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12% do aço do Brasil sai daqui, a 100 km de BH: a cidade colonial que virou sede da maior usina siderúrgica do mundo e ainda guarda a Casa de Tiradentes

Vitor Bruno Por Vitor Bruno
17/04/2026
Em Cidades
12% do aço do Brasil sai daqui, a 100 km de BH: a cidade colonial que virou sede da maior usina siderúrgica do mundo e ainda guarda a Casa de Tiradentes

12% do aço do Brasil sai desta cidade // IMAGEM ILUSTRATIVA

O verde das montanhas da Serra do Espinhaço emoldura uma cidade que guarda dois mundos em harmonia. Ouro Branco, a 100 km de Belo Horizonte, tem igrejas do século XVIII, a Casa de Tiradentes e a maior usina siderúrgica do mundo em funcionamento, que responde por 12% de todo o aço produzido no Brasil.

Do ouro branco colonial ao aço que abastece o mundo

No final do século XVII, provavelmente em 1694, o bandeirante Miguel Garcia encontrou no pé da grande serra um mineral de coloração mais clara que o das outras regiões. Esse ouro esbranquiçado deu nome ao lugar. O arraial de Santo Antônio de Ouro Branco foi elevado à categoria de freguesia em 16 de fevereiro de 1724, pela Rainha Maria I, tornando-se uma das povoações mais antigas de Minas Gerais, conforme o Instituto Estrada Real.

A cidade passou por vários ciclos: ouro, uva, batata. Mas foi em 1986 que tudo mudou, com o início das operações da usina siderúrgica que hoje é a Gerdau Açominas, a maior unidade produtora de aço da Gerdau no mundo. A planta ocupa uma área de 10 milhões de metros quadrados, inclui 5 mil hectares de área verde preservada e mais de 10 mil pessoas circulam diariamente pelas suas instalações, entre colaboradores e terceiros, segundo a Agência Gov.

Em 2025, a unidade recebeu investimento de R$ 1,5 bilhão para ampliar a produção de bobinas a quente, parte de um plano de R$ 6 bilhões destinados à modernização das operações da Gerdau em Minas Gerais, conforme a Agência Minas.

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A cidade mineira conquistou reconhecimento pela qualidade de vida e pelo estilo acolhedor de sua gente. // Créditos: YouTube.com/@arlindotecladoedrone

Vale a pena morar em Ouro Branco?

Sim. A cidade oferece qualidade de vida com o custo do interior mineiro. O índice de desenvolvimento humano é de 0,764, considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e o PIB per capita entre os mais elevados do estado, impulsionado pela força industrial da siderurgia, conforme dados da Associação dos Municípios da Microrregião do Alto Paraopeba (AMALPA).

A cidade é compacta, com cerca de 40 mil habitantes, e oferece serviços de saúde, educação e comércio acima do esperado para seu porte. Abriga o Campus Alto Paraopeba da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e um campus do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), o que garante formação técnica e universitária a jovens da região sem precisar sair da cidade. A altitude de 1.041 metros e o clima ameno são atrativos extras para quem busca qualidade de vida fora dos grandes centros.

Reconhecimento nacional e internacional

A Gerdau Açominas em Ouro Branco é a maior unidade siderúrgica da Gerdau no mundo, com capacidade instalada de 4,5 milhões de toneladas de aço por ano. Sozinha, a planta responde por 12% de toda a produção nacional de aço, atendendo setores como construção civil, automotivo, agropecuária, energia, naval e ferroviário, segundo a Gerdau. A unidade já produziu mais de 100 milhões de toneladas de aço bruto desde o início das operações.

No campo da gestão pública, Ouro Branco figura entre as 20 cidades responsáveis por mais da metade do PIB de Minas Gerais e ocupa a 53ª posição no Ranking Firjan de Gestão Fiscal no estado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fontes municipais. A cidade integra o Circuito Turístico do Ouro e a rota histórica da Estrada Real, atraindo pesquisadores e turistas que buscam as marcas da colonização portuguesa no interior mineiro.

Leia também: Capital Nacional do Morango: uma cidade a poucos minutos da capital está conquistando os brasileiros com qualidade de vida e tranquilidade

O que fazer em Ouro Branco?

A cidade combina natureza preservada a mais de 1.500 metros de altitude com patrimônio histórico do período colonial. Estas são as principais atrações, conforme o portal Minas Gerais Turismo e o Instituto Estrada Real:

  • Parque Estadual da Serra do Ouro Branco: criado em 2009, abrange 7.520 hectares entre Ouro Branco e Ouro Preto, com altitudes de 1.250 a 1.568 metros. Entrada gratuita, com trilhas, cachoeiras, mirantes e campos rupestres. Administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF).
  • Mirante do ET: no alto da Serra de Ouro Branco, a 1.568 metros de altitude, permite avistar três cidades ao mesmo tempo: Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete e Congonhas.
  • Casa de Tiradentes: local que abrigou reuniões dos inconfidentes mineiros no século XVIII, tombado como patrimônio histórico. Um dos vínculos mais diretos da cidade com a Inconfidência Mineira.
  • Igreja Matriz de Santo Antônio: construção setecentista tombada pelo patrimônio histórico nacional, marco arquitetônico do centro da cidade.
  • Lago Soledade: área de preservação ambiental da Gerdau, formada pelas bacias dos rios Paraopeba e Doce. Perfeito para passeio e contemplação da natureza, sem acesso para banho.
  • Fazenda Carreiras: importante pouso histórico da Estrada Real, onde viajantes descansavam durante as travessias coloniais. Atração setecentista preservada.

A gastronomia de Ouro Branco segue a tradição mineira, com pratos robustos e hospitalidade de interior. Os sabores mais buscados na cidade:

  • Feijão tropeiro: receita de origem colonial com feijão, farinha de mandioca, linguiça e couve, presença garantida nos restaurantes do centro.
  • Frango com quiabo e angu: prato símbolo de Minas Gerais, servido com a consistência de fazenda que só o interior entrega.
  • Queijo artesanal mineiro: produzido na região do Alto Paraopeba, encontrado em feiras e mercados locais com variações de cura e sabor.
  • Pão de queijo artesanal: diferente do industrial, feito com polvilho azedo e queijo da terra, servido quente nas padarias e cafés do centro.
  • Doce de leite e compotas: especialidades das confeitarias locais, com frutas da estação e receitas passadas de geração em geração.

Quem busca conhecer as belezas naturais e históricas de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, onde Tati Marmon apresenta Ouro Branco, uma cidade vizinha de Ouro Preto famosa por sua serra imponente:

Quando é a melhor época para visitar Ouro Branco?

O clima é tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco e ensolarado. A cidade fica a 1.041 metros, o que garante temperaturas amenas durante todo o ano. A primavera e o inverno são os períodos mais indicados para trilhas e mirantes:

💦
Verão
Dezembro a fevereiro
17°C a 26°C
Devido à altitude (1.041 m), as temperaturas são amenas. A dica para driblar a chuva alta é fazer roteiros por cachoeiras e o turismo histórico em manhãs abertas.
💧 Chuva Alta
⛪
Outono
Março a maio
14°C a 24°C
O volume de água cai bastante na serra. Janela muito agradável, fresca e segura para curtir as trilhas na serra, visitas às igrejas e às antigas fazendas.
☁️ Chuva Média
📸
Inverno
Junho a agosto
10°C a 22°C
A melhor época! O inverno seco e ensolarado atrai muitos visitantes. O clima aconchegante convida para mirantes, ver a Estrada Real e a gastronomia.
⭐ Melhor Época / Seco
🌸
Primavera
Setembro a novembro
14°C a 27°C
O calor volta a subir com um nível de chuva bem aceitável. A cidade entra na fase dos incríveis campos rupestres em flor, sendo ideal para trilhas e ecoturismo.
🌤️ Chuva Baixa-Média

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Ouro Branco

A cidade fica a cerca de 100 km de Belo Horizonte pela BR-040, a aproximadamente 363 km do Rio de Janeiro e a cerca de 584 km de São Paulo. O acesso aéreo mais próximo é o Aeroporto Internacional de Confins (BH). Ônibus partem diariamente de Belo Horizonte e das cidades vizinhas como Conselheiro Lafaiete, Congonhas e Ouro Preto com destino ao centro de Ouro Branco.

Uma cidade que carrega dois séculos em cada esquina

Ouro Branco não escolheu entre o passado e o presente: ficou com os dois. As pedras das igrejas coloniais convivem com o brilho do aço que abastece o Brasil, e as trilhas da serra guardam a mesma paisagem que os inconfidentes contemplaram três séculos atrás.

Você precisa conhecer Ouro Branco e descobrir que algumas cidades crescem sem precisar esquecer de onde vieram.

Tags: cidadesMinas GeraisOuro Branco

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