foi o primeiro monumento tombado pelo IPHAN em todo o Centro-Oeste brasileiro em 1941. Décadas depois, o conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico inteiro foi tombado, inscrito no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.
Entre as construções protegidas estão a Fazenda Babilônia, tombada em 1965, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo com seu museu de Artes Sacras, a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, o Cine Teatro Pireneus, a Casa de Câmara e Cadeia, a Ponte Pênsil Dona Benta e o Theatro Sebastião Pompeu de Pina, construído em 1889. Pirenópolis foi batizada com o nome atual em homenagem aos Pirineus, cordilheira entre França e Espanha.

As Cavalhadas que encenam batalhas medievais há 200 anos
A primeira edição documentada das Cavalhadas aconteceu em 1826, e em 2026 a celebração completa 200 anos. No Campo das Cavalhadas, também conhecido como Cavalhódromo, no centro da cidade, dois exércitos de 12 cavaleiros cada encenam por três dias a batalha entre mouros e cristãos da Península Ibérica. Os cristãos se vestem de azul e branco e entram pelo lado do poente, os mouros usam vermelho e surgem pelo lado do nascente, enquanto personagens populares chamados Mascarados acompanham a performance.
As Cavalhadas integram a Festa do Divino Espírito Santo, celebrada ininterruptamente desde 1819, segundo registros oficiais. Os rituais começam no Domingo de Páscoa e se estendem até o Domingo seguinte ao feriado de Corpus Christi, com clímax no Domingo de Pentecostes. A festa foi registrada pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2010. Em 2022, reuniu 30 mil pessoas e gerou 600 empregos diretos, segundo o Ministério do Turismo, que também destaca o prêmio internacional Passaporte Aberto recebido no mesmo ano como melhor festa do Brasil.

O reconhecimento internacional que veio em 2026
Em 2026, Pirenópolis entrou na lista das 10 cidades mais acolhedoras do planeta pelo Traveller Review Awards, da Booking.com, premiação baseada em milhões de avaliações verificadas de hóspedes ao redor do mundo. O município ficou lado a lado com destinos consagrados como Montepulciano, na Itália, e Takayama, no Japão.
A distinção consolida uma trajetória silenciosa de reposicionamento do destino, que combina hospedagem em pousadas de charme instaladas em casarões coloniais, gastronomia regional valorizada e acesso privilegiado ao Cerrado preservado. Segundo o IBGE, o município tem cerca de 25 mil habitantes em uma área de 2.227 km², a 770 metros de altitude.
O que fazer em Pirenópolis?
O destino combina patrimônio, natureza e vida cultural em um raio pequeno. A Serra dos Pireneus corta o município e forma mais de 80 cachoeiras catalogadas, muitas com infraestrutura completa para receber turistas o dia inteiro.
Pontos turísticos imperdíveis:
- Centro Histórico: conjunto arquitetônico colonial tombado pelo IPHAN, com ruas de pedra, casarões coloniais e igrejas do século XVIII.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário: construção iniciada em 1728, primeiro monumento tombado pelo IPHAN no Centro-Oeste, restaurada após incêndio em 2002.
- Theatro Sebastião Pompeu de Pina: casa de espetáculos de 1889 preservada no coração do centro.
- Fazenda Babilônia: propriedade rural tombada em 1965, representativa da arquitetura de engenhos do ciclo do ouro.
- Cachoeira do Abade: queda de 12 metros cercada por paredões de pedra, a 12 km do centro.
- Complexo Vargem Grande: Reserva Particular do Patrimônio Natural com 1.000 hectares de Cerrado preservado e oito cachoeiras.
- Parque Estadual da Serra dos Pireneus: área de conservação que preserva o Cerrado e suas nascentes.
- Rua do Lazer: principal via noturna do centro, com cafés, ateliês de prata e lojas de artesanato.
A gastronomia mistura tradição goiana e herança colonial. Alguns pratos imperdíveis:
- Empadão goiano: torta salgada rústica com frango, pequi, azeitona, ovo e guariroba.
- Galinhada com pequi: arroz com frango caipira e o fruto mais emblemático do cerrado goiano.
- Peixe na telha: tilápia ou pintado do Rio das Almas assado na telha de barro com temperos regionais.
- Pamonha e curau: preparações tradicionais de milho verde vendidas em quitandas e restaurantes.
- Doces de cristal: compotas de frutas do cerrado como cagaita, jabuticaba e araticum.
Qual a melhor época para visitar?
O clima é tropical típico do Cerrado, com verão chuvoso e inverno seco. A tabela resume cada estação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Pirenópolis?
A cidade fica a aproximadamente 150 km de Brasília, cerca de 2h20 de viagem, e a 125 km de Goiânia, cerca de 2 horas. De Belo Horizonte, o trajeto é de 835 km pela BR-040, com aproximadamente 9 horas de carro. Os aeroportos mais próximos são o Aeroporto Internacional de Brasília, a cerca de 150 km, e o Aeroporto de Goiânia, a cerca de 130 km. O acesso rodoviário é feito principalmente pela GO-338 e GO-225, com rotas alternativas passando por Anápolis, Cocalzinho e Corumbá de Goiás. Linhas regulares de ônibus saem de Brasília e Goiânia.
Conheça a cidade onde o ciclo do ouro virou patrimônio mundial
Pirenópolis mostra que três séculos de história podem caber em 2.227 km². O casario colonial, a Serra dos Pireneus e as festas populares convivem em escala humana, em uma das pouquíssimas cidades do país que cabem na mesma frase que Ouro Preto ou Paraty quando o assunto é conjunto arquitetônico e vitalidade cultural.
Você precisa conhecer Pirenópolis e sentir o que acontece quando as ruas de pedra do ciclo do ouro encontram as cachoeiras do Cerrado.




