No alto da Serra da Mantiqueira, a cerca de 1.400 metros de altitude, Visconde de Mauá reúne três vilas em uma região colada ao Parque Nacional de Itatiaia, o primeiro do Brasil. O inverno chega a -2°C em pleno estado do Rio de Janeiro e a margem esquerda do Rio Preto fica em Minas Gerais.
Por que Visconde de Mauá surpreende quem só conhece as praias do Rio?
A resposta está na geografia e na altitude. A região não forma um município, mas sim um distrito rural administrado por três prefeituras diferentes, como explica o portal Visconde de Mauá Turismo: Resende (RJ), Itatiaia (RJ) e Bocaina de Minas (MG).
O cenário é de montanhas, araucárias e rios gelados. A região tem cerca de 5 mil habitantes, conforme a Wikipédia, e reúne mais de 100 cachoeiras e 150 opções de hospedagem, o que torna o turismo a principal atividade econômica local. O clima tropical de altitude produz invernos secos e frios, com temperaturas que chegam a -2°C, e verões amenos que não passam de 27°C.
A curiosidade geográfica mais marcante acontece na Vila de Maringá, onde o Rio Preto funciona como divisa natural entre Rio de Janeiro e Minas Gerais. Uma margem está em território fluminense, a outra já pertence ao estado vizinho. A travessia entre os dois estados é feita a pé pela Ponte Tia Sofia, estrutura de pedestres que liga os dois lados do centrinho comercial.

Uma área que pertenceu ao próprio Visconde de Mauá
O nome do distrito não é coincidência. As terras da região pertenceram originalmente ao Visconde de Mauá, Irineu Evangelista de Sousa, e foram adquiridas pela Fazenda Federal em 1908 para a criação de núcleos coloniais destinados ao cultivo de frutas. Segundo a Wikipédia, as terras foram incorporadas em 1914 ao patrimônio do Jardim Botânico.
O Parque Nacional de Itatiaia foi criado pelo Decreto 1.713, de 14 de junho de 1937, assinado por Getúlio Vargas, tornando-se o primeiro parque nacional do Brasil. A unidade de conservação é tão extensa que sobe a Serra da Mantiqueira e abraça as três vilas de Visconde de Mauá, com 210 km² de floresta preservada entre os estados de RJ e MG.
O Pico das Agulhas Negras e o Morro do Couto, localizados dentro do parque e acessíveis pela parte alta, estão entre os pontos mais altos do Brasil. A administração do uso público do parque foi assumida em 2023 pela concessionária Parquetur, em contrato de 25 anos para conservação e melhoria da infraestrutura.

O que fazer nas três vilas da Mantiqueira
O roteiro combina cachoeiras, trilhas e a gastronomia premiada das três vilas. Entre as atrações principais:
- Cachoeira do Escorrega: cartão-postal da região, fica no fim da Estrada Mauá-Maromba e tem lajes naturais que funcionam como escorregador aquático. O entorno reúne bares, lojas de artesanato e o Restaurante do Escorrega.
- Cachoeira Santa Clara: no Vale do Pavão, forma um paredão de pedras com cerca de 40 metros de queda suave, considerada uma das mais belas da região.
- Cachoeira Véu da Noiva: próxima à Vila de Maromba, tem trilha curta e boa infraestrutura para famílias com crianças.
- Poção da Maromba: queda de 7 metros localizada a curta caminhada da praça da Maromba, tradicional ponto de banho desde a era hippie da região.
- Parque Nacional de Itatiaia (parte alta): acesso a trilhas como as do Pico das Agulhas Negras, 5º ponto mais alto do Brasil, e do Morro do Couto, o 8º mais alto do país.
- Ponte Tia Sofia: passarela para pedestres sobre o Rio Preto que liga a Maringá fluminense à Maringá mineira, permitindo mudar de estado em poucos passos.
Na mesa, a região é conhecida pelo festival gastronômico e pelos restaurantes assinados por chefs renomados. Para provar o melhor do local:
- Truta na pedra: prato símbolo de Visconde de Mauá, preparado com peixe fresco pescado no próprio Rio Preto e servido em pedra aquecida com ervas da região.
- Receitas com pinhão: a araucária é a árvore símbolo da região e fornece a semente base de risotos, sopas e tortas salgadas servidos em bistrôs das três vilas.
- Fondue e raclette: pratos típicos da alta temporada de inverno, aparecem em versões clássicas e brasileiras, com queijos artesanais produzidos na Serra da Mantiqueira.
- Bolo húngaro: doce tradicional da região, vendido em padarias e cafeterias especializadas da Alameda Gastronômica Tia Sofia, no lado mineiro de Maringá.
Quem sonha com um refúgio romântico na Serra da Mantiqueira, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Casal Alencar, que conta com mais de 717 mil visualizações, onde Bruno e Adriana mostram um roteiro de 3 dias por Visconde de Mauá, Maringá e Maromba:
Qual a melhor época para visitar?
O inverno é a estação mais procurada, com frio seco, cachoeiras reduzidas e o clima ideal para pousadas com lareira. O verão traz chuvas concentradas e cachoeiras cheias:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Visconde de Mauá
A região fica a cerca de 210 km do Rio de Janeiro e 310 km de São Paulo. O acesso principal é pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116), com saída no km 311, entre as cidades de Itatiaia e Resende. A partir da saída, segue-se pela RJ-163 em subida de serra por cerca de 30 km até a primeira vila, Mauá.
Quem vem de Minas Gerais pode usar a BR-267 de Juiz de Fora até Liberdade, seguindo depois para Bocaina de Minas. A 34 km de Penedo, também no sul fluminense, a região é opção frequente para quem já está hospedado na região serrana do Rio. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Internacional do Galeão (GIG), no Rio, a cerca de 200 km.
Conheça a Serra que o Rio escondeu
Visconde de Mauá desmente em poucos quilômetros a ideia de que o estado do Rio é só litoral. É o raro caso brasileiro em que três vilas partilham o mesmo rio como divisa entre estados e entregam um frio serrano a pouco mais de três horas da capital fluminense.
Você precisa conhecer Visconde de Mauá e atravessar de um estado para outro pela Ponte Tia Sofia antes do jantar com vista para o Rio Preto.




